segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Triunfo da Pobreza


O que será preciso acontecer de mais trágico para que toda a gente entenda que a cáfila de criminosos que nos governa tem de ser extirpada do assento do poder - já, sem delongas -, como o carcinoma que é, que sempre foi.

Ao fim de catorze meses de governo, já estamos prestes a ser confiscados de cerca de mais de metade dos nossos rendimentos: vamos, pois, governar as nossas vidas com 40% ou com 30% do que ganhamos.
Quem é que consegue viver desta maneira?
Ou melhor: será viver, isto? Continuaremos a ser homens depois disto?
Repercuto o que tenho dito desde o Dia 1: este projecto neo-liberal, em curso, de engenharia social, mal-disfarçado de finança funambulesca, será, proverbialmente, a morte da minha geração e o ápice do estupro do país. Estamos, somente, ao fim de catorze meses de governo: como iremos sobreviver até ao final deste mandato, se os fanáticos que nos governam não caírem de podres antes disso? Não sobreviveremos. Ou serão eles ou seremos nós: não existe compromisso possível. Não há compromisso possível entre o necrófago e a carcaça: esta já não retornará à vida e o outro não deixará nunca de querer alimentar-se.

Portugal já era uma enorme carcaça cultural, sarconsumida por carreiristas medíocres, monstros das aparências e infames filhos-de-fulanos-de-tais, cujas capacidades intelectuais nunca envergonharam a mais cerebral das bactérias, mas, agora, tornou-se, também, uma carcaça de oportunidades de vida.
É insuportável.
É irrespirável.
É o limite da existência - o nosso evento-horizonte a partir do qual seremos sugados inexoravelmente para o buraco negro ou, se agirmos a tempo, escaparemos ainda com uns pingos de dignidade intactos. Cada palavra melíflua ventriloquada por cada "Yes Man" na comunicação social é uma venenífera partícula de metal pesado que nos empurra com violência para o abismo.
Que nos empurra para o irrevogável triunfo da pobreza.

(Imagem: «O Triunfo da Pobreza», Lucas Vorstermann, o Velho. Século XVIII. A partir de Hans Holbein, o Novo.)