sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O sangue e o povo


«A força é ainda a última ratio dos povos.»
Frase de António José de Almeida (foto acima), primeiro presidente da república português a cumprir um mandato inteiro e o primeiro, num período de grande crispação social, a reunir um enorme consenso popular. António José de Almeida, figura maior da política portuguesa - e autor da importante frase supracitada -, foi um político de direita e até fundador do Partido Evolucionista: partido que ocupou no seu tempo um espaço no espectro político que equivale àquele que, hoje, é ocupado (ou deveria ser ocupado) pelo PSD de Pedro Passos Coelho. Quem tiver dois dedos de testa que entenda as diferenças e retire as suas próprias conclusões.


(Cidadãos de Lisboa dissipados com violência a golpes de cassetetes pelo corpo policial de intervenção, na noite de 14 de Novembro de 2012, em frente à escadaria do Palácio de São Bento, sede do parlamento. Uma operação infame que, embora laudada pelo governo na comunicação social, nos deveria envergonhar e indignar a todos. Desde o Dia 1 que tenho escrito e esclarecido aqui nos Cadernos de Daath sobre o caminho negro que este governo iníquo nos está a desconduzir e eis que, na passada quarta-feira, esse executivo nos deu a todos um espectáculo degradante e gratuito somente com o objectivo de pressionar o povo e demonstrar-lhe pela força que é inútil manifestar-se contra a engenharia social neo-liberal que, disfarçada de funambulismo financeiro, nos está a ser empurrada pelas gargantas abaixo. Nunca precisámos tanto de coragem e verticalidade como agora.)


(Noite de 14 de Novembro de 2012: ruas de Lisboa revestidas com o tapete vermelho do governo liderado por Pedro Passos Coelho, cortesia das forças policiais que carregaram com cegueira irascível sobre os cidadãos em frente ao Palácio de São Bento numa operação de dissipação pela violência que teve como verdadeiro e único objectivo meter medo às pessoas para inibi-las de se manifestarem no futuro. O medo não pode instalar-se nas mentes, porque no momento em que ele o faz nunca mais as abandonará: ruas sem medo!)