segunda-feira, 16 de junho de 2014

Homens sem mestres


O modo como a história, de Portugal, em principal, é tratada nestas linhas assoma a uma leviandade que quase se transfigura em objurgação, bem vistas as coisas: só quem não sabe nada sobre a história oitocentista de Portugal pode ser tentado a levar a sério este discurso que, entre outras coisas, pretende transplantar para esse período um ponto de vista, maioritariamente, contemporâneo sobre o que significa ser-se de Direita, que neste artigo se encontra reduzido ao prosaico conservadorismo. Neste momento, naquilo que é, acima de tudo, uma partilha, não terei espaço para explanar, nem sequer superficialmente, o quanto o artigo erra quando vai por esses caminhos quasi-revisionistas (bastaria, para o efeito, lembrar uma data - 1828 - e um número - 12.000 indivíduos exilados, enforcados e decapitados), mas tenho latitude para lançar uma interrogação: existem intelectuais de Direita e intelectuais de Esquerda ou, por outro lado, existem intelectuais, ponto? Com efeito, quando o pensamento se põe ao serviço da política passa a chamar-se propaganda: até pode ser uma propaganda que vai na direcção dos nossos gostos, mas não deixa de sê-lo.

Para mim, um verdadeiro intelectual, público ou não-público, de Direita ou de Esquerda, define-se - sempre - por aquilo que John dos Passos chamou a Thorstein Veblen na biografia The Bitter Drink que sobre ele escreveu: «um homem sem mestres». O resto são fogos-de-vista lançados ao ar para vender jornais e para, como sempre foi o objectivo das forças reaccionárias portuguesas, desde os tempos do absolutismo, saciar as vontades das classes hegemónicas cultivando a total alienação daquilo a que elas chamam plebe. Não mudámos nada - nada.