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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vencedor do passatempo

O vencedor do passatempo A Conspiração dos Antepassados - Edição Especial foi o leitor Carlos Antunes, de Santo António dos Cavaleiros: foi o primeiro participante a responder correctamente às duas perguntas e, como tal, irá receber um exemplar autografado da edição especial do romance. Parabéns!

As respostas certas são as seguintes:
1) Íbis.
2) "Sometimes I hate myself."

Obrigado a todos os participantes.

A edição especial d'A Conspiração dos Antepassados, que conta com um prefácio de António de Macedo, chegará às livrarias no próximo dia vinte e dois.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Passatempo "A Conspiração dos Antepassados"

Em jeito de prenda de Natal, as edições Saída de Emergência e eu temos um exemplar da edição especial d'A Conspiração dos Antepassados para oferecer ao primeiro leitor dos Cadernos de Daath que responder correctamente às seguintes perguntas:

1) Qual era a famosa alcunha pela qual Fernando Pessoa gostava de ser chamado?
2) Quais foram as últimas palavras que Aleister Crowley proferiu no leito de morte?

Enviem as respostas, até 5 de Janeiro, para o seguinte endereço de email: passatempo.conspiracao(at)gmail.com.

A edição especial d'A Conspiração dos Antepassados, que conta com um prefácio do escritor e realizador de cinema António de Macedo, estará disponível nas livrarias a partir do dia 22 de Janeiro de 2010.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Edição especial em Janeiro de 2010

No próximo dia 22 de Janeiro será publicada uma edição especial do meu romance A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência, 2007), sobre o encontro do poeta Fernando Pessoa com o mago Aleister Crowley: com uma nova capa e um prefácio de António de Macedo, consiste numa edição da qual muito me orgulho.

Quem já leu, sabe que a história orbita em volta do mito sebástico e tem como ponto de partida a vida e a obra do pintor renascentista português Francisco D'Ollanda. É dele a pintura que ilustra o excerto de A Conspiração dos Antepassados que se segue; um trecho que o apresenta como personagem. É, pois, um convite que eu deixo, àqueles que ainda não leram o romance, para que aguardem pela publicação da edição especial.

«Protegendo-se do violento vento nocturno, com um capuz e um manto, Francisco d’Ollanda agarrou o bebé contra o peito e desceu o carreiro pedregoso em direcção à entrada da gruta; o ruído do rio que fluía para o interior da Terra, invés de desaguar no Tejo, era uma verdadeira alegoria das energias telúricas que erguiam a traça magnética da área. Mais uma vez, precisava de abandonar um filho nessas fundações de pedra.
No início do ano morrera D. João III, seu protector, e as construções que ambos acompanhavam permaneciam incompletas. Preocupado com as urgentes experiências alquímicas, descurara as obras no Mosteiro de Santa Maria de Belém e nos Paços Reais de Enxobregas – a sua tão amada Nova Lisboa. D. Catarina estava com vontade de se ocupar pessoalmente das alas inéditas que ele tinha desenhado para o Convento de Cristo, em Tomar, projecto que muito lhe aprazia. De qualquer modo, Tomar encontrava-se demasiado distante, na geografia e na mente, para que pensasse no mosteiro: a morte do rei obrigava-o a trabalhar sob uma pressão inusitada – a rainha queria resultados no espaço de um ano. A delicada situação que se avizinhava não permitia desleixos.
Ollanda admirou a criança deformada, que carregava ao colo, com um misto de repulsa e esperança: após seis experiências falhadas, compreendera finalmente o que fizera de errado e já sabia como emendar a receita que seguia. O bebé era a prova que se aproximava, célere, da fórmula perfeita: as deformações que o afectavam eram insignificantes, comparadas com aquelas que cobriam os corpos dos irmãos mais velhos.
Talvez tivesse sido mais acertado eliminar essas criações inúteis, mas, construídas à imagem do seu melhor anjo, o arquitettore não encontrou coragem para as matar. Lembrou-se de as deixar naquele local isolado, ao abrigo da crueldade dos homens. Na verdade, sentia-se orgulhoso delas: vaidoso por ter tido sucesso; mesmo que essas vidas não servissem os objectivos para os quais havia sido contratado pela coroa.
Começara esse empreendimento em Outubro de 1550; D. Catarina pagara-lhe, para efeitos de contrato, uma primeira prestação de vinte e cinco cruzados, mercê de doações periódicas e alojamento. Sete anos depois, não se arrependera. O segredo que só ele sabia é que aceitara o trabalho infernal com a meta de amealhar dinheiro suficiente para se casar. Amava a mulher, D. Luísa da Cunha de Siqueira, e bastava-lhe acordar ao lado dela para pensar que as maquinações diabólicas valiam a pena. Mesmo assim, debruçado sobre as retortas, sobre o lendário Caldeirão Negro, quando calhava a vislumbrar o seu reflexo em alguma superfície reflectora via um rosto contorcido que não reconhecia: uma face impregnada de satanismo – ele estava a adorar cada momento da sua missão! Haveria de chegar o tempo de parar e de plantar couves na horta, no Monte: antes, precisava de mudar o mundo, de oferecer o Messias ao Quinto-Império.
O paredão com a gorja da caverna elevava-se na noite como um gigante petrificado, castigado pela Lua. Ollanda assustou uma coruja que caçava à entrada da gruta e entrou.
Havia no ar um cheiro calcário que denunciava a proximidade com o litoral, mais que a vizinhança do rio; o chão polvilhado de pedra moída. A dor de cabeça surgiu no momento previsto: a presença intrusiva que experimentava sempre que regressava à gruta. Uma sensação repelente, como se dedos pegajosos lhe massajassem a mente.
Uma série de imagens brotaram-lhe na cabeça; retalhos ordenados como um livro de ilustrações. Ele desconfiava que a origem daquelas visões forçadas se relacionava com os filhos deformados que viviam no fundo da gruta: era o modo peculiar que tinham encontrado para comunicar com o pai, mas, enquanto falavam, aprendiam. Ollanda viu desejos futuros, viu a figura secreta do salvador imaginado: não a personagem brilhante que o animava nas horas de desalento, mas uma versão corrompida, demasiado horrível para ser verdadeira. Tremeu, desconfortável, amparando a cabeça com a mão, e abandonou o indesejado no chão.

O Indesejado?!

Estes filhos deformados estavam para o Desejado como o Anti-Cristo estava para Jesus. Ollanda não compreendeu a mensagem que lhe arrombava o espírito, mas sentiu uma angústia que ultrapassava a maior das ambições. Qual o significado? Nenhum: a substância dos sentimentos era não terem expressão.
Alguém se aproximou, oriundo do interior da Terra, e o homem reconheceu-o: tratava-se do segundo filho. Crescera! Arrastava-se pelo chão, olhando-o com curiosidade infantil. Ollanda recuou, atingido pela recepção de uma imagem que lhe era conhecida: a noite em que deixara esse segundo filho na gruta. Ele lembrava-se!
Cobriu a boca com as mãos e fugiu a correr em direcção ao rio, deixando o seu sexto bebé na caverna. Ajoelhou-se e mergulhou a cabeça na água para afogar as imagens horríveis.
Malitia Temporis!’, gritou, com água a escorrer-lhe pela barba loura. Agarrou erva com as mãos e arrancou-a num gesto desesperado. ‘Oh, Deus, perdoa-me, que eu criei monstros em teu nome!’
Serenou, pensando que tinha sido a última vez que produzira uma aberração: a receita estava apurada, sem dúvida. Apressou-se até ao sítio onde deixara o cavalo e retirou-se.
Perturbado pela visita do pai, o segundo filho emergiu lentamente da entrada da caverna e espiou o mundo pela primeira vez. Observou as coisas sem as compreender, sem as reconhecer. Sentia-se confundido por um novo tipo de imagem mental que formulara quando vira o pai dentro da gruta. Tratava-se de uma representação diferente das outras – mais abstracta.
Arrastou-se até ao rio e, debruçando-se, viu o seu reflexo na água. Permaneceu algum tempo a observá-lo, a tentar decifrar aquilo que o incomodava. Num instante, percebeu tudo com uma clareza assustadora. Perturbado pela constatação que conseguia pensar por palavras, e não apenas por imagens, ergueu-se e olhou para o céu negro. A confusão deu lugar ao medo e esse temor transformou-se em ódio: a nova espécie de imagem que o encorajara a sair da gruta não passava, afinal, de um pensamento! Um pensamento que o fazia sentir sozinho. Um pensamento que acabara de o transformar para sempre.
Não era igual ao pai

domingo, 20 de setembro de 2009

A Conspiração dos Antepassados

Neste mês comemora-se o septuagésimo nono aniversário da visita que o mago inglês Aleister Crowley fez ao poeta português Fernando Pessoa, em Lisboa. Esta ocasião lembrou-me de avisar que a edição especial do meu romance A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência, 2007), sobre esse encontro (e não só) que já teve duas edições, vai sair no primeiro semestre do próximo ano, mesmo na peugada do meu novo romance que será editado para meados de Fevereiro.

Para quem já leu A Conspiração dos Antepassados, deixo a menção que a edição especial terá algumas surpresas... Para quem ainda não leu, e deseja descobrir que motivos terão levado Aleister Crowley a encontrar-se com Fernando Pessoa, e o que é que o mito sebástico e a obra do artista renascentista português Francisco D'Ollanda têm a ver com isso, deixo um convite para que o leiam e o levem com vocês para casa (façam, pois, o download do primeiro capítulo).

Aproveito, também, para divulgar a entrevista que dei ao site O Major Reformado, de Nuno Hipólito, aquando da publicação da primeira edição do romance.

Para terminar, e para quem se interessa sobre a vida e a figura de Aleister Crowley, ficam dois excertos de uma palestra que eu dei no Fórum Fantástico (evento organizado pela Associação Épica) e que se dedica a divulgar o género Fantástico nas artes. A palestra teve como tema as ligações entre as personagens principais do romance, assim como exposições sobre temas do esoterismo português e europeu que se relacionam com a narrativa (os excertos foram filmados por Miguel Garcia).



quinta-feira, 5 de março de 2009

Back to school (com Pessoa e Poe)

Ontem fui à Escola Secundária Augusto Cabrita, no Barreiro, para falar a alunos e professores sobre o meu romance A Conspiração dos Antepassados.
Descobrir o modo como receberam o livro foi muito interessante, assim como perceber que, com efeito, se trata de um título que lhes diz bastante - a vários níveis. Foi recompensador sentir tanto entusiasmo. Agradeço à docente Natália Nunes, professora de português que me convidou, como à aluna Ana Sofia que realizou uma bem documentada apresentação, prévia à minha exposição, e que muito gostei de assistir.

Daqui a uns dias, vou regressar à escola, mais uma vez, para participar num colóquio sobre o autor Edgar Allan Poe, no âmbito do evento Poe e a Criatividade Gótica, que terá lugar entre os dias 18 e 20 deste mês na Universidade de Lisboa. Consultem a programação para ficarem a saber quais as palestras e intervenções, organizadas em órbita da obra desse autor norte-americano, em que poderão estar presentes.
Eu participarei num debate a ocorrer no dia 18, às 17H30, na Faculdade de Letras, juntamente com os escritores Hélia Correia, José Luís Peixoto, Pedro Mexia e Luís Filipe Silva.
Esta celebração do bicentenário do nascimento de Edgar Allan Poe é organizada pelo Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa (CEAUL/ULICES).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Entrevistas #1

Podem ouvir neste link a primeira parte da entrevista que dei para o programa Livros com Rum, de António Ferreira e Marie Silva (da Rádio Universitária do Minho). É mais de meia-hora de conversa, temperada por momentos musicais nos quais se pode ouvir a leitura de poemas de Fernando Pessoa.
A segunda parte é transmitida na próxima quinta-feira, às 21H00 (podem ouvir a emissão online aqui).

Também podem ouvir a entrevista que dei para o programa À Volta dos Livros, de Ana Aranha (da Antena 1). Sigam este link e ouçam o podcast disponível na lista.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo, Livros Novos

Pensei em escrever uma súmula daquilo que eu considero ser o melhor que li e vi no ano passado, mas achei que seria mais interessante anunciar que iniciei o novo ano a trabalhar num novo romance: a ler material de pesquisa e a tomar notas. Festa, álcool e passas? Sim, claro. Disciplina? Sempre.
Acho que vocês vão gostar deste livro, também. Lá para o final do ano poderão lê-lo.

Em Fevereiro, as edições Saída de Emergência vão publicar uma edição especial d'A Conspiração dos Antepassados. Fixe, não é? Fiquem atentos porque vai ter surpresas.

Entretanto, a revista Os Meus Livros escolheu Lisboa Triunfante como um dos melhores livros editados no ano passado. Daqui a uns dias divulgarei as datas de uma pequena tour promocional que irei fazer acima do Tejo, por terras mais frias, para falar sobre esse livro. Lisboa triunfará no Porto? Espero que sim.

Até já! Gosto de vos ter desse lado.