sábado, 29 de junho de 2019
Ten shorts in english
quarta-feira, 5 de julho de 2017
In Hell
I'm doubting if knowledge killed religion and pushed Western civilization to the path of scientific bliss. This may be pure historical interpretation through commonplace, an effect Arendt already warned about. Inasmuch as the hegemony of a knowledge based intelectual structure versus some religious based emotional structure, we might be seeing it all wrong, for to what extent is knowledge no more a process? In so far as we having come to terms with this process — for it is one—, it should be useful to keep in mind that in every period people thought of themselves as infinitely wiser than forerunners from past societies, which rings as a cautionary tale against the hubris of half-knowledge or, worst!, of philistinism, the crudness of pure ignorance.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Sobre liberdade e sobre silêncio
2) Compreendo a razão pela qual os anacoretas se entregavam à vida contemplativa, despojando-se de todas as superfluidades, eremicolando-se em ermos eremitágios: à medida que se vai envelhecendo, reduz-se o número de coisas de que se gosta, restando, somente, uma paixão, uma adesão tremenda a uma única fonte maior de luz, ofuscante das menoridades. Assim, tornando-se ruído o remanescente, procura-se o silêncio: o silêncio geográfico e psicogeográfico. Nenhum deserto será tão árido e nenhum despovoado tão vazio se o indivíduo que os atravessa estiver cheio.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Adoxografias
1) Aquilo que existe de mais parecido com os nomes dos conceitos dos clássicos filósofos gregos são os nomes dos dinossauros (p. ex: o aristocrático conceito aristoteliano de megalopsychos e o megalossauro, um carnívoro da subordem dos terápodes).
2) A urina dos tigres cheira, literalmente, a pipocas acabadas de fazer.
3) Apesar do que aprenderam com o filme Gladiador e com a série televisiva Spartacus, a maioria dos bromidrosos gladiadores da era do império romano não foi composta por escravos, mas por voluntários que, simplesmente, procuravam fama e dinheiro fáceis (não existiam programas como Big Brother ou Casa dos Segredos, mas a cultura de espectáculo não seria diferente). Esse era o maior factor de atracção para o público, porque decidir se um escravo deveria morrer na arena seria anticlimático para os padrões sociais da altura: a vida de um escravo não valia muito, para começar - não ofereceria dramatismo nenhum. Ainda: o sinal de que o gladiador vencido deveria morrer era dado pelo público que exibia os polegares virados para os peitos, em alusão ao golpe mortal: os polegares virados para baixo significavam que o gladiador vencedor deveria deixar cair a arma ao chão e ter misericórdia.
4) Sidónio Pais, o liripípico Presidente-Rei da Primeira República portuguesa, bebia dois litros de leite por dia.
5) A palavra chunga, usada coloquialmente para designar algo reles, barato ou ordinário, tem origem num estilo japonês de arte erótica (de inspiração chinesa) chamado Shunga, que, ao contrário do que se possa pensar, nada tinha de infame, sendo até bastante respeitável.
6) Originalmente, as cenouras eram roxas: a variedade cor-de-laranja só foi inventada no século XVII por hábeis cultivadores holandeses que quiseram homenagear Willem van Oranje (senhor do principado de Orange, no sul de França), o fundador do estado holandês. Há cerca de dez anos os ingleses tentaram reintroduzir cenouras de cor roxa no mercado, mas a iniciativa enojou o público.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Sobre os livros e a vida

É, em essência, material em bruto - e sem sentido, a não ser aquele que lhe é, mal ou bem, colocado a posteriori por quem vive. Em oposição, uma notícia editada é, se for realizada com êxito, uma peça cirúrgica sobre a vida. É algo esclarecedor, que faz pensar. Quando são bons, os livros são ainda melhores: não só têm sentido, como têm uma visão. E essa visão, se for escrita com sofisticação, com alcance, pode mudar o mundo. Por conseguinte, nós, escritores, somos (ou deveríamos ser) intermediários entre a vida, entre material em bruto, tão sujo e ineficaz quanto minério, e o papel, palimpsesto para visões refinadas como aço ou cristal na fornalha fervente da mente.
Aqueles que dizem que o conhecimento livresco é inferior ao vivido não sabem do que estão a falar: onde é que se pode aprender como morre uma estrela, numa explosão tão intensa que observá-la de perto daria a impressão de demorar séculos a fio, a não ser num livro? Onde é que se pode ver borboletas com asas feitas de pão-de-forma (já barradas com manteiga), a não ser num livro? E onde é que se pode encontrar o suposto salvador de toda a humanidade, cingido e sangrante, a não ser num livro? Basta abrir um livro para dar luz à casa.
Os livros são vida editada pelos escritores. Já a vivemos, já fomos enganados pelas suas emboscadas, e apresentamos a nossa visão sobre ela. As nossas ideias.
As ideias, claro, não existem. Não se pode tropeçar numa ideia.
Mas só elas são capazes de mudar o mundo.













