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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crítica no jornal Público a "É de Noite Que Faço as Perguntas"


Menção crítica a É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência) no jornal Público: «A partir de factos históricos da Primeira República, David Soares teceu uma história sólida e absolutamente contemporânea, desenhada a muitas mãos, com talento e inteligência. O livro É de Noite Que Faço as Perguntas sai com atraso considerável em relação à efeméride que lhe serviu de ponto de partida, mas a espera valeu a pena. Excelente obra, como é (infelizmente) raro encontrar hoje na banda desenhada portuguesa.»

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Excelente crítica a "Batalha"...


...assinada por Safaa Dib, no número dez da Revista BANG! (este número, com a versão integral desta crítica, já está disponível nas lojas FNAC):

«Há livros que conseguem atingir a virtude da universalidade nas suas narrativas. (...) E Batalha de David Soares é certamente um desses livros (...) David Soares tem provado ser uma das vozes portuguesas mais autênticas não só do género fantástico, mas de toda a literatura portuguesa (...) este pequeno maravilhoso romance de David Soares guia-nos das trevas para a luz, ensinando ao leitor a mais valiosa lição de todas: o que fica sempre é a Obra, a Dádiva.»

Excelente crítica a "Batalha"...


terça-feira, 5 de abril de 2011

A Amarelidade do Amarelo


O título do meu comentário sobre o livro Moby-Duck, de Donovan Hohn (Viking Press, 2011) refere-se ao capítulo quarenta e dois do romance Moby Dick, de Herman Melville, intitulado The Whiteness of the Whale - uma das minhas peças literárias preferidas, na qual Melville ensaia com mestria sobre as qualidades mais sinistras da cor branca, num rol de referências mitotémicas muito bem feito. Se a brancalidade da cor branca do cachalote perseguido por Ahab encerra, na mente do desesperado, mas temerário Ismael, uma série de ideias funestas que se apresentam como notas hariólicas sobre o destino da viagem amaldiçoada do baleeiro Pequod, então a amarelidade da cor amarela dos patos de plástico perseguidos por Hohn, também emite uma qualidade quasi-mítica, mas que comunica com um conjunto de valores positivos. É o próprio Hohn que, a dada altura, na página 224 do quinto capítulo de Moby-Duck discorre com propriedade sobre o porquê dessa amarelidade - e, também, sobre a origem do pato de borracha (ou plástico) enquanto brinquedo e enquanto símbolo cultural. A exposição destas ideias fecha com elegância uma parte importante da investigação (mas não a provação final) do jornalista: a visita à fábrica chinesa onde os patos foram produzidos. Patos que, em 1992, na companhia de castores vermelhos, rãs verdes e tartarugas azuis, compondo um total de 28 800 bicharocos de plástico, caíram de um cargueiro no Oceano Pacífico quando a embarcação navegava em direcção aos Estados Unidos. Durante mais de uma década, os Friendly Floaties, como a imprensa lhes chamou, circularam pelas águas agitadas do Pacífico, dando à costa nos locais mais inesperados, como as praias do Havaí, a costa do Alasca e a do estado norte-americano do Maine, o que significa que as quatro variedades de amiguinhos flutuantes foram capazes de contornar as passagens tempestuosas do Ártico até chegarem ao Oceano Atlântico. A viagem dos brinquedos pelos oceanos capturou as imaginações do público e dos oceanógrafos da altura e, passados pouco mais de dez anos, a de Hohn, que se despediu do emprego como professor para se tornar o cronista destes peregrinos acidentais: Ahab e Ismael, em simultâneo.

Moby-Duck é um triunfo.
É um genuíno e belíssimo trabalho de jornalismo de investigação, sem pretensões a ser lido como um romance ou coisa análoga, escrito com muita inteligência e coração. Com efeito, não há nada, mas mesmo nada, em Moby-Duck que seja mau, pedante, tíbio, afectado, preguiçoso, mal-intencionado ou cínico. Consiste num livro rigoroso, no que diz respeito ao discurso científico - sem alegorias ou facilitismos baratos que tornem simplório o fascinante conteúdo técnico - sobre a manufactura das criaturinhas plásticas, sobre a odisseia oceanográfica através dos tempos e sobre a análise da poluição dos mares; e, ao mesmo tempo, no modo autêntico, liberto de tiques de vedetismo, como Hohn expõe a sua trajectória pessoal e a dos seus comparsas honorários na busca pela verdadeira história dos Friendly Floaties, invocando autores como Melville e Conrad, entre outros, é capaz de oferecer um cunho poético à investigação, ancorada em incursões históricas por clássicos mitos teriomórficos, pelo contemporâneo glamour da publicidade comercial e, sobretudo, por uma prosa cuidada, assinalada em apontamentos de grande delicadeza.

Merecendo todos os elogios que eu lhe posso dar, Moby-Duck é, já nesta altura do ano, uma das minhas melhores leituras de 2011 - e o facto de vir a ser, sem dúvida, uma das melhores prosas de 2011, ainda por cima escrita não pelas mãos de um romancista, mas pelas de um jornalista, só reforça o carácter exótico que o livro inegavelmente possui.
De quando em quando há livros assim: que aparecem do nada, que nem um pato de plástico trazido pelas ondas. Ou, como escreve Hohn sobre uma gaivota boiando no breu, «Out beyond the edge of light, a glaucous gull floated contentedly on a swell, a white dot of sentience in the icy dark».
Moby-Duck é uma luz que boia brilhante no meio da mediania parda que é publicada todos os dias: mas uma luz amarela. E essa amarelidade, acreditem, é linda.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Debaixo do Domo

As 877 páginas de Under the Dome, de Stephen King, acabam por ser poucas para contar uma história que tem muito para oferecer.
A premissa é elegante: a cidade de Chester's Mill vê-se, de um momento para o outro, coberta por uma redoma invisível e indestrutível.
Quem a ergueu?
Qual é o objectivo?
As personagens não sabem. Porém, algumas são capazes de adivinhar. E o leitor, se pensar um bocadinho, também será.
O início e o desenvolvimento do livro são interessantes, pontuados por pormenores muitíssimo realistas de caracterização de personagens e de ambientes, embora a prosa - simples, mas não simplória - pejada de referências à cultura popular norte-americana, não se apresente muito "sofisticada" aos olhos de um leitor europeu. Contudo, do meio para o fim, Under the Dome ganha uma força tremenda e cresce imenso, dando-nos a ler, de certeza, uma das catástrofes mais violentas que já foram imaginadas na literatura.
O romance beneficiaria de uma revisão mais atenta, mesmo assim, que evitasse algumas incongruências (o cão Horace é chamado de Hector durante umas páginas, por exemplo) e linhas de raciocínio que, acho eu, devem ter permanecido de certas partes entretanto suprimidas pelo autor, aquando da preparação da versão final. Ademais, não deixa de ser inesperado que um romance tão grande tenha um ritmo tão acelerado e eu acho que isso também acaba por prejudicar Under the Dome, porque certos pormenores, como os efeitos a médio prazo que a cúpula invisível opera na cidade e região florestal limítrofe, mereciam mais atenção. De maneira geral, King está mais interessado em analisar o comportamento dos indivíduos, levado ao extremo por esta circunstância extraordinária, que em especular sobre a origem e a razão do surgimento da cúpula - embora elas sejam apresentadas e explicadas.
Under the Dome poderia muito bem ser um argumento para um episódio da série televisiva Twilight Zone, imaginado por uma consciência traumatizada pelos contemporâneos atentados terroristas, mas, embora possa ser lido como uma alegoria aos Estados Unidos quando governados pela administração do anterior presidente, é muito mais uma reflexão sobre o mal que os homens são capazes de fazer quando, de repente, se vêem sem restrições. Se a ideia principal por trás dos crimes de Mr. Griffin, em The Invisible Man de H. G. Wells, é a de que somos capazes de fazer tudo quando já não temos que nos encarar ao espelho, a ideia principal de Under the Dome é a de que somos capazes de fazer tudo quando já não temos que sair de nós próprios - quando o simples acto de comunicar com o outro se tornou obsoleto. É, também, uma obra muito mais lúcida e honesta que outras que tocaram em alguns dos mesmos botões, como a série televisiva Lost, por exemplo, para invocar um título mediático. Só que em Under the Dome cada homem é que é uma ilha; o que daria, sem dúvida, que pensar a John Donne.

Uma adenda: Apesar do título, o misterioso campo de forças que isola Chester's Mill não é uma cúpula, mas um invólucro completo, já que o subsolo da cidade também se encontra under the dome.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Duas críticas de leitores a...





Novos leitores descobrem estes romances e deixam-se encantar.
No próximo mês de Setembro, A Conspiração dos Antepassados fará quatro anos de publicação, num período de vida que conta com três edições, uma das quais prefaciada por António de Macedo, o que é uma honra.

E neste primeiro semestre, pelas edições Saída de Emergência, será editado o meu novo romance.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"O Evangelho do Enforcado" nos 'tops' de 2010 #2


O Evangelho do Enforcado (Saída de Emergência) continua a marcar presença nos tops que reúnem os melhores livros publicados em 2010.

Tops da crítica

PNET Literatura: Desenvolvendo as razões pelas quais escolheu os títulos que apresentou no seu weblog A Qualidade do Silêncio, o crítico Pedro Teixeira Neves escreve:
«Ofensa seria não referir (como muito boa e respeitada crítica não referiu) O Evangelho do Enforcado, de David Soares. Imaginação, história, bem escrever, muita emoção, eis um grande romance no chamado domínio do fantástico. A ler, a ler, a ler, sem qualquer preconceito de género. Deixe-se de ir pelo rebanho dos tops, insisto.»

Tops dos leitores

Lydo e Opinado: O leitor Tiago escolhe O Evangelho do Enforcado como o melhor livro português que leu em 2010 e sobre ele escreve o seguinte:
«A melhor leitura que tive de um autor português este ano. O romance histórico/ fantasia /terror passado na Lisboa Medieval, com todo um pano negro envolvendo os cenários, as personagens, as texturas das ruas e os cheiros fétidos... Não sabia que se escrevia fantasia a um nível tão avançado em Portugal. Detalhes meticulosos, pesquisa louvável, um sentido mórbido que não serve para o estômago de qualquer leitor, e uma re-invenção/interpretação histórica muito interessante, que deixam questões no ar. David Soares surpreendeu-me com força, abanou-me os ombros, e proporcionou-me uma leitura excelente.»

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Da luz nasce a sombra


Excelente crítica a A Luz Miserável (Saída de Emergência), escrita por João Morales na revista Os Meus Livros deste mês:

Da Luz Nasce a Sombra

De 0 a 5: 4
Prós: A escrita apurada, a capacidade de incorporar questões éticas por entre o horror.
Contras: O primeiro conto mostra-se mais frágil.

Três contos unidos pelas características da escrita deste autor - referências escatológicas, fantasia negra, algum fundo moral mais ou menos distorcido até se tornar (quase) irreconhecível, uma escrita cuidada.
Saltando a primeira história (uma narrativa sobre uma vidente que convoca "os elementais", seres de luz, e um homem quase invisível), enfraquecida por uma certa tonalidade new age, entremos nas duas seguintes, francamente bem conseguidas.
A Luz Miserável fala-nos de três antigos combatentes, Fortunato (acamado num hospital), Ranulfo (administrador de um predio) e Bartolomeu (que encontrou a salvação tornando-se num cruel sádico, para arrecadar almas), que temem em conjunto a chegada de um feiticeiro negro.
Depois conheça o Rei Assobio, um conto a fazer lembrar as histórias de arrepiar contadas à lareira, com laivos de ruralidade, preceitos ancestrais e reminiscências de Moby Dick. Temos Bicheiro, rapaz de 14 anos que frequenta bordéis, Bandido, Guiga e Cupim, atraídos por Rei Assobio (antes conhecido como Emílio Ensino) e ensinamentos sábios. «Andam muitas coisas por aí. Umas boas e algumas más. Mas a maioria são coisas boas», diz a mãe de Ensino.
Apenas a maioria, como ela bem frisou...

Um 'top ten' dos melhores livros de horror publicados em Portugal em 2010