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quinta-feira, 23 de março de 2017

500 anos de Holanda e 10 de Conspiração

 
Neste ano assinalar-se-á (em Setembro) o quingentésimo aniversário do artista e humanista português Francisco de Holanda: para celebrar a efeméride, o Museu do Dinheiro, em Lisboa, inaugurará a 5 de Abril uma exposição intitulada Francisco D'Holanda: Desejo, Desígnio e Desenho (1517-2017), dedicada à vida e obra desta figura cimeira do Renascimento. De igual maneira, neste ano assinalar-se-ão (também em Setembro) dez anos da publicação do meu romance A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência), no qual a obra e vida de Francisco de Holanda é um dos temas principais: na foto, observe-se na capa da primeira edição do romance a configuração do Louva-a-Deus pintado por Holanda no frontispício do seu livro Imagens das Idades do Mundo (motivo que, sabe quem leu, é de vital importância para todo o edifício narrativo). Assim, gostaria de operar algo especial para assinalar a dupla efeméride, de molde que irei pensar sobre em que poderá consistir essa celebração. Entretanto, convido-vos à (re)descoberta da obra de Holanda e de A Conspiração dos Antepassados.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sobre Camões - no dia dele



Na data que se convencionou ser a da morte do poeta Luís de Camões (cujo dia e ano ainda não foram apurados com rigor) - e que, também por convenção, começando em 1910, modificando-se em 1933 e, em principal, em 1978, se celebra o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas -, não resisto a recordar uma trova satírica que Camões compôs para escarnecer de D. António de Castro, senhor da vila de Cascais, depois de este lhe ter faltado ao prometido.

Esclarece Hernâni Cidade, nas notas que escreveu para o primeiro volume das obras completas de Camões (Livraria Sá da Costa, 1972), que, certo dia, Castro pediu a Camões que lhe redigisse uns versos e prometeu que os pagaria com meia-dúzia de galinhas recheadas. Vivendo sempre em condições precárias, o poeta aceitou a combinação, mas, no final, o senhor de Cascais pagou-lhe apenas com meio-frango. Sem perder o sentido de humor, Camões satirizou-o nestes versos que ficaram célebres: «cinco galinhas e meia / deve o senhor de Cascais, / e a meia vinha cheia / de apetite para mais».

A pobreza de Camões é um assunto "polémico", com diversos pontos de vista antagónicos a discorrer sobre ele, mas, tudo somado, pode avançar-se com a hipótese segura de que estaria, evidentemente, mais perto da penúria do que do pecúlio; logo, oferecendo uma severa dimensão trágica ao picaresco apontamento que aqui publico para convidar à reflexão neste Dia de Camões.

Imagem: cópia de Luís de Resende de um retrato de Camões feito por Fernão Gomes (algures entre 1573 e 1575), considerado o único retrato fidedigno, pois pintado em vida do poeta.

Coda: quanto ao apelido Camões, ele entra no nosso léxico, no século XIV, com Vasco Pires de Camões, um nobre galego que se refugiou em Portugal. Foi, provavelmente, o bisavô de Luís Vaz de Camões.
A etimologia do apelido talvez se relacione com uma freguesia galega chamada Santa Eulália de Camós, pronunciada camones pelos populares, o que reproduz a sua grafia medieval ducentista. Também não se pode ignorar-se o nome hispânico calamón, do qual deriva o catalão galmon e o nosso camão: todos nomes para o galeirão comum, ave aquática, aparentada com a abetarda, que habita junto aos rios. Ainda no século XVIII se dizia camão em vez de galeirão; não obstante a palavra galeirão existir desde o século XIII, sem dúvida com outro significado.
Resta esclarecer que camões ainda ganhou o significado de zarolho, por culpa do acidente que feriu um dos olhos do poeta: acidente que consistiu no disparo aziago de um estilhaço de uma peça de artilharia - quase de certeza, um pequeno canhão, embora se especule quanto às circunstâncias do acidente: se no Norte de África ou em Lisboa.
O dia 10 de Junho ainda foi durante muito tempo chamado de Dia de São Camões.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Os dois Nicolaus


Hoje, 10 de Julho, assinala-se a coincidência de duas efemérides importantes, relacionadas com dois Nicolaus: Nicolau Coelho e Nikola Tesla.

O primeiro Nicolau (1460-1504), comandante da caravela Bérrio, da primeira armada de Vasco da Gama, chegou a Lisboa no dia 10 de Julho de 1499, vindo da Índia, com as novas da descoberta da Rota do Cabo: evento que mudaria totalmente a morfologia comercial e política da Europa quinhentista, transformando um mundo paroquial, ainda centrado em mecânicas adjacentes ao Mar Mediterrâneo, num mundo global, virado, em definitivo, para o Oceano Atlântico.

O segundo Nicolau (1856-1943), inventor sérvio que nasceu a 10 de Julho, criou a corrente eléctrica alternada (polifásica), lavrando o terreno para o nascimento do século XX tecnológico. De certa forma, ambos ajudaram a ligar partes desavindas do mundo -- e Tesla chegou, ainda no seu tempo, a pensar na possibilidade de desenvolver de modo prático aparelhos audiovisuais portáteis de comunicações sem fios (os smartphones contemporâneos).

Ainda existirão indivíduos capazes de cobrir o Sol com as envergaduras das suas silhuetas: temos é de deixar de olhar para o chão para conseguirmos vê-las.
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Morto há cem anos: Barão Corvo


No próximo dia 25 deste mês far-se-ão cem anos desde a morte de Frederick Rolfe, o autodenominado Barão Corvo, um dos meus heróis literários e um dos mais extraordinários ourives de palavras que já existiram. Será, infelizmente, uma efeméride que passará despercebida, porque Rolfe é um escritor desconhecido pela maioria, somente lido e apreciado por um grupo (muito) restrito de conhecedores. Rolfe morreu pobre, numa altura em que vivia nas ruas de Veneza, e encontra-se sepultado no cemitério da pequena ilha de San Michele. Já escrevi várias vezes sobre a minha admiração por este autor (nesta ligação, por exemplo), que, mesmo sem tecto e possuindo apenas a roupa que trazia vestida, nunca deixou de escrever e ainda foi capaz de deixar completo um último romance antes de perecer (The Desire and Pursuit of the Whole). Poucos anos após a morte, o Barão Corvo quase caiu no esquecimento, mas é com alegria que declaro que faço parte dos leitores pertinazes que não deixam morrer a sua obra. Por conseguinte, prometo escrever algo especial para celebrar o centenário da morte de Corvo no próximo dia 25.