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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vencedor do passatempo "Batalha: Perguntas e Respostas"

O passatempo Batalha: Perguntas & Respostas foi um sucesso: recebi quase cinquenta perguntas e, como é óbvio, tive de escolher algumas das mais interessantes para o vídeo com a entrevista que publicarei entre hoje e amanhã. Agradeço a participação de todos os leitores que enviaram as suas questões. Fica a promessa de que esta será uma iniciativa a repetir num futuro próximo.

O vencedor deste passatempo (sorteado entre os autores das perguntas escolhidas para o vídeo) é o leitor Miguel Leal: Parabéns!

A entrevista em vídeo com as vossas perguntas será publicada nas próximas horas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vinte páginas de "Batalha" disponíveis para leitura



«Uma fábula não só de alegorias, mas sobretudo de humanização, sensibilidade e inteligência; tem cenas muito comoventes a par de outras muito duras, tudo doseado com a arte de quem conhece os segredos da matéria alquímica que é a linguagem falada. Todo o romance é um espectáculo envolvente e remata com chave de ouro com um final devastador, um final maravilhoso no melhor sentido da palavra.»
António de Macedo (escritor e cineasta)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Batalha": esta sexta-feira nas livrarias


Batalha (Saída de Emergência), o meu novo romance, chega às livrarias na próxima sexta-feira.

Tal como a sinopse anuncia, consiste num romance em que o fenómeno religioso é observado pelo ponto de vista dos animais. Além disso, é um romance hermético, alquímico, e, em muitos pontos, uma alegoria maçónica que se inscreve na minha reflexão sobre esses temas que tenho vindo a desenvolver nos meus trabalhos anteriores.

Batalha é, também, um romance sobre linguagem: um romance de palavras, em que as palavras têm, de facto, importância.
É um livro do qual me orgulho imenso. Descubram-no, a partir da próxima sexta-feira.
Com ilustrações do artista Daniel Silvestre Silva.
«Tal como a rancidez se regozija com o ar desprotegido, também a nudez vulnerável é o estado espontâneo da cópula. Nus, todos os bichos são lesáveis e a vulva é uma mitene que só cobre o pénis, deixando o resto do corpo ao capricho do contágio — neurotomias naturais que a todos deixam indefesos. A reprodução é regular, sem sobressaltos, como uma colónia de fungos rompendo a casca grossa dos carvalhos; e, em jeito de alcalóide amanitário, o amor escorre pelos troncos cerebrais abaixo, como vinho entornado: o símbolo universal da alegria, da sorte. O sal desperdiçado, símbolo universal da tristeza, do azar, somos nós todos, nos começos das nossas vidas: brutos, informes, impuros, sem o conhecimento das relações sensuais e da morte. Precisamos, por isso, de ser ungidos, purificados e diluídos com vinho — com sexo e deterioração — de modo a crescer, a amadurecer, a salinar. Só então podemos ambicionar a ser completos, adultos, mas Batalha, repudiando a oferta de Caldaça, estaria sempre perdido, como um infante anquilosado ao crisol, ao colo do útero. Conjuctio do macho e da fêmea — estado principal da Grande Obra, na qual toda a gente participa ou assiste — que gera a Luz: fetos incandescentes, sangrantes e vermelhos como o Sol, que choram e, com esse plangente anúncio, dão início à contagem do tempo — dos seus tempos, porque não existem outros.
O tempo é apanágio da matéria viva — os mortos não precisam dele.
Os mortos não precisam de nada.
E, por mais que fingisse estar morto, no interior do profundo buraco acabado de escavar, com a intenção de ser a sua sepultura, Batalha podia sentir a vida que ainda lhe pulsava no pénis turgescente, nas veias urziformes e na língua ressequida.
Do que é que precisava?»

Fernando Pessoa e Aleister Crowley discutem a Batalha de Alcácer-Quibir


«'Sim, lembro-me do poema que me enviou: Louco, sim, louco, porque quis grandeza. Caro Pessoa, se não soubesse o que sei até concordava consigo, não duvide.'
'Sou todo ouvidos.'
'Toda a informação que encontrei sobre D. Sebastião é factual, como lhe disse, contudo os factos servem a imaginação, se o observador for criativo na interpretação. Não vou discorrer sobre todos os pontos que me levaram à conclusão que lhe vou apresentar. A verdade é... bom, como dizê-lo? Já viu alguma vez o terreno de Alcácer-Quibir?'
'Não. Nunca estive no Norte de África, como lhe disse.'
'Muito bem, então eu descrevo-lhe. É um buraco. É um autêntico buraco.'
'Como?'
'Um funil de pedra e areia do qual apenas com muito esforço um exército conseguiria sair vitorioso depois de ser cercado como foi o português. Ouça: o próprio Sebastião viajou extensivamente em busca de um local ideal para a batalha onde desafiaria o rei Maluco. Foi ele quem quis a guerra e não o Maluco; rejeitou todas as tentativas de diplomacia intentadas por ele e pelo seu tio, Filipe II de Espanha. Foi ele quem escolheu o terreno de Alcácer-Quibir. Só ele e mais ninguém.'
'Sim, era obstinado, teimoso.'
'E onde acaba a teimosia e começa a loucura, senhor Pessoa? Oh, este louco quis grandeza, sim, mas não aquela que o senhor pensa! No dia da batalha, D. Sebastião anunciou que só iria combater à tarde e foi um capitão, um soldado espanhol chamado Aldana, que o fez mudar de ideias.'
'Sim, mas há quem diga que foi mesmo por causa dessa decisão que a batalha foi perdida. Não tiveram tempo para se preparar.'
'Qual tempo, senhor Pessoa! Começada a batalha, D. Sebastião esqueceu-se de emitir a ordem de combate. Esqueceu-se? Como é que isso é possível? Terá pensado que estava num salão de baile à espera que o convidassem para dançar? Uma ilusão difícil de visualizar com toda a gritaria, o pó e o relinchar de cavalos. A impavidez obrigou o Duque de Aveiro e D. Duarte de Meneses, mais os combatentes dos terços, a agir por conta própria. Em poucos minutos, a batalha transformou-se num massacre. Dentro de um buraco, senhor Pessoa, quando a saída está tapada, só há uma fuga possível: para baixo!'
'Está a dizer que ele foi um péssimo estratega, que não sabia comandar. Que era estúpido ou atrasado mental como lhe chamou o escritor António Sérgio.'
'Pelo contrário, senhor Pessoa! Pelo contrário. O homem foi um génio! Um génio da estratégia, frio e calculista. Veja o meu braço! Até estou com pele de galinha.' Arregaçou a manga da camisa e mostrou-lhe.
'Senhor Crowley!', disse Pessoa, surpreendido. 'Que se passa?'
'Estou excitado! Excitado por pensar no génio de tudo aquilo. Na audácia! Na coragem!'
'Pensei que a sua opinião era outra.'
'Ainda não percebeu? D. Sebastião escolheu Alcácer-Quibir porque o terreno era um buraco. Ele reuniu um exército mal treinado. Ele obrigou esse exército a dar uma volta enorme desde Portugal até ao local da contenda em África, ignorando o caminho mais curto que, ainda por cima, era o mais seguro, esgotando as energias dos soldados sem necessidade nenhuma. Ele quis adiar o combate para a tarde, como lhe sugeriu o xerife berbere caído em desgraça, uma ideia que, a ser realizada, iria dar tempo precioso ao adversário. Estas coisas, senhor Pessoa, as coisas que ele fez... Não se fazem! Lembra-se do xadrez? Para ganhar uma partida de xadrez é preciso ser-se objectivo. Ser-se objectivo! é muito simples.'
'Está a querer dizer que ele queria perder a batalha? É diabólico!'
'É genial! O homem queria perder! Ele estudou tudo ao pormenor para perder. Quando se percebe isso, a sua estratégia torna-se brilhante.'
'Mas porquê perder? Acho essa conclusão infame. Que tinha ele a ganhar com isso?'
'Para se encaixar ele mesmo nas profecias do Encoberto? Aquelas que contam como o rei é derrotado em batalha contra o inimigo para andar perdido durante uns anos antes do regresso triunfal?'
'Medonho! Acredita mesmo nisso?'
'Claro que não! Acha que um homem que estuda e planeia uma derrota destas com anos de antecedência ia confiar na sorte? O objectivo dele foi outro, senhor Pessoa. Muito mais medonho!'
'Qual?'
'A derrota em Alcácer-Quibir foi um sacrifício de sangue para carregar de energia mágica um poderoso encantamento!'»

Excerto do meu romance A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência, 2007), sobre o encontro de Fernando Pessoa com Aleister Crowley. Parabéns, Fernando! Até um dia destes.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Passatempo Batalha - Perguntas & Respostas


No dia 17 de Junho, Batalha (Saída de Emergência), o meu novo romance, chega às livrarias.

Para assinalar a ocasião, lembrei-me de convidar os meus leitores para uma iniciativa de Perguntas & Respostas. As perguntas podem ser sobre o que quiserem: sobre Batalha ou sobre o meu trabalho, em geral.

Até ao próximo dia 8 de Junho, enviem as vossas perguntas para o email cadernosdedaath (at) gmail.com.
Irei responder às perguntas mais interessantes num vídeo que disponibilizarei no dia 17 de Junho.

Entre os autores das perguntas seleccionadas para o vídeo, irei sortear um participante para receber um exemplar autografado de Batalha. Por isso, sejam criativos.

sábado, 28 de maio de 2011

"Batalha": opinião de António de Macedo


Opinião do cineasta e escritor António de Macedo:

«Uma fábula não só de alegorias, mas sobretudo de humanização, sensibilidade e inteligência; tem cenas muito comoventes a par de outras muito duras, tudo doseado com a arte de quem conhece os segredos da matéria alquímica que é a linguagem falada. Todo o romance é um espectáculo envolvente e remata com chave de ouro com um final devastador, um final maravilhoso no melhor sentido da palavra.»

Batalha (Saída de Emergência) chega às livrarias no dia 17 de Junho.

domingo, 8 de maio de 2011

Pré-Apresentação de "Batalha" na 81ª Feira do Livro de Lisboa


A pré-apresentação de Batalha (Saída de Emergência) ontem na 81ª Feira do Livro foi um verdadeiro sucesso! Eu e o artista Daniel Silvestre da Silva agradecemos às dezenas de leitores que apareceram e desejamos que gostem do romance e das ilustrações.



Fotos de Gisela Monteiro.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

"Batalha" e "O Pequeno Deus Cego"


Amanhã é o dia em que apresento o romance Batalha (Saída de Emergência) e faço a antevisão do álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books).



Batalha será apresentado às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, no stand da Saída de Emergência. Comigo, estará o artista Daniel Silvestre da Silva, que desenhou as ilustrações do romance. Batalha é um romance assumidamente hermético que reflecte sobre o fenómeno religioso a partir do ponto de vista dos animais. É o meu livro preferido e é uma felicidade enorme apresentá-lo.

O Pequeno Deus Cego, desenhado e colorido por Pedro Serpa, é uma história alegórica, passada no período feudal da China, sobre uma misteriosa personagem que pode muito bem ser um pequeno deus sobre a terra. Simbólica, é uma banda desenhada que será publicada ainda este ano pela Kingpin Books e cuja antevisão de amanhã, às 14H00, ocorrerá no âmbito do festival Anicomics, criado e organizado por Mário Freitas, também editor da Kingpin Books.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Batalha": ilustração


«Tranquilos, como inflorescências imperturbáveis do corpo nocturno, pares de borboletas bailavam naquele palco semimorto, vestidas com mais nada a não ser luar e pó estelar.
Pintados de púrpura, amarelo e azul, os insectos iridisciam o lado contrário do espectro, como um arco-íris virado do avesso.»

Uma belíssima ilustração que o artista Daniel Silvestre da Silva desenhou para o meu novo romance Batalha (Saída de Emergência). Consiste num romance sobre o fenómeno religioso, observado pelo ponto de vista dos animais. É, também, um romance hermético e alegórico.

A pré-apresentação de Batalha será no próximo dia 7 de Maio, às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, no stand da Saída de Emergência. Com a minha presença e a do ilustrador.

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Batalha": excerto

«O velho mestre acreditava em valores como o trabalho, como o sacrifício, mas eles não. O velho mestre achava que todas as obras precisavam de ser perfeitas e que se devia almejar a excelência em tudo o que se fazia, por mais humilde que a obra fosse, mas eles não. Eles odiavam o velho arquitecto, porque não eram, nem nunca seriam capazes de ser como ele. Invejavam a sua mais radiante obra-mestra, porque nunca seriam capazes de criar algo tão admirável. Eram homens inferiores — gente cuja imaginação ao serviço do efémero e do superficial não valia um escarro. E como não eram capazes de imaginar, de criar, de construir, viravam-se para o escárnio, para o aviltamento, para a destruição — talvez até acreditando, por força do hábito ou por pura inclinação para o mal, que eram coisas boas. Alimentavam-se uns aos outros, protegiam-se uns aos outros, sempre promovendo uma igualdade infame entre eles: infame e félea, porque não era motivada pela justiça, mas pelo medo absoluto de se descobrir que não se era bom o suficiente.
Se dependesse desses homens, não existiriam flores no mundo, pensou Batalha. Apenas ervas-daninhas
A pré-apresentação de Batalha, o meu novo romance, será no próximo dia 7 de Maio, às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, no stand da Saída de Emergência. Com a minha presença e a do ilustrador Daniel Silvestre da Silva.

Imagem: São Onofre, Giovanni Battista Caracciolo (1625).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Batalha": uma ilustração


«Foi num dia nem muito curto nem muito comprido que Brancaflor e Calcaterra descobriram uma coisa estranha num sítio familiar.»

Esta é uma das belíssimas ilustrações que Daniel Silvestre da Silva desenhou para o meu novo romance Batalha (Saída de Emergência). Descubram-nas no próximo dia 7, às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa: pré-apresentação de Batalha, comigo e com o ilustrador, no stand da Saída de Emergência.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Batalha": Sinopse e novo excerto


«Só os animais sabem como os homens devem falar.

Uma ratazana ateia.
Uma porca piedosa.
Um arquitecto agnóstico.
Uma fábula fascinante.

Em Batalha, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor. Imperdível.»

«Ocultando-se dos olhares dos indivíduos, foi admirando a disposição das casas e dos objectos e achou que aquele sítio não era diferente da quinta. A multiplicidade de cheiros era estonteante, mas uma azeda fragrância cerealífera, que permeava tudo, era o dominante, secundada por um desagradável odor metálico.
(...) Quasi-reptante, e resguardado pelas sombras das paredes de pedra das casas, Batalha também sentiu cheiros felinos, mas não viu gatos nenhuns; então, no centro da aldeia, viu dois homens pendurados pelos pescoços, por gramalheiras, num pelourinho de pedra plutónica.
As faces escoriadas pela erosão cadaverina deixavam-lhes os ossos à mostra; e os seus dentes arreganhados e alcalinos, que lhes emprestavam ares de animais granívoros, pareciam feitos do mesmo granito do pilar pendulifloro. Havia um terceiro homem, ao pé deles, mas suspenso pelo tórax e ainda vivo. Era este que meia-dúzia de gente insultava e atirava vegetais apodrecidos, num efusivo avesso de aclamação; os outros balouçavam com boçalidade, só com as moscas como companhia.
(...) A somar àquilo que Batalha já aprendera sobre a morte, vinha o conhecimento de que ela era vaidosa e exigia jóias novas a todas as horas: ouropéis ossiculares, pingentes de polpa, medalhões morbíficos, cadáveres cristalóides — peças preciosas para estimular emulação nos espectadores das execuções: o seu público preferido — os seus idólatras impecáveis e incansáveis. E, no entanto, no meio da morte, a vida também vicejava: bebés riam nos colos das mães, os pássaros cantavam nos telhados das casas e os insectos zumbiam, num zunzum bem-humorado, enquanto sugavam os sucos naturais das flores, frutos e falecidos.»

Batalha, o meu novo romance, é editado pela Saída de Emergência e estará disponível na 81ª Feira do Livro de Lisboa, numa pré-venda exclusiva, no dia 7 de Maio, às 17H00. Com a minha presença e a do ilustrador Daniel Silvestre da Silva.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

"Batalha": pré-apresentação na 81ª Feira do Livro de Lisboa


No próximo dia 7 de Maio, às 17H00, estarei na 81ª Feira do Livro de Lisboa para apresentar e assinar exemplares do meu novo romance Batalha (Saída de Emergência).
Ao meu lado estará o artista Daniel Silvestre da Silva, cujos desenhos ilustram a narrativa.

Batalha é um romance de literatura fantástica, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais. É, também, um romance hermético e alegórico.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"BATALHA" - pré-venda na 81ª Feira do Livro de Lisboa


«A primeira vez que Batalha viu uma caveira, pensou que fosse um desvairamento, estimulado pela febre que sentia; pois que frenesi da Natureza, ou até dos próprios Pais do Mundo, teria gerado algo tão invulgar?
(...) durante esse caminho tortuoso, ao longo de túneis apertados, (...) viu as relíquias da corrupção humana que, entre a terra, observavam como sentinelas os roedores peregrinos. Sem nenhum conhecimento das hierarquias que regiam a sociedade dos homens, Batalha não sabia que os ossos que encontrava, alguns interpostos em esqueletos mais ou menos intactos, outros desbaratados pelos ínfimos movimentos da terra, mas todos tapados por trapos, tinham servido de sustentáculo às carnes mais afortunadas, em oposição aos ossos dos pobres, inumados numa vala vizinha.
A caveira que o impressionou, desdentada e pintalgada de pretidão, retinha uma imperturbável atitude altiva — era um génio subterrâneo, que guardava a passagem com um sinal de sobranceria, de displicência. Teias de linho, miscigenadas com filigranas fungongóricas, amarravam-na à terra humedecida e, no seu interior, observável através das órbitas ocas, encontravam-se excedentes cefalóides: um forro feito de antigualhas, agora fossilformes.
Acometido de febre (...) Batalha perdeu a consciência enquanto passava à frente dessa caveira, esse ex-homem; e, num derradeiro instante de lucidez, antes de descair para as profundezas piréticas (...) pensou que, com efeito, todos os homens — e todos os bichos — eram feitos de pedra, por dentro.
Vive-se para sonhar, para ver as maravilhas do mundo, para amar, e é para isso que a carne serve, mas, no final, quando a carne se estraga, volta-se a ser a pedra que se foi no início — a pedra honesta que, apesar da carne e dos anos, subsiste. Nada era mais rudimentar que essa pedra. Nada era mais tosco.
Mas também nada era mais verdadeiro.
Mais ético.»
Um excerto do meu novo romance Batalha (Saída de Emergência).
Daqui a um mês, no dia 7 de Maio, estarei presente no stand das edições Saída de Emergência, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, para assinar exemplares deste título numa pré-venda exclusiva, antes do livro ser distribuído pelas livrarias. Uma oportunidade única para quem quiser estar entre os primeiros a lerem o meu novo romance.

Mais pormenores, em breve.
(Nesta ligação podem consultar o horário de funcionamento e localização dos stands da Saída de Emergência.)

sábado, 5 de março de 2011

Spoken Word

Descobri que uma das leitoras presentes no Café Com Letras, do passado dia 3 de Março, gravou parte da conversa que tive com Carlos Vaz Marques e disponibilizou-a online.
Consiste num excerto em que se fala, de modo directo, sobre o Horror e o Fantástico, que, entre outros temas, serviram de mote a uma excelente conversa.


Obrigado, Smobile.