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terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Polémica de vãos de escadas
Os comentários que ouço e leio pela comunicação social e pela Internet influenciam-me a conjecturar que, de facto, pouca gente conhecia o poema Ode Triunfal do heterónimo Álvaro de Campos, criado por Fernando Pessoa, tais os niveis de estupefacção e indignação pela revelação que contém passagens algo heterodoxas.
Ora, Álvaro de Campos é o avatar pessoano de um estilo que se quer Futurista, logo muitíssimo severo para com a sociedade que a Europa herdou do século XIX, inspirando essa crítica violenta da sociedade urbana — cosmopolita, considerada imoral na sua atomização do indivíduo (o que é Kafka, senão uma espécie de futurista niilista?) — as de outros movimentos posteriores, de aspectos análogos, como o Dadaísmo, surgido em meados da Primeira Grande Guerra. Todavia, se o Dadaísmo enfatizava — e se opunha — ao absurdo e horror dessa guerra massificada, industrializada, o Futurismo abraçara a velocidade, a indústria e a violência como ferramentas revolucionárias que iriam esboroar uma ordem social liberal, considerada decadente. Já em 1909, Marinetti, pai do Futurismo, cantava no seu Manifesto que o ruído de um automóvel a correr ou os disparos de uma metralhadora eram mais belos e pertinentes que a Vitória de Samotrácia. Daí que as putas, mais as meninas que masturbam homens de aspecto decente em vãos de escada de Ode Triunfal, são como que lâminas nas quais se reflecte todo o estertor de uma sociedade liberal de início de século considerada corrupta, imoral e hipócrita pelos futuristas e outros istas (como os fascistas, mas isso é outra história).
Fica ainda a revelação que Pessoa escreveu várias vezes sobre as suas próprias práticas masturbatórias, onanistas, e que não andam meninas por essas fantasias solitárias.
terça-feira, 24 de junho de 2014
Hoje, prosa e poesia no Bairro Alto
Hoje, às 21H30, haverá tertúlia e spoken word no espaço cultural Buédalouco Pharmácia de Cultura
(Rua do Norte, 60), no Bairro Alto, em Lisboa, comigo e com Charles
Sangnoir. O Bairro Alto será alvo de uma pós-cirurgia e revisitar-se-á
um lado mais humano e menos conhecido de
Fernando Pessoa, com a interpretação musicada de trechos escolhidos a
dedo. Por conseguinte, divulguem e apareçam. Para evocar a aura do
espectáculo de hoje, deixo um registo em vídeo de parte do espectáculo
de apresentação do disco Os Anormais: Necropsia De Um Cosmos
Olisiponense (2012), escrito e interpretado por mim e musicado e produzido por
Charles Sangnoir.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
«No Teclado do Meu Computador»: um poema
No Teclado do Meu Computador
(Para
Edgar Allan Poe.)
Em noite de cerebrações, preleccionava a vida ignorada
de Camões –
sustendo dois pesados volumes com habilidade de prestidigitador
–
quando, reticente, suspendi a minha leitura à vista
de uma figura:
uma bizarra borratadura que achei no teclado do meu computador.
“Uma mancha’, murmurei. “Meramente uma mancha de suor,
no teclado do meu computador”.
Oh!, mas já era, então, o mês frio de Dezembro – e, bem
lembro,
não me rebolou de nenhum membro uma única pinga de
suor.
Baralhado, observei com atenção e após longa
verificação
encontrei uma explicação – uma explicação maior –
para aquela rara e repentina mancha que, sem cor,
me apareceu no teclado do computador.
Na oportunidade em que a resposta à inteligência foi
proposta,
por determinação de minha laboriosa e pródiga
indução,
convenci-me: “Lemuriana travessura!, esta gnómica pisadura:
é uma digitígrada assinatura, feita com felina
diabrura,
no teclado do meu computador!”
“Foi o gato!”, eu disse. “Tratante traquinas! – que me
arruínas,
o documento que ficou aberto – aberto no meu computador.”
O texto está corrompido, cheiinho de frases sem
sentido,
porque o meu gato, entretido, se passeou como um
lorde
no teclado do meu computador
– e crashou-me o Word.
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Lançamento de «Caderno de Desapontamentos» de Charles Sangnoir
Amanhã, às 22H00, no Cine Incrível em Almada (Rua Capitão Leitão, 1), Charles Sangnoir (La Chanson Noire) irá apresentar o seu primeiro livro de poesia, intitulado Caderno de Desapontamentos (Violeta Exótica, 2014): um livro onde Sangnoir colige todo o seu universo lírico e poético.
O espectáculo de apresentação contará com um concerto do autor e com leituras dos seus poemas pelos convidados Ana Ferrão, David Soares, Domino Pawo, Fernando Alvim, Jorge Bruto, Leandro Morgado, Melusine de Mattos e The Beyonder.
Divulguem e apareçam.
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quarta-feira, 24 de julho de 2013
«Suicidas»: novo livro de poesia de Henrique Fialho
Suicidas, o novo livro do poeta e ensaísta Henrique Fialho (O Meu Caderno Azul, Estranhas Criaturas, A Dança das Feridas), será lançado no próximo dia 26 (sexta-feira), às 21H00, no espaço cultural Casa dos Barcos (Parque D. Carlos I, Caldas da Rainha). A apresentação será feita pelo autor José Ricardo Nunes.
Uma edição da Deriva Editores.
Passem a palavra e apareçam.
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sexta-feira, 8 de março de 2013
O berço e o horizonte
Não conheço melhor imagem para, hoje, Dia
Internacional da Mulher, ilustrar as melhores qualidades que,
correntemente, são atribuídas ao sexo feminino, como a beleza, a
sensibilidade e a voluptuosidade. É Vénus, amparando uma caravela
portuguesa, desenhada pelo Mestre Lima de Freitas para uma edição
comemorativa do IV centenário de publicação de Os Lusíadas de Luís de
Camões. Como alguns deverão saber, na estrofe 33 do Canto 1 dessa
epopeia, é-nos descrito pelo poeta o modo
como a deusa do amor se deixa encantar pelos portugueses: é que Vénus é
romana e ao ouvir falar os navegantes lembra-se das suas origens e até
pensa que o linguajar deles é o dos romanos. Escreveu Camões:
«Sustentava contra ele Vénus bela,Esta Vénus sonhadora, que com enorme doçura nos resguarda no lunar regaço aquático, é maternal e calipígia, nosso berço e nosso horizonte, em simultâneo.
Afeiçoada à gente lusitana
Por quantas qualidades via nela
Da antiga, tão amada, sua romana,
Nos fortes corações, na grande estrela,
Que mostraram na terra tingitana,
E na língua, na qual quando imagina,
Com pouca corrupção crê que é a latina.»
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quinta-feira, 31 de março de 2011
Poema

O Macaco (Valsa Lisboeta)
Nunca se sabe até que ponto um macaco
pode chegar na ânsia de nos imitar
Dizem alguns autores ser o macaco
difícil de apanhar - mas não
Em qualquer mundana reunião
num ombro numa frase num olhar
no jeito «humanista» de falar
aí temos o macaco a trabalhar
procurando aproveitar a confusão
Pessoalmente sou de opinião
que o macaco é fácil de caçar
até à mão.
Alexandre O'Neill (in Poemas Com Endereço, 1962)
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Poemas de Alfred Tennyson
O livro Poemas de Alfred Tennyson, publicado pelas Edições Saída de Emergência, é apresentado hoje, às 18H30, na Câmara de Comércio Luso-Britânica, em Lisboa (Rua da Estrela, nº8).A apresentação, realizada pelo orador convidado Dr. Paulo Lowndes Marques, da British Historical Society, contará com as presenças do editor e do tradutor Octávio dos Santos (também responsável pela selecção dos poemas).
Trata-se de uma excelente iniciativa: Tennyson é um dos poetas ingleses que mais aprecio e este livro vem dar aos leitores portugueses a oportunidade de conhecer o seu imaginário, permeado por referências e elementos da cultura ocidental que fazem parte do universo da literatura fantástica.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Lançamentos da Canto Escuro (mas às claras)
A editora Canto Escuro, do poeta Vítor Vicente, irá lançar dois novos livros no próximo sábado, dia 15: Grafipoesis de Rui Carlos Souto e Odes de Ana Salomé. As apresentações terão lugar na Livraria Trama, às 17H00 (ao Largo do Rato em Lisboa, na Rua São Filipe Nery, nº25B).Souto já deu à estampa o livro A Poesia dos Pequenos Insectos (Canto Escuro, 2006) e Salomé publicou o livro Anáfora (Edições Pena Perfeita, 2006).
Quem está familiarizado com a poesia e a prosa do Vítor terá mais uma oportunidade para levar para casa um novo trabalho que é, simultaneamente, divertido, sensível e que faz pensar. Para aqueles que ainda não conhecem o registo acutilante do autor de As Noites Contadas ou O Tríptico do Narciso, fica o convite para aparecerem (ouçam a entrevista que o Vítor deu a Gilda Castro da TV Universitária de Uberaba, aquando da publicação no Brasil de As Noites Contadas pela Editora O Clássico, que vale a pena).
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