segunda-feira, 9 de junho de 2014

Passatempo «Lisboa Triunfante» com a revista Sábado


Na próxima quinta-feira, dia 12, a revista Sábado irá dar aos seus leitores a oportunidade de levarem para casa o meu romance Lisboa Triunfante (Saída de Emergência, 2008).
Nesse sentido, desafio os meus leitores com o seguinte passatempo:

- os três primeiros leitores que me enviarem no dia 12 uma selfie sua com o livro irão receber um disco original autografado do meu spoken word Os Anormais: Necropsia De Um Cosmos Olisiponense (Necrosymphonic Entertainment, 2012).

Para o efeito, basta enviarem as selfies, mais as vossas moradas, assim como uma autorização por escrito em como posso divulgar as imagens aqui no blogue e na minha página de Facebook, para o seguinte endereço de email: cadernosdedaath@gmail.com



sábado, 7 de junho de 2014

«Lisboa Triunfante» com a revista Sábado


A partir da próxima semana, a revista Sábado irá dar aos seus leitores a oportunidade de levarem para casa um romance publicado pelas edições Saída de Emergência. Até ao dia 3 de Julho, a Sábado irá disponibilizar quatro romances diferentes por semana, sendo que no dia 12 de Junho (próxima quinta-feira) um deles será o meu Lisboa Triunfante (2008).

Agora que decorre a Feira do Livro de Lisboa, esta iniciativa é apenas mais outra excelente oportunidade para (também a um preço muito simpático) os leitores que ainda não conhecem Lisboa Triunfante o levarem para casa. A Raposa e o Lagarto agradecem.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Breve observação sobre a santa que derrubou uma constituição

 
Não se pense que o desgosto pela constituição é um fenómeno contemporâneo. Na realidade, desde que Manuel Fernandes Tomás redigiu a primeira constituição portuguesa, em 1822, que diversas facções direitistas, conservadoras, reaccionárias e tradicionalistas tentaram, unanimemente, por vários meios contra-ideológicos, desde o púlpito aos pasquins de contrafacção política, desacreditar o projecto constitucional e difamar os seus defensores. O que existiu nessa altura é, em suma, aquilo que ainda pode ser observado hoje: um conflito irreconciliável entre duas visões de fazer política, sendo que uma apoia-se na edificação de um estado de direito, no qual o poder político se subordina à lei - e a expressão máxima dessa lei é a constituição -, e outra que crê num neo-absolutismo, legitimado pressurosamente pelo sufrágio democrático, como se a concepção de democracia aí se esgotasse - uma espécie de "democracia possível" (sendo que possível, aqui, deva ser lido à lente do significado que lhe imprimiu Lucien Goldmann) que recua, de imediato, ao mínimo entrechoque com a vontade do poder.

Esse primevo esforço constitucional de oitocentos terminou, em definitivo, com a chamada Vilafrancada, uma insurreição direitista, contra-revolucionária, liderada por D. Miguel, a 27 de Maio de 1823. Porém, cerca de um ano antes, a 28 de Maio de 1822, ocorreu um espaventoso milagre que serviu de rastilho à imaginação popular e fortaleceu muitíssimo a ressonância reaccionária das massas, travejando o terreno para se reerguer o empoeirado absolutismo. Hoje, esse acontecimento está quase esquecido, mas eu venho lembrá-lo, porque considero-o de uma pertinência acutilante. Para comodidade de leitura, abrevio a sequência dos acontecimentos numa linha cronológica simples.
O bispo de Vila Viçosa e o cardeal-patriarca de Lisboa recusaram jurar as bases da novíssima constituição e o segundo calhou a ser deportado para fora do reino por culpa disso; em seguida, numa lapa do chamado Sítio da Rocha (hoje, Linda-a-Pastora, no concelho de Oeiras), à margem do Rio Jamor, foi encontrada uma imagem espectacular da Nossa Senhora da Conceição, entidade que é padroeira de Portugal desde 1646. A descoberta da imagem foi, num ápice, interpretada pelos rústicos e pelos escribas direitistas como sendo um sinal de que a padroeira estava descontente com o desterro do cardeal-patriarca e com o curso das mudanças politico-sociais do seu reino: até porque a imagem original da padroeira encontrava-se (e encontra-se) no santuário de Vila Viçosa; logo, era uma demonstração de santa solidariedade pelas posições políticas do bispo de Vila Viçosa e do cardeal-patriarca de Lisboa. Tanto que a imagem foi transladada da mefítica margem jamoriana para o interior da Sé de Lisboa - não antes da lapa se ter transformado num popular ponto de culto contra-revolucionário: a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, como foi cognominada, convertera-se em vera padroeira da contra-revolução, granjeando até a devoção de D. Miguel, cuja mãe, D. Carlota Joaquina, também se recusara (em Outubro de 1822) a jurar a constituição (a imagem que ilustra este artigo mostra-o, mais as irmãs, a rezar à Nossa Senhora da Conceição da Rocha, na Sé de Lisboa).
Este popularíssimo culto religioso contra-revolucionário insuflou velas largas e foi, ao seu advento, descrito e romanceado em dezenas de folhetins e artigos de jornais, consistindo num dos acontecimentos simbólicos que contribuíram com mais importância para a queda do Vintismo. Não é claro de que forma foi forjado este culto, nem por quem, mas, como se costuma dizer, foi a ideia certa no momento certo (infelizmente).

Creio que será prematuro rirmos dos nossos antepassados, que, com diligência, ingenuidade ou manha, acreditaram prontamente neste milagre forjado para fins políticos, instrumentalizando-se para o efeito a superstição e a bisonhice em que os portugueses, exauridos e analfabetos, estavam ensopados. Centro e quatro anos depois, em outro 28 de Maio, outros santos contra-revolucionários (também de inspiração mariana, curiosamente) foram inventados para derrubar o governo republicano presidido por António Maria da Silva, aproveitando, novamente, o misoneísmo dos portugueses. No fundo, os nossos pontuais episódios democráticos costumam ser interrompidos pelo avanço de energias conjuntas de sinal oposto e de maior duração.
Estamos, pois, a pouco mais de uma década de mais um aniversário desta bonita tradição hagiológica que mescla o sagrado de pendor popular e a política de pendor populista - os santos contemporâneos contra-revolucionários que espumam vitupérios contra a obstaculizante constituição estão todos na praça pública a competir pelo altar. Quem sabe qual deles será a nova Nossa Senhora da Conceição da Rocha e quem sabe qual deles será o novo Salazar?


quinta-feira, 5 de junho de 2014

«Sepulturas dos Pais», um teaser + Autógrafos na Feira do Livro de Lisboa

Lembro que no próximo domingo, dia 8, das 17H30 às 19H00, estarei na Praça Amarela da Feira do Livro de Lisboa para assinar exemplares dos meus livros. Aí perto, encontra-se o stand da distribuidora Europress, no qual poderão encontrar algumas das minhas obras mais recentes em banda desenhada, publicadas pela editora Kingpin Books, como O Pequeno Deus Cego (2011) e Palmas Para o Esquilo (2013). Estes títulos foram desenhados por Pedro Serpa.
Também na Feira do Livro de Lisboa se encontram os stands da editora Saída de Emergência, onde poderão encontrar os meus romances Batalha (2011), O Evangelho do Enforcado (2010), Lisboa Triunfante (2008), A Conspiração dos Antepassados (2007) e, também, o livro de banda desenhada É de Noite Que Faço as Perguntas (2011).

No que concerne ao meu próximo livro, Sepulturas dos Pais, escrito por mim, desenhado por André Coelho e legendado por Mário Freitas, deixo este teaser, feito com as primeiras cinco páginas. Sepulturas dos Pais consiste numa observação negríssima sobre o facto de que nem sempre o maravilhoso oferece redenção (será editado em Novembro pela Kingpin Books).








quarta-feira, 4 de junho de 2014

Vídeo da tertúlia literária "Letras e Ideias"



Quem não foi à tertúlia literária "Letras e Ideias", agendada na programação da passada terceira edição do festival Livros a Oeste, na Lourinhã, pode ver este vídeo dessa conversa, com a minha participação, a participação de Rui Tavares e com moderação de João Morales (organizador do festival). Uma verdadeira conversa sobre letras e sobre ideias: desfrutem.

domingo, 1 de junho de 2014

Livros a Oeste 2014: muitas letras e ainda mais ideias

No 3º Festival Livros a Oeste (Lourinhã), na tertúlia literária "Letras e Ideias", comigo, Rui Tavares e João Morales (moderador). Quem não foi não sabe o que perdeu.
Para reflexão à lente dos acontecimentos políticos europeus dos últimos dias (que se debateram e sobre os quais escrevi nesta ligação e, ainda, aqui), deixo-vos com um dos conceitos que imaginei durante a conversa: a despolitização da esfera pública é, na verdade, uma politização radical por via do conformismo.



sexta-feira, 30 de maio de 2014

Autógrafos meus na Feira do Livro de Lisboa


Autógrafos meus na 84ª Feira do Livro de Lisboa (que abriu ontem, no Parque Eduardo VII):
- As feiras do livro são bons locais para os escritores divulgarem os seus livros e falarem com leitores que, de outro modo, nunca conheceriam, mas, falando do conceito em si, nunca gostei de feiras do livro. Odeio ver as barracas com os livros expostos como se fossem peixes nas lotas, as roulotes de farturas e as animações cafonas que se inventam para divertir gente que, durante o resto do ano, nunca se lembra, sequer, de pôr os pés numa livraria. (Ponto positivo para a feira do livro de Lisboa, contudo: há sempre um quiosque qualquer com boas bicas a poucos passos de distância de qualquer sítio onde se esteja.)

Dito isto, informo que estarei na feira do livro de Lisboa para assinar exemplares dos meus livros:
- nos dias 8 e 15 de Junho, sempre das 17H30 às 19H00, na Praça Amarela, adjacente ao stand da distribuidora Europress, no qual poderão, entre outros títulos de minha autoria, adquirir Palmas Para o Esquilo, escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa (Kingpin Books, 2013).


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Para que se entenda do que se fala quando se fala em extrema-direita

Repudio com veemência o discurso de exculpação com que alguma comunicação social e a opinião pública nas redes sociais indulgem aqueles que votaram em partidos de extrema-direita nas passadas eleições europeias, caracterizando esses votos como sendo de protesto por um sistema partidário incompetente ou corrupto que não resolve os problemas dos cidadãos. Em sinal contrário, eu caracterizo esses votos em partidos extremo-direitistas como sendo atestados de ignorância política e histórica, alimentados pelos mesmos impulsos volúveis que estiveram na origem dos movimentos reaccionários de massas que, agora, esses partidos extremo-direitistas imitam nos modos, nas propagandas e nos programas.
Sob o selo da segurança da nação, do discurso anti-imigração e do agitamento de fobias etnocêntricas, que variam de alvos e grau de violência consoante os países, velhas ideias (como a esterilização obrigatória de indivíduos considerados inaptos para a reprodução e o aborto de fetos com síndrome de Down e espinha bífida) estão a ressurgir, diante da complacência, da falta de informação e da cumplicidade de todos aqueles que acreditam em soluções simples, personalizadas nas vontades de certos líderes mais ou menos carismáticos (na visão de quem os segue), para problemas complexos, compostos por diversas forças sociais e económicas agindo em conjunto. O discurso do autoritarismo é, sempre, o do monossílabo.
Parece-me que o cultivo da memória e a transmissão do conhecimento tem falhado e produzido os seus monstros, daí que será útil olhar, sem máscaras, aquilo que, de facto, se está a falar quando se fala em extrema-direita. Para o efeito, recolhi umas imagens que considero representativas de um período que não deve regressar. Escolhi imagens relacionadas com os crimes de guerra e flagelos sociais realizados pelos nacionais-socialistas, na primeira metade do século XX, porque é o movimento reaccionário de massas que conheço com maior profundidade - assim como me parece ser este o movimento reaccionário de massas que mais escola tem feito nos cernes dos vários partidos extremo-direitistas contemporâneos. Em rigor, quando se fala em extrema-direita não se está a falar em votos de protesto - está a falar-se disto:


Cartaz de propaganda eugénica nacional-socialista contra a «vida inadmissível de viver»: o texto doutrina que um indivíduo doente custará 50 000 marcos ao estado até que chegue aos sessenta anos de idade. O slogan maior diz, explicitamente, que «são vocês [o público] que suportam este custo». A demonização dos doentes físicos e mentais e dos idosos, entre outros, desumanizando-os como vidas inúteis, serviu o propósito de anediar a tolerância das massas aos extermínios etnocêntricos e religiosos que, em breve, se seguiriam. 


Os campos de concentração e os campos de extermínio começaram por ser pequenos, mas, em poucos anos, cresceram muitíssimo, tornando-se fábricas de morte que poderiam alcançar diversos quilómetros quadrados. Em cima: a entrada do gigantesco campo de concentração e extermínio Auschwitz II - Birkenau; em baixo: uma vista aérea do imenso campo de concentração de Dachau. Os campos de extermínio foram construídos com o único objectivo de serem rápidas e eficientes fábricas de genocídio, embora os campos de concentração também fossem campos de tortura e execução maciços.




Raparigas e mulheres grávidas enforcadas em praça pública: consistiu na eliminação de mulheres para impedir a reprodução da «vida inadmissível de viver». Muitos crimes desta natureza foram perpretados por civis, encorajados por milícias paramilitares e pela SS, veiculando, assim, os preconceitos e ódios de estimação das povoações. Quando a cúpula age de um determinado modo, as bases comportam-se de acordo com esse exemplo. 


Milhares de famílas consideradas indignas de viver pelos padrões do regime foram fuziladas por milícias paramilitares e populares.


Prisioneiros morrendo lentamente nos campos de concentração nacionais-socialistas.


O suicídio foi uma realidade tangível no dia-a-dia dos campos de concentração nacionais-socialistas.


Escravos de um campo de extermínio nacional-socialista arrastam um indivíduo assassinado na câmara de gás até aos fornos crematórios.


Fornos crematórios do campo de concentração e extermínio de Majdanek, com cinzas e ossadas de prisioneiros incinerados, em primeiro plano, na metade inferior da imagem.


Quando os inúmeros fornos eram, ainda assim, insuficientes para incinerar a quantidade de indivíduos assassinados nas câmaras de gás, os corpos eram incinerados em grandes valas, como pode ver-se na imagem acima, tirada no campo de Auschwitz II - Birkenau.


Corpos empilhados no campo de Dachau, num pátio adjunto aos fornos crematórios, à espera de serem transportados para o interior, de molde a serem incinerados.








Livros de que o meu gato gosta


Plutão, o meu gato, gosta de esconder-se nos espaços exíguos entre as prateleiras e os livros. Adora o cheiro deles e, às vezes, selecciona uns quantos, deitando-os ao chão e puxando-os das estantes com as garrinhas. Eis alguns dos livros que, até este momento, ele já escolheu e assinalou como seus preferidos, espojando-se sobre eles:

- Rats: A Year With New York’s Most Unwanted Inhabitants, de Robert Sullivan (este até o caçou – será pelo título?)

- A Perfect Red: Empire, Espionage and the Quest For the Colour of Desire, de Amy Butler Greenfield

- Sex Crimes From Renaissance to Enlightment, de William Naphy

- Stories Toto Told Me, de Frederick Rolfe (Barão Corvo)

- Don Renato, de Frederick Rolfe (Barão Corvo)

- Against the Day, de Thomas Pynchon

- Gravity’s Rainbow, de Thomas Pynchon

- História da História em Portugal, de Luís Reis Torgal, José Maria Mendes e Fernando Catroga (na imagem)


quarta-feira, 28 de maio de 2014

«No Teclado do Meu Computador»: um poema



No Teclado do Meu Computador
(Para Edgar Allan Poe.)
  
 
Em noite de cerebrações, preleccionava a vida ignorada de Camões –
sustendo dois pesados volumes com habilidade de prestidigitador –
quando, reticente, suspendi a minha leitura à vista de uma figura:
uma bizarra borratadura que achei no teclado do meu computador.
“Uma mancha’, murmurei. “Meramente uma mancha de suor,
no teclado do meu computador”.

Oh!, mas já era, então, o mês frio de Dezembro – e, bem lembro,
não me rebolou de nenhum membro uma única pinga de suor.
Baralhado, observei com atenção e após longa verificação
encontrei uma explicação – uma explicação maior –
para aquela rara e repentina mancha que, sem cor,
me apareceu no teclado do computador.

Na oportunidade em que a resposta à inteligência foi proposta,
por determinação de minha laboriosa e pródiga indução,
convenci-me: “Lemuriana travessura!, esta gnómica pisadura:
é uma digitígrada assinatura, feita com felina diabrura,
no teclado do meu computador!”

“Foi o gato!”, eu disse. “Tratante traquinas! – que me arruínas,
o documento que ficou aberto – aberto no meu computador.”
O texto está corrompido, cheiinho de frases sem sentido,
porque o meu gato, entretido, se passeou como um lorde
no teclado do meu computador – e crashou-me o Word.