Para os fãs e amigos que não puderam comparecer ontem na segunda edição da Comic Con Portugal, fica a ligação para o vídeo da cerimónia de entrega do prémio de "Excelência na Escrita de BD" pelo livro Sepulturas dos Pais (Kingpin Books, 2014), escrito por mim e desenhado por André Coelho.
domingo, 6 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
«Sepulturas dos Pais» premiado com Galardão BD Comic Con 2015
Informo os meus fãs e amigos que ganhei o Galardão Comic Con 2015 na categoria de Excelência na Escrita de BD, com o livro «Sepulturas dos Pais (Kingpin Books 2014), escrito por mim e desenhado por André Coelho.
A cerimónia de entrega de prémios terá lugar durante a Comic Con Portugal 2015, no próximo sábado, dia 5, às 16H00. Parabéns aos vencedores das outras categorias (podem consultar a lista nesta ligação: http://www.comic-con-portugal.com/…/conhecidos-os-vencedore…).
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Crítica a «O Poema Morre» na revista Blimunda nº42
Excelente crítica a O Poema Morre (Kingpin Books, 2015) por Sara Figueiredo Costa na revista Blimunda (editada pela Fundação José Saramago).
Escreve Costa:
«(...) o que David Soares parece utilizar como matéria-prima do seu trabalho na banda desenhada é aquilo a que poderíamos chamar miséria humana, as vertentes menos nobres da nossa natureza comum, os gestos que guardam a violência, a sordidez, a ignorância, a maldade. Não podia ser mais universal e menos atreito a rótulos de género. (...) O trabalho de Sónia Oliveira acompanha esta vontade de modo orgânico, usando as linhas finas e sinuosas do seu traço como matéria capaz de moldar este retrato cinzento (também na paleta de cores) de um tempo que poderia ser muitos tempos.»
A ler na íntegra
nesta ligação: http://www.josesaramago.org/?ddownload=536384
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Tertúlia literária no 1º Festival de Ficção Científica e Fantasia - The Padawan Wars
No próximo dia 4 de Dezembro (sexta-feira) estarei na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para, no âmbito do 1º Festival de Ficção Científica e Fantasia - The Padawan Wars, participar numa conversa sobre a minha obra. Esta tertúlia literária ocorrerá das 17H00 às 18H00 e será moderada por José Duarte (doutorado em Estudos Americanos e investigador pertencente ao grupo de investigação de Estudos Americanos da Faculdade de Letras de Lisboa). Divulguem e apareçam: obrigado.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Entrevista para o 'podcast' Falar Criativo
Na ligação em anexo podem ouvir a entrevista que dei ao podcast Falar Criativo,
com perguntas de Rui Branco. Como o nome do programa indica, a tónica
da entrevista foi colocada em questões sobre a criatividade, resultando
numa conversa muito completa sobre o meu processo criativo, as minhas
inquietações e abordagens às diversas expressões com as quais desenvolvo
os meus trabalhos. A entrevista é longa, mas penso que ficou muito
dinâmica e interessante. Se também gostarem, partilhem - obrigado: http://falarcriativo.com/episodio-108-david-soares/
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domingo, 8 de novembro de 2015
Desenho de Sónia Oliveira num exemplar de «O Poema Morre»
Desenho de Sónia Oliveira num exemplar de O Poema Morre, escrito por mim e desenhado por ela (Kingpin Books, 2015). Quem não foi ao 26° AMADORA BD perdeu a oportunidade de levar um livro personalizado deste modo, mas não entristeçam: em breve, haverá mais oportunidades.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
«O Poema Morre»: amanhã, autógrafos no 26º Amadora BD
Amanhã, das 16H00 às 18H00, eu e Sónia Oliveira estaremos no 26º AMADORA BD (Fórum Luís de Camões, Brandoa, Amadora) para autografar exemplares de O Poema Morre (Kingpin Books, 2015) e conversar com os fãs. Divulguem e apareçam: os vivos, os feridos e os mortos agradecem.
domingo, 1 de novembro de 2015
«O Poema Morre»: Lançamento no 26º Amadora BD
Para quem não pôde ir ontem ao 26º AMADORA BD assistir ao lançamento do livro O Poema Morre (Kingpin Books), escrito por mim e desenhado por Sónia Oliveira, aqui fica o vídeo desse evento muitíssimo participado, ao qual se seguiu uma concorrida sessão de autógrafos. Para a semana, eu e Sónia Oliveira estaremos novamente no Amadora BD, no sábado, dia 7, das 16H00 às 18H00, para autografar exemplares de O Poema Morre. Divulguem e apareçam: obrigado.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
«O Poema Morre»: lançamento e sessões de autógrafos no 26º Amadora BD
O Poema Morre (Kingpin Books, 2015), escrito por mim e desenhado por Sónia Oliveira, será lançado no 26º AMADORA BD
-- no auditório, às 15H30 do dia 31 de Outubro; em seguida, haverá uma
sessão de autógrafos comigo e com Sónia Oliveira, na área prevista o
efeito (informo que também estarei a dar autógrafos no Amadora BD no
sábado dia 7 de Novembro, das 16H00 às 18H00). Apareçam no lançamento de O Poema Morre e divulguem esta informação: os feridos, os mortos e os
vivos agradecem.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
«O Poema Morre»: lançamento no 26º Amadora BD
O Poema Morre, o meu novo livro de banda desenhada, escrito por mim e desenhado por Sónia Oliveira, vai ser lançado no próximo dia 31 de Outubro, às 15H00, no auditório do 26º Amadora BD, com a presença dos autores e do editor Mário Freitas; lançamento ao qual se seguirá uma sessão de autógrafos comigo e com Sónia Oliveira (na área correspondente às sessões de autógrafos).
O Poema Morre é uma observação sobre a guerra e considero-a uma das minhas obras mais subversivas. A edição é da Kingpin Books.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Duas datas para um fim
Segundo
a tradição, hoje, 4 de Setembro, assinala-se a efeméride do fim do
Império Romano do Ocidente. Em 476 (século V), depois de exilar o jovem
imperador Rómulo Augusto, Odoacro, o líder supremo das forças armadas
italianas, não elegeu outro imperador-fantoche, como fizeram os seus
antecessores, mas tentou convencer o senado romano e o Império Romano do
Oriente de que somente um imperador era necessário
para os dois impérios (já veremos porquê...) -- esse imperador seria
Zenão, na altura o imperador do Império Romano do Oriente. Assim,
Odoacro criou para si o cargo de governante italiano, em nome de Zenão:
ou seja, não se auto-intitulou imperador, mas designou-se patricius,
um título, aliás, já usado pelos alguns dos seus antecessores -- com a
novidade de que, dentro das fronteiras italianas, Odoacro passou a
intitular-se rex; por conseguinte, rei. Mesmo assim, as coisas não
são assim tão simples...
De facto, ainda havia um imperador do Ocidente: Júlio Nepos, refugiado na província romana da Dalmácia (de maiores dimensões que a actual Dalmácia, na Europa do Leste), da qual era natural. Ora, Nepos tinha sido o antecessor de Rómulo Augusto (entretanto exilado, como já vimos) e fora deposto de um modo comum no período em questão: o seu líder supremo das forças armadas, chamado Orestes, figura análoga a Odoacro, fez um golpe militar e pôs Rómulo Augusto, seu filho adolescente, no trono. Ora, Nepos, refugiado na Dalmácia, permaneceu nas boas graças de Constantinopla -- e, depois do assassinato de Orestes e do exílio de Rómulo Augusto, Zenão forçou Odoacro a reconhecer-lhe, pelo menos tecnicamente, a legitimidade. Ou seja: a estratégia de passar por cima de Nepos, querendo que Zenão se tornasse o único imperador não funcionou totalmente como Odoacro esperava.
No entanto, este, e outros líderes militares, conspiraram para eliminar Nepos e lá o conseguiram em 480, marionetando as tropas deste. Assim, será mais adequado dizer que o Império Romano do Ocidente terminou em 480. Contudo...
A verdade é que nem toda a gente percebeu que o velho sistema tinha desaparecido: as comunidades continuavam a sentir-se romanas, o comércio e as redes de interesses (privilégios dinásticos, sinecuras, etc.) continuaram, mais ou menos, na mesma, durante muito tempo -- as formas de governo e algumas leis é que iam sendo outras. Em principal, o Império Romano do Oriente não só não desapareceu, como se tornou ainda mais próspero -- e os bizantinos continuaram a chamar-se "romanos" até ao fim. No Ocidente, perduraram muitíssimos elementos do velho Império Romano do Ocidente -- alguns, ainda estão connosco. No entanto, é errado ver nesses casos uma continuidade entre o império romano e a Idade Média: as diferenças foram enormes; sobretudo a maior delas e aquela que, em muitos aspectos, condiciona o funcionamento da nossa contemporaneidade: a abrupta hierarquização da sociedade, baseada na militarização. O poder político romano não estava nas mãos dos militares, mas nas dos civis. O estabelecimento das comunidades "bárbaras", fortemente militarizadas e nas quais a conduta militar era o santo-e-senha da razão de existir, modificou profundamente a geografia política europeia e o espaço cultural europeu.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Não farás lixo
À semelhança daquilo que acontece em outras cidades europeias, em Lisboa já está a ser aplicada a nova hierarquia de recolha semanal de lixo, segundo a qual cada condomínio é presenteado com dois recipientes para resíduos recicláveis de plástico e de papel (substitutos dos anteriores contentores de rua), enfileirados junto ao caixote de lixo que tinham nos seus rés-do-chão e que, a partir de agora, serve, em exclusivo, de recipiente de lixo doméstico não-reciclável.
Tenho tantas coisas para dizer sobre isto que, sinceramente, nem sei bem por onde começar. Para já, servirá a breve constatação de que quando falo em hierarquia de recolha semanal de lixo, é mesmo essa palavra que desejo empregar, pois subjacente à política europeia de gestão do desperdício doméstico (atenção que a palavra-chave desta designação oficial é desperdício: não é lixo, não é resíduos, mas desperdício, que carrega um mais pesado lastro "moralizante") encontra-se uma criação bem interessante, saída dos campos sempre férteis dos pseudoconhecimentos, chamada hierarquia de desperdícios: uma inovação da velha tríade de «reduzir, reutilizar, reciclar», que foi moda até há bem pouco tempo, e que tem como objectivo alcançar a utopia urbana de desperdício zero. Ou seja: a ideia é que os indivíduos façam menos lixo; neste caso, que não façam nenhum.
Considerando que o ser humano e a maioria dos animais não possuem poderes autotróficos, o que significa que não são capazes de produzir os seus próprios alimentos, tal como as plantas, será muito difícil não produzir, também, algum lixo.
De acordo com o cardápio desanimador da hierarquia de desperdícios, o lixo orgânico passa a ser recolhido pelos serviços camarários de limpeza somente às terças-feiras, às quintas-feiras e aos sábados. Por conseguinte, se tiverem amigos ou família para jantar num sábado à noite, somente na terça-feira seguinte é que poderão deitar fora o lixo produzido no fim de semana. De facto, isto é um problema, porque obriga os indivíduos a pensar num modo de conservar com segurança em casa o lixo orgânico durante quase três dias (porque a recolha de lixo é nocturna). Só na minha área de residência tenho encontrado caixotes a transbordar de lixo não-recolhido, caixotes cheios de lixo que estão "trancados" com as faixas adesivas aplicadas pelos serviços de fiscalização, por terem sido colocados na via pública em dias nos quais não está programada a recolha de lixo orgânico (corrijo, não-reciclável) e, o que é pior, sacos, saquinhos e lixo espalhados pelos passeios - situações que nunca ocorreram no período anterior à aplicação destas novas recolhas hierarquizadas. É óbvio: os indivíduos precisam de deitar fora o seu lixo todos os dias e as cozinhas e as despensas não foram desenhadas para ser lixeiras. Bem sei que em certos países do Norte da Europa não existe o hábito de cozinhar comida fresca todos os dias e que, nesses sítios, a maioria do lixo é composta por embalagens (de comida de micro-ondas, maioritariamente, mas também latas, frascos, pacotes de bolachas, etc.), logo a gestão hierárquica de desperdício será um pouco mais fácil de conseguir; porém, em países como Portugal, que tem hábitos domésticos e alimentares diferentes (ou vai tendo), a medida surge como artificial e impraticável (falando em países do Norte da Europa, a Dinamarca, por exemplo, o caso paradigmático que tantos países tentam emular, em tantos aspectos diferentes, está-se borrifando para esta história e incinera todos os seus resíduos - talvez por ter compreendido que os métodos recorrentes de reciclagem são muitíssimo onerosos, consomem mais energia e acabam por poluir mais do que aquilo que se pensa. Já agora, a reciclagem, esse cavaleiro-branco dos verdes de pacotilha, que transforma não-sei-quantas tampinhas de garrafas de plástico em vinte e cinco elefantes ou qualquer monstruosidade semelhante, figura bem baixo na pirâmide da hierarquia de desperdícios: o ápice é ocupado pela «prevenção», ou seja, por não se fazer lixo de todo).
O mais tragicómico é que a tal hierarquia de desperdícios e a teoria do desperdício zero (é mesmo a sua definição: teoria) são, somente, media darlings, filosofias vápidas embandeiradas em arco por quem acha que iniciativas como a Hora da Terra servem para resolver problemas de contaminação ambiental e de escassez de recursos energéticos, mas continua a trocar de smartphone ou de tablet a cada seis meses, contribuindo vigorosamente para a enchente muito insustentável de metais pesados que são enterrados clandestinamente em certos países africanos, onde envenenam lençóis de água e vão matar mais leões e elefantes que os caçadores parolos que as redes sociais adoram vilipendiar, ou, simplesmente, são deitados no Índico ou no Pacífico. Outra situação bem caricata é a de que o criador e principal pugnador desta fantochada da teoria do desperdício zero é um senhor que aparece pouquíssimo na televisão, chamado Paul Connett, autor do livro «A Solução do Desperdício Zero»: um obcecado por diversas teorias das conspirações, em principal a de que os governos esterilizam os indivíduos e lhes diminuem as capacidades mentais recorrendo ao flúor na água canalizada. Por conseguinte, alguém credível que merece toda a nossa atenção.
Algumas ligações interessantes para quem estiver, minimamente, preocupado em saber de que cabeças vêm determinadas ideias que nos afectam a todos:
- «Towards a circular economy: A zero waste programme for Europe»: http://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?qid=1415352499863&uri=CELEX:52014DC0398R%2801%29
- Site da organização Zero Waste International Alliance: http://zwia.org/
- Sobre Paul Connett no reputado site Quackwatch: http://www.quackwatch.org/11Ind/connett.html
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Anacusia
Wittgenstein escreveu que se um leão pudesse falar nós não seríamos
capazes de entendê-lo. Sim, o dentista norte-americano também não
entendeu o que lhe disse o leão que alvejou com uma flecha, atingiu de
balas e cuja cabeça, em seguida, decepou. Sejam quais forem as
circunstâncias, aqueles que, por uns instantes, se vêem com domínio
sobre os outros têm sempre muita dificuldade em escutar e compreender
aquilo que lhes dizem aqueles que sofrem. E, no entanto, tanto pelas
vozes dos grandes como pelas dos pequenos, a linguagem do sofrimento é
sempre igual, sempre as mesmas três plangentes toadas: tenho frio, tenho fome, não quero ficar sozinho.
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quarta-feira, 29 de julho de 2015
Série «Ver BD» publicada no YouTube
Ver BD, excelente (sob todos os aspectos) série documental sobre banda desenhada portuguesa, que foi transmitida em 2007 pela RTP2, está a ser, episódio a episódio, publicada no YouTube. Pedro Vieira de Moura, especialista e crítico de banda desenhada, e Paulo Seabra, realizador, foram os criadores inspirados desta visão única sobre a banda desenhada portuguesa contemporânea, baseada em entrevistas diversas, em especial a onze autores.
Será muitíssimo interessante revê-la, passados quase dez anos após a estreia, e cotejar os cenários aí representados, pelas vozes dos entrevistados, com o panorama que hoje nos cerca, que é bem diferente. Eu sou um dos onze autores entrevistados e sinto-me, também, feliz por ser o autor da vinheta a preto-e-branco que serve de proscénio a todos os episódios: pertence à história Pessoas Comuns, do álbum homónimo que editei em 1999. (Já cá ando há dezasseis anos, a escrever BD e prosa: a gente, por vezes, esquece-se da passagem do tempo.) Em suma, revejam ou descubram Ver BD e, sobretudo, observem e ouçam com atenção.
Escreve Pedro Vieira de Moura no seu blogue Ler BD: «Há coisas que, em alguns anos, se transformaram profundamente: autores que pararam de produzir, outros que mudaram a prática, plataformas que se alteraram, circunstâncias que se reestruturaram. Mas esperamos que a pertinência da maior parte dos assuntos ainda se mantenha. E não perdemos ainda a esperança de que "venham mais cinco"...»
Agradeço a vossa divulgação.
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Vídeo de "Recordar os Esquecidos" com Fernando Pinto do Amaral e David Soares
Vídeo da sessão de Recordar os Esquecidos, que ocorreu no passado sábado, dia 25, na livraria Almedina
do Atrium Saldanha, com moderação de João Morales e Fernando Pinto do
Amaral e comigo como convidados. O índice de títulos abordados é o
seguinte:
1) «O Barão de Lavos» de Abel Botelho (00:00);
2) «A Velhice do Padre Eterno» de Guerra Junqueiro (17:35)
3) «Justine» de Lawrence Durrell (38:52);
4) «O Caos e a Noite» de Henry de Montherlant (51:00);
5) «A Mulher Pobre» de Léon Bloy (1:01:10)
6) «Todos os Contos e Novelas» de Joaquim Paço d'Arcos (1:18:43)
7) «Poesia Completa» de Anrique Paço d'Arcos (1:28:20)
8) «Diálogos de Roma» de Francisco d'Ollanda (1:36:52)
9) «Enciclopédia dos Mortos» de Danilo Kis (1:54:45)
1) «O Barão de Lavos» de Abel Botelho (00:00);
2) «A Velhice do Padre Eterno» de Guerra Junqueiro (17:35)
3) «Justine» de Lawrence Durrell (38:52);
4) «O Caos e a Noite» de Henry de Montherlant (51:00);
5) «A Mulher Pobre» de Léon Bloy (1:01:10)
6) «Todos os Contos e Novelas» de Joaquim Paço d'Arcos (1:18:43)
7) «Poesia Completa» de Anrique Paço d'Arcos (1:28:20)
8) «Diálogos de Roma» de Francisco d'Ollanda (1:36:52)
9) «Enciclopédia dos Mortos» de Danilo Kis (1:54:45)
Sobre Tolkien e fascismo
O escritor inglês Michael Moorcock voltou a exprimir numa entrevista uma
opinião pouco simpática sobre o autor inglês J. R. R. Tolkien, desta
vez chamando-lhe «criptofascista», porque, segundo Moorcock (transcrevo a
citação no inglês original para evitar ambiguidades de tradução): «in Tolkien, everyone’s in their place and happy to be there. We go there and back, to where we started. There’s no escape, nothing will ever change and nobody will ever break out of this well-ordered world».
Não sou um fã fervoroso da prosa de Tolkien, mas também não sou nenhum fã fervoroso da prosa de Moorcock, por isso o meu juízo sobre estas considerações dadas à estampa na entrevista não pende nem para um lado nem para o outro; somente acho desanimador que um escritor, como Moorcock, precise de andar constantemente na imprensa a caluniar outro -- que, ainda por cima, está morto e não pode defender-se daquilo que sobre ele é dito. Porém, aquilo que considero ainda mais desanimador é a utilização do rótulo de fascista (neste caso, criptofascista, ou seja "fascista de armário", digamos assim) para estigmatizar aquilo que se pensa ser o pensamento tradicionalista e conservador que pruma o texto tolkiano. Desanima-me, porque isso demostra 1) facilitismo e 2) um profundo desconhecimento sobre o que foi, de facto, o fascismo.
Dizer que o texto de Tolkien é fascista (ou criptofascista), porque apela ao conservadorismo é errado, pela mais simples razão de que o fascismo não foi um movimento conservador: foi, sim, um movimento revolucionário. A gente tem-se habituado a apelidar de revolucionários somente os movimentos de esquerda, mas, na verdade, tanto o fascismo, como o nacional-socialismo, foram movimentos revolucionários de direita. Foram revolucionários, porque aspiraram e tentaram aplicar um programa de reestruturação social e moral de índole inédita, com o objectivo de criar sociedades novas, desamarradas das grilhetas dos antigos regimes -- somente o quiseram fazer pela via da direita. Aliás, por essa razão foram combatidos tanto pela esquerda dita revolucionária, como pelos ultraconservadores.
A matriz intelectual do fascismo, concebida por nomes como Giovanni Gentile, entre outros, que eram estudantes da obra de Karl Marx (o próprio Mussolini foi comunista antes de tornar-se Duce), olha para o futuro, para um novo tipo de homem, para mudanças violentas no tecido social. Por conseguinte, dizer que um criptofascista coloca nos seus livros o desejo de que fique tudo na mesma é um disparate. Tal como existe nacionalismo de esquerda, também existem movimentos revolucionários de direita.
Assim, chamar fascista ou criptofascista a Tolkien não só não faz sentido à luz da obra que ele deixou, como sequer à luz da sua vida, que em nada se relacionou com percursos políticos fascistas e quejandos.
Sinceramente, não sei qual era a inclinação política de Tolkien -- e nem estou interessado em saber, confesso. Não escolho os livros e os autores que quero ler em função das suas inclinações ou inscrições políticas: escolho-os por escreverem bem e terem coisas interessantes para dizer. No entanto, sei que Tolkien não foi fascista.
Já era tempo de se deixar de usar o nome "fascista" a torto e a direito, sempre se quer caluniar ou assassinar o carácter de alguém de quem se desgosta, porque isso, no fundo, é prestar um péssimo serviço à história: desvaloriza o peso da palavra e contribui para branquear o verdadeiro fascismo, pois se velhinhos simpáticos como Tolkien são chamados de fascistas (corrijo, de criptofascistas) a malta mais nova ainda poderá pensar que ser fascista é uma coisa fixe. Só me lembro daquilo que disse o João Franco, já meio-velhote e retirado para o seu auto-exílio agricultural, quando descobriu que os netos andavam fascinados pelos escritos e ideário do fascismo italiano: «que se passa de errado com esta juventude? Agora são todos miguelistas?»
Vale a pena, pois, pensar com sobriedade no modo como nomes e epítetos são tão facilmente atirados e desvirtuados.
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Canivete-suíço digital
O
smartphone actual é, bem avaliadas as coisas, uma espécie de reinvenção
digital do canivete-suíço: uma panóplia portátil de um florilégio de
funções (entre outras, relógio, calculadora, bloco de notas, câmara
fotográfica, rádio, vídeo, navegador de Internet, gravador de voz, mapa,
e, claro, telefone), reunidas num único aparelho muitíssimo
transportável, cujas dimensões o tornam afectuoso e intimíssimo --
contudo, a palavra "funções" deve ser considerada com cristalina
prioridade; ao contrário de um canivete-suíço, em toda a glória
victorinoxidável, não existem objectos num smartphone. Apenas existem
funções desincorporadas dos objectos (como fantasmas capturados por uma
armadilha de muões).
No que concerne às morfologias física e digital, o smartphone (designação criada em meados da década de noventa do século passado), na sua, já arquetípica, encarnação desenhada pelo quimérico Jonathan Ive, vai ao encontro da comum calculadora: em especial, mimetiza a aparência da calculadora desenhada por Dieter Rams para a outrora teutónica e titânica Braun, uma pequena maravilha de elegância e depuração. É provável que essa ausência de objectos num smartphone nunca passe, sequer, pelas cabeças dos utilizadores; no entanto, quando se pensa nela, curiosas questões ontológicas medram na mente.
Por exemplo: até que ponto são utilizáveis essas funções-fantasmas?
Pense-se no tradicional canivete-suíço: serão os seus objectos, ocultos em estreitas bainhas (que nem pinturas escondidas em cortes dianteiros de livros, relevadas quando se repelam as páginas) -- frágeis ersatzs miniaturizados de ferramentas úteis, como tesouras, chave de fendas, saca-rolhas, abre-latas, corta-unhas, alicate, palitos e talheres --, verdadeiramente úteis? Ou, por outro ponto de vista, serão uma selecta sincrética que, somente, tem como objectivo compor um objecto singular para fetichistas de MacGyver? Conservem esta concepção enquanto observam as funções desincorporadas que um smartphone possui e a problemática adquire uma perspectiva totalmente nova: esses aparelhos estão cheios de funções que nunca são usadas -- ou usadas uma ou duas vezes. Ninguém, realmente, usa essas funções para realizar trabalhos sérios: elas são, como os objectos algo caricaturais de um canivete-suíço, um conjunto de características curiosas.
Funções desincorporadas dão-me pistas importantes para pensar na demanda pela inteligência artificial: é absurdo achar que um programa informático venha a reunir as condições necessárias para desenvolver uma inteligência de tipo humano sem que o seu hardware seja humanizado primeiro. O temporizador do smartphone informa-nos sobre as horas, é muito certo, mas não é nenhum relógio: é, isso sim, a função desincorporada de um relógio. Logo, não será possível criar uma mente humana artificial, sem criar-se, primeiro, um invólucro antropomórfico para a albergar, porque a mente humana é o somatório do cérebro e do corpo humanos -- se fosse possível transplantar-se com sucesso um determinado cérebro para um corpo diferente, em pouco tempo esse órgão, em parceria com o novo corpo, reestruturaria uma nova mente e passaria a pensar de uma maneira diferente. O cérebro evoluiu para pensar, tal como os pulmões evoluíram para oxigenar o sangue, mas não pensa sozinho. No limite, poderá imitar-se a função dessa inteligência, mas, obviamente, ela nunca será real. Apenas um palito de canivete-suíço.
Não deixará de ser anacrónirónico que, daqui a umas duas ou três gerações, nenhum indivíduo terá conhecimento algum dos objectos analógicos para os quais as funções desincorporadas dos seus aparelhos digitais remetem: habituámo-nos a ver objectos obsoletos nos museus, mas as nossas casas já são museus.
Vós sois livres de pensar se isso é uma coisa boa ou uma coisa má.
(Foto do meu canivete-suíço, tirada com a função de câmara fotográfica do meu smartphone e dulcificada na aplicação Instagram.)
No que concerne às morfologias física e digital, o smartphone (designação criada em meados da década de noventa do século passado), na sua, já arquetípica, encarnação desenhada pelo quimérico Jonathan Ive, vai ao encontro da comum calculadora: em especial, mimetiza a aparência da calculadora desenhada por Dieter Rams para a outrora teutónica e titânica Braun, uma pequena maravilha de elegância e depuração. É provável que essa ausência de objectos num smartphone nunca passe, sequer, pelas cabeças dos utilizadores; no entanto, quando se pensa nela, curiosas questões ontológicas medram na mente.
Por exemplo: até que ponto são utilizáveis essas funções-fantasmas?
Pense-se no tradicional canivete-suíço: serão os seus objectos, ocultos em estreitas bainhas (que nem pinturas escondidas em cortes dianteiros de livros, relevadas quando se repelam as páginas) -- frágeis ersatzs miniaturizados de ferramentas úteis, como tesouras, chave de fendas, saca-rolhas, abre-latas, corta-unhas, alicate, palitos e talheres --, verdadeiramente úteis? Ou, por outro ponto de vista, serão uma selecta sincrética que, somente, tem como objectivo compor um objecto singular para fetichistas de MacGyver? Conservem esta concepção enquanto observam as funções desincorporadas que um smartphone possui e a problemática adquire uma perspectiva totalmente nova: esses aparelhos estão cheios de funções que nunca são usadas -- ou usadas uma ou duas vezes. Ninguém, realmente, usa essas funções para realizar trabalhos sérios: elas são, como os objectos algo caricaturais de um canivete-suíço, um conjunto de características curiosas.
Funções desincorporadas dão-me pistas importantes para pensar na demanda pela inteligência artificial: é absurdo achar que um programa informático venha a reunir as condições necessárias para desenvolver uma inteligência de tipo humano sem que o seu hardware seja humanizado primeiro. O temporizador do smartphone informa-nos sobre as horas, é muito certo, mas não é nenhum relógio: é, isso sim, a função desincorporada de um relógio. Logo, não será possível criar uma mente humana artificial, sem criar-se, primeiro, um invólucro antropomórfico para a albergar, porque a mente humana é o somatório do cérebro e do corpo humanos -- se fosse possível transplantar-se com sucesso um determinado cérebro para um corpo diferente, em pouco tempo esse órgão, em parceria com o novo corpo, reestruturaria uma nova mente e passaria a pensar de uma maneira diferente. O cérebro evoluiu para pensar, tal como os pulmões evoluíram para oxigenar o sangue, mas não pensa sozinho. No limite, poderá imitar-se a função dessa inteligência, mas, obviamente, ela nunca será real. Apenas um palito de canivete-suíço.
Não deixará de ser anacrónirónico que, daqui a umas duas ou três gerações, nenhum indivíduo terá conhecimento algum dos objectos analógicos para os quais as funções desincorporadas dos seus aparelhos digitais remetem: habituámo-nos a ver objectos obsoletos nos museus, mas as nossas casas já são museus.
Vós sois livres de pensar se isso é uma coisa boa ou uma coisa má.
(Foto do meu canivete-suíço, tirada com a função de câmara fotográfica do meu smartphone e dulcificada na aplicação Instagram.)
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sexta-feira, 10 de julho de 2015
"Recordar os Esquecidos": sessão de Julho
No próximo sábado, dia 25 de Julho, às 18H00, na livraria Almedina do centro comercial Atrium Saldanha, ocorrerá mais uma sessão do ciclo Recordar os Esquecidos, criado e moderado por João Morales.
Nestas tertúlias literárias, dois convidados recordam e resgatam livros e autores que, por diversos motivos, foram algo esquecidos ou passaram um pouco abaixo do radar dos leitores nestes tempos desanimadores de puro corso literário. Assim, para recordar alguns esquecidos muito especiais, nesta sessão de Julho, os convidados serão Fernando Pinto do Amaral e eu. Divulguem e apareçam: obrigado.
Nestas tertúlias literárias, dois convidados recordam e resgatam livros e autores que, por diversos motivos, foram algo esquecidos ou passaram um pouco abaixo do radar dos leitores nestes tempos desanimadores de puro corso literário. Assim, para recordar alguns esquecidos muito especiais, nesta sessão de Julho, os convidados serão Fernando Pinto do Amaral e eu. Divulguem e apareçam: obrigado.
Os dois Nicolaus
Hoje, 10 de Julho, assinala-se a coincidência de duas efemérides importantes, relacionadas com dois Nicolaus: Nicolau Coelho e Nikola Tesla.
O primeiro Nicolau (1460-1504), comandante da caravela Bérrio, da primeira armada de Vasco da Gama, chegou a Lisboa no dia 10 de Julho de 1499, vindo da Índia, com as novas da descoberta da Rota do Cabo: evento que mudaria totalmente a morfologia comercial e política da Europa quinhentista, transformando um mundo paroquial, ainda centrado em mecânicas adjacentes ao Mar Mediterrâneo, num mundo global, virado, em definitivo, para o Oceano Atlântico.
O segundo Nicolau (1856-1943), inventor sérvio que nasceu a 10 de Julho, criou a corrente eléctrica alternada (polifásica), lavrando o terreno para o nascimento do século XX tecnológico. De certa forma, ambos ajudaram a ligar partes desavindas do mundo -- e Tesla chegou, ainda no seu tempo, a pensar na possibilidade de desenvolver de modo prático aparelhos audiovisuais portáteis de comunicações sem fios (os smartphones contemporâneos).
Ainda existirão indivíduos capazes de cobrir o Sol com as envergaduras das suas silhuetas: temos é de deixar de olhar para o chão para conseguirmos vê-las.
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Nikola Tesla
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Novo romance de Filipe Homem Fonseca
Filipe Homem Fonseca (argumentista, músico e realizador) irá lançar o seu novo romance, intitulado Há Sempre Tempo Para Mais Nada (Quetzal, 2015), no próximo dia 7 de Julho (terça-feira), às 21H30, no bar A Barraca do Teatro Cinearte (Largo de Santos, nº2, em Lisboa). A apresentação será feita por Nuno Miguel Guedes e o evento contará com leituras de trechos do romance por Maria Rueff e
Miguel Martins. Divulguem e apareçam.
Filipe Homem Fonseca assinando exemplares do seu romance anterior
Se Não Podes Juntar-te a Eles, Vence-os (Divina Comédia, 2013).
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