domingo, 28 de fevereiro de 2016

A sabedoria das árvores


Por horas excepcionais tenho sentido no ar deste Fevereiro pálido, ainda hesitante entre uma Primavera matura e um Inverno senescente, a rescendência do cio das árvores, derriçadas pela temperatura: um eflúvio flexuoso, que bóia a custo no espaço castigador entre os copados e o chão. Sem cérebro, são as árvores mais sábias que nós – os pensantes –, pois, por mais palinologia que nos pule aos ombros, não compreendemos (quanto mais antevemos) os metamorfismos que nos vão demudando. Nada nos prepara para o fatal cair das folhas, nem para os nossos pouquíssimos reverdecimentos. Pode ser-se alérgico a esse estro dendrítico, abafadiço da garganta, e, no entanto, não se é alérgico à morte.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sobre a sobrevivência da Calçada Portuguesa em Lisboa



Extrair a chamada Calçada Portuguesa dos pavimentos públicos pedonais de Lisboa com base no argumento de que é legítimo fazê-lo porque ela não é tão antiga quanto se pensa, como se apregoa nos meios de comunicação, é, com efeito, errado, já que uma maior distância temporal que separe um determinado objecto histórico deste momento presente não confere nenhuma especial autoridade a esse objecto em relação a outros que sejam de lavra mais recente: sobretudo no que concerne à transformação do espaço urbano, ao longo das eras, pelos indivíduos que o foram habitando – tudo é histórico.

Por conseguinte, numa perspectiva histórica, a oitocentista calçada portuguesa, composta por mosaicos decorativos feitos de pedras calcárias pretas e brancas, é tão importante quanto o quinhentista Mosteiro dos Jerónimos: monumento cujo recorte inconfundível para todos os observadores locais e todos os visitantes estrangeiros deve, hoje, muito mais a profundos restauros oitocentistas do que ao seu desenho original – assim como a acarinhadíssima Torre de Belém, ainda mais totalmente reincorporada de elementos decorativos e estruturais oitocentistas que, para a maioria dos lisboetas e demais portugueses, são ainda vistos como sendo iniciais. Nestes casos, em que pouquíssimo resta de original – leia-se quinhentista – nas suas composições, também será legítimo removê-los – o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém – por consistirem em recriações recentes (e absolutamente contemporâneas dos primeiros assentamentos lisboetas de Calçada Portuguesa)?

Justificações de remoção de um objecto histórico baseadas na suposta autoridade ou não-autoridade concedidas pela calandragem do tempo são espúrias. Suspeito que o facto de, cada vez mais, existirem pouquíssimos calceteiros qualificados para fazer a conservação de um objecto tão ornamental e difícil de burilar como a Calçada Portuguesa torne muito caro o seu emprego; assim, imagino que cada vez que se rompa um rego na Calçada Portuguesa para remendar um cano, ou cada vez que tenha de desfazer-se o puzzle da Calçada Portuguesa para obras de natureza diversa, seja mais utilitário (vulgo, barato) substitui-la por prosaicos pavimentos lisos, de cimento branco.

Soluções rápidas e simples deste jaez quase nunca se relacionam com motivos mais nobres que o elementar economicismo: é este – e não outro – que subjaz à sanha sarcótica de querer remover a Calçada Portuguesa das ruas de Lisboa. Nesta óptica, o tal argumento de que não faz mal que a Calçada Portuguesa desapareça, porque ela não é assim tão antiga quanto isso ainda poderá servir para derrubar o Mosteiro dos Jerónimos ou a Torre de Belém quando os corifeus do economicismo aprenderem um pouco de história e ganharem a noção de que esses monumentos também são reconstruções oitocentistas, coevas das primeiras pavimentações de Calçada Portuguesa em Lisboa.

Onde se traça, afinal de contas, a linha temporal aceitável para que um objecto histórico tenha licença para continuar a existir? Aparentemente, nem objectos mais antigos escapam à cupidez e à estupidez: basta lembrar que a escadaria seiscentista do ducentista Mosteiro de Alcobaça foi quase totalmente coberta de cimento quando, há uns anos, se produziu a nova praça que lhe é dianteira.

A beleza da Calçada Portuguesa revela-se com deslumbrância quando é contemplada de cima, mas aí reside outro grande obstáculo à sua sobrevivência no período que, infelizmente, atravessamos: é que gente menor é incapaz de olhar seja o que for de um ponto de vista elevado.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

«O Poema Morre» na lista dos Melhores de 2015

O Poema Morre (Kingpin Books, 2015), escrito por mim e desenhado por Sónia Oliveira, foi escolhido pelo crítico Pedro Vieira de Moura como um dos melhores livros portugueses de banda desenhada editados em 2015 para a lista internacional de Melhores do Ano, publicada anualmente pelo crítico inglês Paul Gravett. Nesta ligação podem aceder directamente às escolhas de Moura.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Inspector Literário


My literary inspector scrutinizing two new chapbooks I bought today - World Cat Day (in Europe, at least). Hard readers pet better.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mesa-redonda e exposição de BD na Leituria

No próximo sábado, dia 6, às 17H30, decorrerá na livraria Leituria uma mesa-redonda subordinada ao tema Expansão e Desafios da BD Portuguesa, que contará com as presenças dos autores André Oliveira, Carlos Pedro, David Soares, Joana Afonso, Mário Freitas, Nuno Duarte, Osvaldo Medina e Sónia Oliveira (os autores, todos publicados pela Kingpin Books, estarão disponíveis para autografar os seus livros e pranchas originais). Este debate inaugurará uma exposição de pranchas originais de banda desenhada, dos diversos autores presentes, que estará patente na Leituria até ao dia 3 de Março. Divulguem e apareçam: obrigado.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sustos às Sextas estão de regresso

A partir de 15 de Janeiro, o ciclo mensal de palestras sobre horror Sustos às Sextas está de volta à sede da Fundação Marquês de Pombal. Até Maio, o Palácio dos Aciprestes andará assombrado por tertúlias, contos e palestras, músicas, dramatizações e muitos espíritos inquietos. Confiram no programa abaixo e vejam o teaser horripilante realizado pela Thinkers, organizadora do evento, juntamente com o professor António Monteiro.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Sherlock castrado, não


Sabemos que o nível de atenção do público está atingindo o nádir quando a maioria das críticas publicadas pela Internet a «The Abominable Bride», novo episódio da intermitente série Sherlock (do canal inglês BBC One), possui como aglutinador a acusação de que o enredo foi demasiado confuso. A minha opinião é que não foi demasiado confuso, nem demasiado simplista: manteve um nível razoável de complexidade; mas o problema desta séria - que existe um problema com ela - não passa por graus de intrincacia, mas por uma abrupta e intensa vontade dos produtores em dar ao público aquilo que ele mais aprecia: telenovela.

A temporada mais recente (a terceira) é uma lúcida demonstração de como o investimento telenovelesco em relações informais (à falta de palavra melhor) entre personagens, quase sempre pautadas pelo humor, ainda por cima, deslocando para segundo plano (ou para terceiro plano) aquilo que foi o cerne da primeira e da segunda temporadas - o mistério policial - e que fez, com toda a justiça, a fama e a fortuna da série e dos seus actores principais, está a transformar Sherlock num produto que corre o risco de alienar todos os espectadores que, enfim, gostam verdadeiramente do conceito de Sherlock Holmes: ou seja, aqueles que querem, de facto, ver Sherlock e Watson a resolver mistérios complexos, de laivos exóticos, que é o apanágio do cânone, e se estão nas tintas para os ditos problemas de inteligência emocional ou da vida amorosa das personagens. Aliás, aquilo que torna fundamental a série produzida nos anos oitenta e noventa pelo canal inglês ITV Granada, interpretada por Jeremy Brett (ainda o Sherlock perfeito) e David Burke e Edward Hardwicke (ambos o Dr. Watson, com Hardwicke a compor, sem esforço, a caracterização definitiva), é a formalidade cúmplice entre os protagonistas - formalidade, essa, que serve de absoluta "fourth wall" para o público: quebrada essa fina barreira em Sherlock, a série está a banalizar-se vertiginosamente, com o titular Sherlock apenas a passear-se com um ar de "I-do-my-little-turn-on-the-catwalk" e a desgastar muito depressa uma imagem conquistada com grande credibilidade. Já se esperava isto, quando Watson, às tantas, lhe diz no segundo episódio da terceira temporada: "-You are not a puzzle solver; you never have been. You're a drama queen." É o Sherlock que o público quer ver, está tudo dito. Quem prefere outro estilo, que reveja os episódios com Jeremy Brett (eu revi-os todos para tirar o gosto a telenovela que a terceira temporada de Sherlock me deixou na boca, na altura em que foi transmitida, e recomendo).

E no que diz respeito à suposta inovação cénica de Sherlock, em cruzar no mesmo palco personagens de diferentes linhas narrativas ou de tempos afastados uns dos outros, vale a pena recordar (que esta coisa da memória anda, também, pela sarjeta) a saudosa série The Storyteller de Jim Henson que foi a primeira - e a única até agora, que eu tenha ideia - a fazer a mesma coisa e de um modo ainda mais hibridizado. Sherlock precisa urgentemente de recuperar a fortitude testicular que assinalou as duas primeiras temporadas.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Palestra na Escola Superior Artística do Porto-Guimarães


No próximo sábado, dia 9, das 10H00 às 13H00, estarei na Escola Superior Artística do Porto-Guimarães para dar uma palestra sobre a minha obra literária e de banda desenhada aos alunos de mestrado de BD e Ilustração, no âmbito da disciplina de História dos Sistemas Icónico-Verbais, do Professor Doutor João Miguel Lameiras (a quem devo o amável convite).

(Imagem: vinheta de O Poema Morre, livro de banda desenhada escrito por mim e desenhado por Sónia Oliveira. Kingpin Books, 2015.)


sábado, 2 de janeiro de 2016

'Best of' de 2015 de artigos no Cadernos de Daath


Segue um best of composto por alguns dos artigos mais populares que publiquei durante o ano passado no blogue Cadernos de Daath. Agrupei-os em sete temas, por ordem cronológica: Obra (sobre os meus livros), Cultura, Actualidade, Literatura, Cinema, História e Teorias das Conspirações. Convido-vos, pois, à releitura ou à descoberta de algumas das minhas inquietações, realizações e predilecções de 2015.






- Cultura: 



 - Actualidade: 



 

- Literatura:

O Vício da Gravidade.


- Cinema:







Best of "instagramático"


Last year's fan favorites.
Já me seguem no Instagram? Estou nesta ligação: http://instagram.com/david.luis.soares

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Duas recomendações históricas para Janeiro


No final deste mês serão editados dois livros de história que aguardo com entusiasmo: Final Solution: The Fate of the Jews 1933-1949 de David Cesarani (falecido no passado mês de Outubro) e The Holy Roman Empire: A Thousand Years of Europe's History de Peter H. Wilson.

O primeiro consiste numa observação sobre a Solução Final Para a Questão Judaica, segundo a perspectiva "funcionalista", por oposição à "intencionalista" (eu considero a perspectiva "intencionalista" muitíssimo mais realista; no limite, consideraria igualmente credível uma perspectiva "mista", mas de pendor "intencionalista"), e aparenta ser um dos títulos mais robustos escritos sob esse ponto de vista. Vale a pena lembrar que foi Cesarani que compôs outro retrato de Adolf Eichmann, descrevendo-o num novo estudo como sendo um doutrinado agente anti-semita, totalmente comprometido com a ideologia nacional-socialista, do que cifrar-se apenas como o calculista e ambicioso burocrata sem ideologia descrito por Hanna Arendt.

O segundo é um vasto volume que escalpeliza o longo e convoluto período do Sacro Império Romano-Germânico, desde Carlos Magno até Napoleão, ao mesmo tempo que examina os efeitos dessa entidade política no desenho do mundo contemporâneo.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Entrada de peso no Ano Novo

Para começar 2016 em peso, a revista LOUD! apresenta-se com o (já) mítico Abbath na capa e em entrevista. Além disso, há, evidentemente, o Balanço de 2015, com os melhores discos nacionais e internacionais escolhidos pelos colaboradores da revista (incluindo este vosso amigo); sempre uma excelente oportunidade para recordar ou descobrir discos que poderão ter escapado à atenção. Acrescento que este número traz a minha crónica bimestral, Consultor Funerário, desta vez sobre o fenómeno das chuvas de sangue -- em Portugal. Vão rápido que a esta hora ainda apanham um quiosque aberto, vão.



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Novidades para 2016


Novidades para 2016 - no próximo ano, a Kingpin Books reeditará dois livros meus: O Pequeno Deus Cego (2011), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa, e o meu clássico A Última Grande Sala de Cinema (imagem em anexo), escrito e desenhado por mim e publicado originalmente em Janeiro de 2003. Este título, em especial, será uma surpresa para os fãs, pois consiste no último livro que desenhei e muitos leitores que me começaram a ler depois da data da sua edição não fazem ideia de que desenhei a maioria dos meus primeiros livros de banda desenhada. Assim, a Última Grande Sala de CInema irá abrir para mais uma sessão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O Humano no Fantástico


Várias vezes defendi a adaptação cinematográfica do livro The Hobbit, de J. R. R. Tolkien, realizada em três filmes pelo cineasta neozelandês Peter Jackson, e ao ver a versão "estendida" de The Battle of the Five Armies (escrevi "estendida" entre aspas, porque as versões alargadas, editadas em DVD, são, na verdade, as originais, que serviram de matriz às mais curtas, exibidas nos cinemas) compreendo que estes filmes não poderiam, de facto, ter sido feitos de outra forma, pois compõem uma sequência perfeita que completa, em estilo, tonalidade e lógica narrativa, a trilogia anterior (The Lord of the Rings). Deste ponto de vista, penso que os problemas de percepção que The Hobbit cultivou, desde a estreia da sua primeira parte, relacionam-se com uma certa deslocação de expectativas: sob o espectáculo deslumbrante dos superlativos efeitos especiais (à la Ray Harryhausen do século XXI), existem apontamentos e ideias de uma fina subtileza que são continuamente interpretados de maneira oblíqua por um público cuja definição de "fantástico" presente na sua constelação cultural é paupérrima. Essa palavra ("fantástico") é dinâmica, evidentemente: tem-se transfigurado no desenrolar das décadas, assim como outros conceitos mais estruturantes (o princípio setecentista de "mal" difere em quase tudo da sua acepção contemporânea, assim como o modo como se vivia a morte no início do século XX é dissemelhante daquele que caldeia o início deste).

No fundo, prefiro designar o imaginário tolkiano por "mitologia fundacional", posto que aquilo que a maioria do público entende por "fantástico" somente se relaciona com ele por via de algum mimetismo estético: essa pseudoliteratura feita por colagens sincréticas e apressadas dos arquétipos tolkianos, pontuada por uma intrínseca imaturidade, que em nada tem contribuído para a credibilização dos universos da imaginação junto de um público e de uma crítica mais sofisticados. Com efeito, o dito "fantástico" é incomensuravelmente maior que o nicho criado por Tolkien e seus imitadores, mas é, precisamente, esse nicho que chega mais vezes e mais depressa ao grande público - ora, talvez seja atempado e útil remir Tolkien desse nicho, com o qual ele apenas se aparenta superficialmente. Talvez seja atempado e útil deixar de ler Tolkien à luz de alguns anacronismos e preconceitos que têm obstaculizado a sua interpretação e cotejá-lo com os textos das cosmogonias das sociedades pré-clássicas, por exemplo, com os quais, em bom rigor, patenteia muita paridade. Existe um lirismo em Tolkien que nada tem a ver com o receituário patético que a sua obra, infelizmente, criou, mas que se une, profundamente, aos grandes mitos fundacionais.

Para além disso, sob as vestes diáfanas da fantasia, Tolkien cria retratos autênticos da natureza humana. A esse título, observe-se o cenário plasmado em The Hobbit: um tirano ocupa ilegalmente um território rico em recursos, expulsando os seus habitantes que, anos mais tarde, intentam recuperar essa terra prometida; uma vez eliminado esse tirano, assiste-se a uma vera pulverização de poderes, com diversos grupos locais, cada qual à sua maneira e com diferentes motivos, tentando agarrar o controlo desse território. Em paralelo, nas fímbrias do palco, um novo candidato a tirano arrebanha radicais tropas de elite que, sob bandeiras negras, só tem como objectivo a hegemonia global sobre todos os restantes grupos que, note-se, parecem mais interessados em digladiar-se por miríficas riquezas do que em unir-se para combater a ameaça comum.

Sim, Tolkien não tem, de maneira nenhuma, nada a ver com a realidade e a experiência humanas.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Grandes livros de 2015


Este ano, reformulei a lógica de recomendações literárias de final de ano: em vez de escolher os "melhores" livros de 2015, escolhi os livros que, independentemente de serem os melhores do ano ou não -- sempre um critério subjectivo e não-livre de influências conjunturais --, me despertaram mais a atenção, pela sua originalidade e pertinência editorial; além disso -- e, neste aspecto, foi, de facto, uma orientação rigorosa --, somente escolhi livros escritos ou traduzidos em português (todos, claro, de não-ficção). No final de 2016, o(s) critério(s) será (serão) outro(s), certamente, mas este ano o resultado é o seguinte (sem qualquer ordem de preferência):

1) Animais e Companhia na História de Portugal (coord. Isabel Drumond Braga e Paulo Drumond Braga). Círculo de Leitores -- um livro espectacular que, de modo completíssimo, examina o papel e a presença dos animais, em múltiplos campos, ao longo da história de Portugal. Um volume essencial para o historiador e para quem gosta de animais.

2) Casas das Elites de Lisboa: Objectos, interiores e vivências - 1750-1830, de Carlos Franco. Scribe, Produções Culturais, Lda. -- análise profunda de uma vinheta temporal e social, partindo do estudo das vivências das elites lisboetas para chegar a uma tessitura mais densa, inserida no contexto nacional.

3) Casas com Escritos: Uma História da Habitação em Lisboa, de Margarida Acciaiuoli. Editorial Bizâncio -- em conjunto com a leitura do livro citado anteriormente, o panorama apresentado por esta obra ganha ainda mais fôlego. De facto, os estudos da vida quotidiana lisboeta, de meados do século XVIII até à actualidade, em principal nesta perspectiva direccionada para o espaço habitacional, ficam supinamente enriquecidos com estas edições de 2015.

4) História Política da Cultura Escrita, de Diogo Ramada Curto. Verbo -- excelente conjunto de ensaios e reflexões sobre o modo como a produção intelectual foi sendo instrumentalizada -- e influenciada -- pelo(s) poder(es) político(s) ou pelos poderes que, às tantas, também fizeram (e fazem) política.

5) Uma História da Curiosidade, de Alberto Manguel. Tinta-da-China -- ensaio sobre a curiosidade é uma definição redutora para este livro delicioso que, como podem ver pela fotografia que ilustra este texto, é o preferido do meu gato -- por sinal, bastante curioso.

6) História do Corpo (dir. Jean-Jacques Courtine, Alain Corbin, Georges Vigarello). Círculo de Leitores -- obra em seis volumes, na qual o corpo humano e suas representações e objectificações ao longo das eras são estudados com apuro numa abordagem interdisciplinar.

7) Racismos: Das Cruzadas ao Século XX, de Francisco Bethencourt. Temas e Debates -- já falei sobre a edição original deste livro (em inglês) na minha lista de fim de ano de 2014 e é essa a edição que podem ver na imagem; todavia, este ano foi dada à estampa a versão portuguesa deste ensaio sobre o racismo e não posso deixar de mencioná-la, pois é um trabalho destemido e inestimável.

Boas Festas -- leiam bons livros e, sobretudo, pensem sobre o que leram e entreteçam relações entre matérias, à partida, díspares, pois a variedade deleita o pensamento.
David Soares, Dezembro 2015.


domingo, 20 de dezembro de 2015

David Soares - tertúlia literária na Faculdade de Letras de Lisboa



Vídeo da tertúlia literária sobre a minha obra, com moderação de José Duarte (investigador do Núcleo de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa), no âmbito da primeira edição do Festival de Ficção Científica e Fantasia - The Padawan Wars (4 de Dezembro de 2015).

sábado, 19 de dezembro de 2015

Nova temporada do ciclo de palestras Sustos às Sextas


Daqui a menos de um mês, no Palácio dos Aciprestes, sede da Fundação Marquês de Pombal, terá início a nova temporada do ciclo de palestras Sustos às Sextas, organizado por António Monteiro, João Castanheira e Sandra Araújo. O programa desta segunda temporada, como poderão comprovar, é tão eclético quanto o da primeira. Eu lá estarei, no dia 18 de Março, para participar com uma palestra bastante heterodoxa e iconoclasta. Comecem já a estruturar as vossas agendas em órbita deste evento e, claro, divulguem: obrigado.

Entretanto, vale a pena recordar a palestra que dei no evento do ano passado: À Mercê da Medicina: Farmacologia Canibal Europeia e Portuguesa na Prática e na Cultura. O vídeo que se segue é, somente, um excerto dessa palestra, que teve cerca de duas horas de duração.




terça-feira, 8 de dezembro de 2015

«O Fantástico e o Real» nas Conversas Imaginárias 2015


Informo os fãs e amigos que irei estar na Fyodor Books no próximo sábado, dia 12, às 16H45, para uma tertúlia literária subordinada ao tema «O Fantástico e o Real»: conversa, essa, que contará ainda com o insigne cineasta e escritor António de Macedo como meu companheiro de mesa. A tertúlia insere-se no programa do evento Conversas Imaginárias 2015, organizado por Rogério Ribeiro e João Campos: um elenco de temas e palestras em órbita da literatura dita fantástica e análogos universos diegéticos. Apareçam, porque quando eu e o António nos juntamos o resultado é sempre espectacular -- quem já assistiu a eventos anteriores sabe que é verdade. Daí que agradeço a vossa presença e a divulgação: toca a partilhar.