domingo, 30 de agosto de 2009

A ferro quente

Acabei de ver Inglorious Basterds, o novo filme de Quentin Tarantino, e esperava melhor. Sim, os diálogos tarantinescos estão lá (talvez demasiado conscientes de que são diálogos tarantinescos), as referências ao material inspirador são correctíssimas e, no geral, o filme está muitíssimo bem feito. Mas ser um filme muitíssimo bem feito não chega: é preciso que o filme se leve a sério; coisa que Pulp Fiction, ainda mais over-the-top que Inglorious Basterds, fazia melhor.

Aquilo que o aparta da minha sensibilidade é o sentimento que ele me transmitiu de se tratar de uma espécie de filme de propaganda pró-aliada, realizado durante a Segunda Grande Guerra, num momento qualquer em que seria impossível adivinhar o desfecho do conflito. E sê-lo, sem assumir sê-lo, adoptando uma postura afectada, clownesca, que me deixou um gosto amargo na boca.
Observado por essa óptica, o final da história, com a morte da elite do partido nacional-socialista alemão dentro de um cinema fazia todo o sentido e ganhava, inclusive, um sopro de rebeldia que, diga-se de passagem, faz muita falta a Inglorious Basterds: é que para filme Série B (ou, no mínimo, para filme que quer homenagear alguma Série B), este título é demasiado bem-comportado. Quando, perto do final, a carripana conduzida por Hans Landa atravessa a mata, na direcção do espectador, fiquei à espera que aparecesse uma claquete em grande plano e se ouvisse uma voz-off a gritar "Corta!", seguida de um zoom-out em torção no qual se visse a equipa técnica que estaria a filmar Inglorious Basterds enquanto filme de propaganda pró-aliada... É óbvio que isso não aconteceu, mas que seria uma solução metafísica bem mais interessante que a conclusão que nos é oferecida, lá isso seria. E honesta.

(O espírito do novo filme de Tarantino vai ao encontro dos comics de propaganda pró-aliada que se publicaram nos anos da Segunda Grande Guerra, mas esses tinham mais pertinência porque o desfecho da guerra era uma incógnita. Se esta história do Capitão América fosse publicada hoje como é que seria recebida?)

E quão mais interessante, ainda, seria se Tarantino tivesse realizado um filme deste género, mas passado na actualidade e com uma tropa de choque norte-americana a caçar talibãs no Afeganistão!... Não só seria um argumento com maior ressonância, como mais arrojado. Assim, matar o Hitler, o Goebbels e outros cabecilhas nazis no cinema é, literalmente, bater a mortos e a piada (que a tem), infelizmente, esgota-se à superfície. Colocar Brad Pitt a caçar terroristas era outra louça.

(Entre a caricatura Brad Pittiana e o Pato Donald, eu prefiro o Pato Donald.)

Mas se o filme, apesar de não ser apresentado como história alternativa, e não tentar sê-lo, apontar nesse sentido, tem outro problema; e um que se relaciona com o estado actual do cinema de entretenimento.
Acho que Inglorious Basterds não foi feito para a minha geração.
Já Kill Bill não fora, apesar de se basear nos filmes de artes marciais. As referências pertencem à minha geração, certamente, mas a linguagem na qual as referências são instrumentalizadas já não. Isso não é motivo suficiente para classificar um filme como sendo bom ou mau, evidentemente, mas eu sinto-me mais próximo de um filme como Public Enemies, que estreou há poucas semanas e é, assumidamente, um filme para adultos, que com Inglorious Basterds. Sinto-me mais próximo de Jackie Brown, também de Tarantino, e que é, sem sombra de dúvida, um filme para adultos, que com Inglorious Basterds. Até para se fazer um pastiche é preciso levar o trabalho a sério. Ora eu acho que Inglorious Basterds ambiciona ser bem feito, mas não ambiciona levar-se a sério. E não o ambiciona de um modo que o prejudica bastante. Serve para lembrar que o tom de uma obra, mais que o estilo, é muito importante.

Parece que hoje em dia existe mais arrojo na maioria das séries de televisão que no cinema - o que é uma pena, porque, apesar do grande público ser composto por adolescentes, ainda existem adultos que gostam de ver filmes. Para quando uma longa-metragem ao nível da série televisiva The Wire, por exemplo, que não trata os espectadores como atrasados mentais? O dumbing-down da cultura de entretenimento é um fenómeno que me é estranho e se acreditasse em Deus dava-lhe graças por não ter crescido com os filmes e com os livros que se andam a fazer agora. Se isto é discurso à Velho do Restelo, que o seja. Garanto-vos que, pelo menos, é sincero.

Mas vão ver Inglorious Basterds. É giro e está bem feito. Só não fiquem é a espera que seja a obra-prima que andam por aí a dizer. Se quiserem ver um filme mainstream maduro e com pêlo na venta vão ver Public Enemies. Ainda deve estar em cartaz.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quando algo chamado Horror

A terceira edição do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa (MOTELx) está quase a chegar: tem início no próximo dia 2 e termina no dia 6, oferecendo uma programação riquíssima, como é seu apanágio.

Em breve, divulgarei mais pormenores sobre o evento. Para já revelo que o convidado de honra deste ano é o norte-americano Stuart Gordon, autor de filmes como Re-Animator, From Beyond, Dagon e Stuck, entre muitos outros. Este realizador tornou-se famoso com as suas adaptações cinematográficas de contos escritos por H. P. Lovecraft, mas, nos últimos anos, tem desenvolvido um trabalho diversificado, que explora outros abismos, mais urbanos, sem deixar de mostrar imagens perturbantes e colocar interrogações muito pertinentes. Fica o convite para que assistam aos filmes de Stuart Gordon, durante o MOTELx.

Convido-vos, de igual modo, a participarem na Masterclass de Stuart Gordon, a decorrer no dia 5 de Setembro. A Masterclass será conduzida por mim.

Fiquem com o trailer de Stuck (2007) e com uma cena de From Beyond (1986).



domingo, 16 de agosto de 2009

Mau jornalismo

Ontem foi publicado no suplemento Notícias Magazine, do jornal Diário de Noticias, um artigo intitulado A Invasão do Mundo Fantástico, escrito pela jornalista Mariana Correia de Barros, no qual a literatura de expressão fantástica, portuguesa e estrangeira, sai muitíssimo mal vista. Não porque se faça, nessa peça, uma crítica ao pior que o género tem para oferecer (ou sequer ao melhor), mas porque o bosquejo de perspectiva histórica em que o texto se suporta é errado e precipita uma argumentação que não se sustenta quando lida em paralelo com os factos.

Esta opinião sobre o artigo vai ao encontro do meu raciocínio, por isso escuso de escrever, em pormenor, sobre ele, aqui nos Cadernos de Daath. Aconselho, pois, a sua leitura, assim como a consulta da caixa de comentários, onde se está a gerar uma troca de ideias que vale a pena seguir.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Deus tem um discurso banal (e foi propositado)

Acabei de escrever o meu novo romance esta semana e aproveitei o tempo livre para ler, com mais atenção, alguns weblogs portugueses, relacionados com o Fantástico, enquanto género literário, que eu costumo acompanhar com regularidade (como este e este, que valem bem a pena). Porém, no seguimento disso, descobri, nos posts mais recentes, que se anda a gerar uma espécie de debate/discussão, neste círculo restrito da blogosfera, sobre certos textos escritos por, aparentemente, novíssimos aspirantes a autores portugueses de literatura fantástica; alguns deles publicados aqui, para leitura e análise crítica. A ideia que presidiu a essa apresentação fruiu de outro debate, no qual se discutiu a existência, ou a inexistência, de novíssimos escritores portugueses de literatura fantástica e o valor das suas obras, ainda desconhecidas.

Antes de comentar este assunto, quero deixar uma coisa bem clara: esta será a única vez que irei escrever sobre ele e só o farei porque não encontrei uma opinião parecida com a minha, nos diversos posts e caixas de comentários que consultei.
Acho que uma opinião como esta faz falta para colocar o tema em perspectiva, porque disseram-se coisas que não fazem sentido.

Para começar, existem variadíssimos problemas, relacionados com este “debate” bloguístico, que se levantou, mas a questão que se me afigura como mais urticante é esta: porque é que qualquer candidato a artista, seja ele candidato a escritor, pintor, músico ou realizador de cinema, precisa de andar a chatear os artistas já estabelecidos, da área em que quer vingar, para que leiam, vejam, comentem e critiquem o seu trabalho? Acham que essas pessoas têm que ter tempo livre ou vontade para fazê-lo?
Porquê?

Esta pedinchice pegada é uma consequência exclusiva de, nestes tempos do instantâneo, se ter encurtado a distância entre os autores e o público – coisa que eu, tenham paciência, acho que faz muita falta. Tanto aos primeiros, como aos segundos: é que o autor não é o público, nem o público é o autor; e quando uns começarem a confundir-se com os outros está o caldo entornado. Quando toda a gente é a mesma coisa, ninguém é nada.
Estas questões sobre apreciações críticas pedidas aos escritores pelos supostos aspirantes a escritores teria sido evitada se estes tivessem noção dos limites e soubessem qual é o lugar deles. Falo directamente para vocês: já vos passou pela cabeça ir chatear o George R. R. Martin e pedir-lhe que leia os vossos textos? Ou qualquer outro escritor estrangeiro de literatura fantástica?
Não?
Então porque carga de água é que querem chatear os escritores portugueses?... Transcrevo:

«São pessoas como o Rogério, o Luís, o LFS, o Candeias, o João Seixas, a Safaa e o Barreiros que nos poderão mais ajudar a progredir na nossa escrita. Por isso, as suas críticas são bem-vindas. Não relegando para segundo lugar, como é óbvio, as participações da malta nova! ;)»

«Porra, então façam alguma coisa para que a produção medíocre se possa tornar numa boa produção. Se, em 50 respostas, conseguirem realmente ajudar dois jovens a escrever um pouco melhor, então já terá valido a pena! Para que um futuro melhor se comece a desenhar no horizonte! Vou tentar postar um excerto por dia. Que me dizem desta ideia?»

Sobre citações como estas só tenho a dizer isto: os escritores portugueses de literatura fantástica não têm que fazer absolutamente nada para que «um futuro melhor se comece a desenhar no horizonte» a não ser fazer o trabalho deles: escrever.
Mais nada.

Eu sou escritor, não sou colaborador de uma linha telefónica de socorro aos aspirantes a autores, à espera dos pedidos de ajuda para resolver problemas nos textos, nas cabeças e nas vidas deles ou para «ajudar dois jovens a escrever um pouco melhor». Será que anda toda a gente a viver noutro planeta?
O que é que aconteceu à velha prática de escrever um manuscrito e enviá-lo a um editor para apreciação? Acham que a minha geração andou a pedinchar conselhos aos escritores mais velhos, quando começou a escrever? Quando eu acabava um manuscrito, tratava de enviá-lo às editoras que eu considerava adequadas. Se um exemplo "cá de casa" não serve, sempre podem ler as introduções que o George R. R. Martin escreveu para as obras compiladas no volume Dreamsongs, nas quais ele diz, várias vezes, que começou a escrever para ele, antes de submeter os pequenos contos a revistas. Não há uma única linha em que ele desvende que andou a pedir a autor X ou Y para lhe dar palmadinhas nas costas.

Porque, bem vistas as coisas, de que é que serve ao aspirante saber o que é que um escritor com obra feita pensa do trabalho dele?
O que é que isso pesa na decisão de um editor ir publicar ou não o trabalho que foi lido?
Nada.
A não ser algum enfatuamento serôdio que advirá do facto de se ter alguém que, se calhar, até se admira, a dizer “ai, está muito bem, está muito giro, és capaz, força, continua”. Das duas, uma: 1) ou os aspirantes, que querem que fulano de tal e sicrano leiam os seus trabalhos, andam à procura de uma forma barata de encher o ego ou 2) andam à procura de padrinhos… Se não é nada disto, seria boa ideia mudarem de estratégia, porque, já dizia o outro, “o que parece, é”.

Mas há mais. À medida que o “debate” foi crescendo, transformou-se num manancial riquíssimo de informações sobre o que se passa dentro da cabeça destes aspirantes a autores portugueses de literatura fantástica, entre as quais a incapacidade de aceitar críticas. (Aliás, isso está patente no título de um artigo que foi escrito como reacção às críticas que os escritores com obra feita deixaram nas caixas de comentários dos aspirantes a escritores, após lhes terem sido pedidas, como já vimos, as suas opiniões: “Sobre Críticas e Outros Rebaixamentos”.) Afinal de contas, não se viu que «as suas críticas são bem-vindas».
Nem é preciso dizer mais nada: o título citado acima deixa bem claro o que é que eles pensam das críticas e aquilo que pretendiam. Não desejavam «escrever um pouco melhor»: desejavam encher o ego, ponto. E, como isso não aconteceu, deu-lhes para escrever coisas deste género:

«Não aceito a crítica de me acusarem falta de leitura. Não aceito e pronto. Eu sou um bom falante da língua portuguesa. Do vernáculo ao científico. Posso dar erros, mas quem não os dá? Certamente com revisão minha muitos deles desapareceriam.»

«Penso que não seja por falta de vocabulário. Tenho um vocabulário que sempre excedeu a minha idade, a minha faixa etária, até mesmo as seguintes e tant no ensino como na escrita pessoal sempre primei por um vocabulário mais cuidado que os restantes (penso eu), mas ultimamente tenho tido este problema em manter sempre tudo num mesmo nível.»

«Basicamente considero-me um old school writer. Escrevo à mão e depois passo as 50 páginas de manuscrito para um documento word. Trabalheira enorme. Mas ninguém disse que seria fácil. Mas isso permite-me também cuidar toda a obra primeiro na generalidade e só depois, então, capítulo a capítulo.»

«Como é óbvio, tendo sido escrito por um rapaz de 15 anos, não se pode esperar uma obra-prima.
No entanto eu, pelo menos, acho que mostra um (se não grande, perto disso) potencial.»

«Quanto às personagens, aí permito-me a discordar completamente de vocês. Não a fiz realistas, não tentei sequer, todo o texto tem um contexto algo... etéreo, para falta de melhor palavra. O Nostranus, ou lá como o gajo se chama, é uma besta só porque sim.»

«Deus tem um discurso banal, e sinceramente foi propositado (…)»

«Nenhum dos escritores dos excertos aqui colocados pelo Francisco teve um curso intensivo de gramática portuguesa. O que tiveram foi tanto como eu, até ao 9º ano e sem muitos pormenores. (…) são erros que facilmente podem ser corrigidos com uma revisão do texto. Alguns deles poderão apenas ser falhas, por simples distracção. E digo-o por experiência própria.»

Tenham vergonha.

Não peçam a pessoas que têm obra feita, e nome respeitado na praça, que leiam as vossas coisas para, depois, lhes responderem desta maneira. Vocês acham que andamos aqui a brincar? Que “esta coisa do Fantástico” é um enorme fórum, onde são todos compinchas? Será que vocês já leram os livros das pessoas que andaram a chatear nas caixas de comentários? Um só, que seja? E se lessem, iriam ser mais comedidos nas vossas apreciações? Iam o tanas!, todos sabem que quem lê, critica; por isso não venham armar-se em viúvas virgens que isso já foi chão que deu uva.

A última questão que quero comentar é a da idade de um escritor e a relação com a qualidade do trabalho.
Não é de estranhar que na maioria dos concursos literários que, de quando em quando, erguem a cabeça, um pouco por todo o lado, se encontre o anonimato como parte imperativa do regulamento. Não só evita nepotismos, e outros ismos, como serve para evitar o estigma da idade: é que quem escreve bem, escreve bem – tenha cinco, dez, quinze, trinta, sessenta ou cem anos de idade.
Essa história dos autores em potência é uma treta.
Tirem isso da vossa cabeça.
Ou o texto é bom ou não é bom. E se não for, não é uma revisão que vai operar milagres.
Como em todas as artes, escrever é algo que sai de dentro para fora. Não vem de fora para dentro. Esqueçam os cursos de escrita criativa e os grupos de discussão, porque se vocês não forem bons, nada disso vos fará ficar bons.
A escola do escritor é a leitura. Só isto. A leitura, a reflexão sobre o que se lê e as regras da gramática. Que ele pode ou não respeitar, de acordo com o estilo. Mas não pensem que podem mascarar as vossas fraquezas dizendo que elas são o vosso estilo. Acham que enganam quem? Os vossos amigos, talvez, se eles estiverem para aí virados, mas os leitores exigentes não se deixam enganar. Por isso, quando vocês escrevem coisas deste género,

«E já agora, estão interessados em ler um texto (non-fantasy, aviso já), da minha autoria, que eu considero de qualidade? É um estilo de escrita mais solto e vago, que sinceramente duvido que vos agrade, parece-me que gostam de algo mais concreto, directo. Mas pelo sim pelo não, dêem-me a vossa resposta.»,

e ainda,

«(…) o conto como está não está nada de especial, mas sendo reescrito e levando uma grande volta (com mais 3 anos de leituras e escrita em cima) acho que poderia dar um conto engraçado. (…) É o que eu digo, são BOAS obras, na minha opinião. Esta não é publicável, mas o BOM está lá. Só falta, na minha opinião, trazê-lo ao de cima :)»,

querem ser levados a sério? Desculpem, mas não sou capaz de vos levar a sério.

Mais uns exemplos para toda a gente perceber o nível de ilusão a que isto chegou:

«Não há quem escreva bem e com originalidade, dentro do género? Há. (…) Uns têm, certamente, mais prática que outros, mas todos têm grande potencial para se tornarem os novos nomes do género (…) Esta última obra, atrever-me-ia a compará-la a uma qualquer do Neil Gaiman, em termos de originalidade. E não digo isto só por dizer - quem me conhece bem sabe que não evoco o nome do Neil em vão (xD)-, o Hedonê é MESMO bom!»

«Quanto ao Hedonê, creio que é uma obra soberba, tanto em termos de história como de escrita, ainda que precise de levar uma revisãozita.»

As obras soberbas não precisam de ser revistas. Por isso é que são soberbas. Mas uma obra má é uma obra má.
Acabou-se.
Não há volta a dar-lhe.
Com certeza que não será com «uma revisãozita» que se transformará o tal Hedonê no American Gods.
Não é assim que se faz.
Como se faz é fazer bem, desde o início até ao fim. E isso, cada um tem de aprender a fazer sozinho, não fosse o ofício da escrita um acto isolado que exige tempo e meditação. Não é nos “fóruns da net” que se aprende a ser o Neil Gaiman: aliás, não se aprende a ser o Neil Gaiman, em lado nenhum. Se anda por aí alguém com essa pretensão, está em maus lençóis.

«O que falha, na minha opinião, é a comunicação entre o Fandom e os comuns leitores, que são os escritores de amanhã.»

Isto está errado até aos ossos. Os comuns leitores de hoje não são os escritores de amanhã: os comuns leitores de hoje são os comuns leitores de amanhã. Os escritores de amanhã são aqueles que já são escritores hoje.
Vamos lá a ver uma coisa: vocês querem ser escritores, porquê?
Porque acham que é giro? Que dá dinheiro? Ou apenas acham que querem ser escritores, porque são leitores que gostam muito de ler uma determinada coisa e escrevem histórias semelhantes àquilo que lêem? Se é para isso, já há um nome: fan fiction.
Eu também gosto muito de ouvir música, mas não me passa pela cabeça andar a dizer que sou músico ou que quero sê-lo. Sinto-me fascinado pelos mecanismos secretos do corpo humano, mas não me passa pela cabeça dizer que sou anatomista ou que quero sê-lo… A ideia que eu quero transmitir é que não se diz, com leviandade, que se quer ser escritor.

Para começar, é preciso sê-lo, antes de sequer se pensar em sê-lo. É assim que acontece com todos os artistas.
Porque estamos a falar de arte, caso alguém se tenha esquecido.
Vocês fazem ideia da trabalheira que dá ser escritor?
À séria?
Acham que se pode escrever uma coisa qualquer, que, depois, faz-se «uma revisãozita» e está pronto? Que o texto fica ao nível dos romances do Neil Gaiman? Vocês estão muito enganados.
Bem sei que esta poderá ser uma opinião – e uma realidade – impopular, mas, como dizia o Léon Bloy, um dos meus escritores preferidos, «o autor não prometeu divertir ninguém – prometeu, antes, o contrário e cumpriu, fielmente, a sua palavra.»

Enfim, trocado em miúdos: cresçam e apareçam.
Em essência, toda a gente que escreve no fórum do Filipe Faria foi citada como sendo um autor português de literatura fantástica, mas… quantos é que já submeteram trabalhos a uma editora?
Esse fórum deve ser um verdadeiro viveiro de talentos. Um deles até está ao nível do Neil Gaiman – é extraordinário. Para quando um aspirante a autor ao nível do George R. R. Martin ou Tolkien?
Só é uma pena que esse fórum não ande a produzir talentos que escrevam melhor e que tenham menos arrogância em cima das costas. Em vez disso, dá-nos talentos para os quais a gramática não interessa e os defeitos contam como efeitos arrojados, à la pós-modernismo.
Ainda por cima, talentos que têm a lata de ficar danados com críticas sinceras que lhes fizeram as pessoas que eles andaram a chatear nos weblogs pessoais, pedindo-lhes que fossem ler os excertos.

Não gozem com a nossa cara e aprendam a escrever, se forem capazes.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Novo romance terminado

Um post rápido só para vos informar que terminei a escrita do meu novo romance.
Agora vou relê-lo com atenção e corrigir aquilo que ficou feio. Só é publicado para o ano, pelas edições Saída de Emergência. Quando ele sair, já deverei estar a escrever outro.
Vou dando novidades. Fiquem por aí.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Under a capricorned moon

As edições Saída de Emergência acabam de publicar uma excelente antologia de contos de ficção científica, intitulada Com A Cabeça Na Lua, que especulam sobre viagens à Lua, e subsequentes alunagens, com o traço distintivo de terem todos sido escritos antes desse desiderato ter sido concretizado em 1969.

Trata-se de uma edição de inegável bom gosto, e saber-fazer, mérito do organizador João Seixas, editor, autor e conhecedor do género que, com este volume, consegue criar algo bem especial com as participações de Arthur C. Clarke, Isaac Asimov e Robert A. Heinlein, entre outros. Podem ler um excerto aqui.
A leitura é, ainda, enriquecida por uma série de introduções e notas que contextualizam e aprofundam os registos, à luz da distância temporal que nos separam deles. Que delícia!

Para quem se queixa que não se publica nada de ficção científica em português, aí está um belo volume que fará pensar, sonhar e, porque não?, viajar.

E porque a Lua tem sido, numa óptica algo saloia, vinculada ao culto do Feminino (na maioria dos grandes cultos pré-clássicos, como o egípcio, a Lua era sempre uma entidade masculina, mas não vamos estragar a festa aos new agers...), vale a pena usá-la como ponte e sugerir uma proposta glamorosa para o próximo sábado: o regresso a Lisboa da artista norte-americana Tara McPherson, enfant terrible dos comics alternativos - e não só, tendo criado diverso artwork para bandas como Depeche Mode, Duran Duran, Interpol e outras.

No programa de uma tour europeia, de grande fôlego, Tara irá deslocar-se à loja Kingpin Books, pelas 17H00, para apresentar o seu novo trabalho, conversar com os fãs portugueses e espalhar o seu charme satânico pelas folhas brancas que lhe entregarem.

domingo, 5 de julho de 2009

MUCHA: preview




Quatro pranchas da banda desenhada Mucha, escrita por mim, desenhada por Osvaldo Medina e arte-finalizada por Mário Freitas.
A sair em Outubro, pela Kingpin Books.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Feira Laica para todos

Durante este fim de semana, ocorre mais uma edição da Feira Laica, a maior feira portuguesa de edição independente. O evento, dirigido por Marcos Farrajota (Associação Chili Com Carne, Ediçoes Mmmnnnrrrg, Bedeteca de Lisboa), apresenta uma programação variadíssima e com propostas a não perder, desde lançamentos de livros, trocas de artesanato urbano e vestuário, e, também, mostras de filmes de animação - entre os quais O Paciente, de Pedro Brito, e Pássaros, de Filipe Abranches. A Feira Laica tem lugar nos jardins da Bedeteca de Lisboa.
A feira abre às 14H00, nos dois dias. Fecha às 21H00 no Sábado e às 19H00 no Domingo.
Não faltem!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lançamento da revista Callema #6

No próximo dia 18, às 16H30, é lançado o número seis da revista literária Callema. É na Livraria Trama. Consultem o cartaz para ficarem a saber os restantes eventos, associados a esta nova edição.

Como já havia desvendado, há uns tempos, este número traz uma extensa entrevista comigo.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Este blogue é para velhos

Há uns anos, quando mudei para a casa em que moro, ouvi um dos empregados do empreiteiro, responsável pelos trabalhos, a falar ao telefone com um amigo: dizia ele, sorridente, que estava a trabalhar numa obra no Restelo. Eu fingi que não era nada comigo: comportamento que adopto sempre que ouço alguém dizer disparates na minha vizinhança, porque, às vezes, até fico embaraçado pelos outros com as palermices que vou escutando (como dizerem que o Estaline era polaco, por exemplo, ou que incólume é uma coisa que serve para calafetar janelas). Mesmo assim, assumindo que a tal conversa sobre a obra no Restelo não chega, sequer, ao nível de palermice dos exemplos que apontei, é preciso esclarecer que não moro no Restelo, coisa nenhuma, mas em Alcântara.
Porque raio é que o homem se foi lembrar do Restelo? É aqui perto, mas não tanto que faça confusão. Depois lembrei-me: «Já sei! Quer armar-se. » Acho que o Restelo deve ser chique; mais que Alcântara, pelos vistos. Mas será que morar no Restelo ainda é sinal de status? E trabalhar no Restelo? O que é que isso poderá significar? Estas dúvidas tiram-me o sono.

É pensando nisso que eu acredito que as sementes da minha presente condição morbígera devem ter sido plantadas nessa altura. É que, cada vez mais, me sinto velho, pá. Neste caso, um velho do Restelo (se não o proverbial, um sucedâneo de pechisbeque).

Ou melhor, a ser um velho, serei o de Alcântara! Assim já posso candidatar-me a personagem original.
Acho que vou deixar o Velho de Alcântara escrever umas crónicas, de vez em quando. Aguardem pela primeira.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Recomendações culturais a não perder

Na próxima sexta-feira, às 19H00, a colecção THISCOvery CCChanel, património partilhado pelas editoras Thisco Records e Associação Chili Com Carne, apresenta o seu novo título na Galeria ZDB: um ensaio de Ondina Pires intitulado Scorpio Rising: Transgressão juvenil, Anjos do Inferno e Cinema de Vanguarda.
O livro será apresentado por Carlos Vidal (crítico de arte) e Fernando Cerqueira (co-editor).
A capa é da autoria do ilustrador João Maio Pinto.

Já amanhã tem lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho (Câmara Municipal de Lisboa) a primeira conferência de uma série de palestras, sobre os mais diversos temas, que, com regularidade, nos convidarão a reflectir. A iniciativa partiu do historiador Rui Tavares, que a imaginou e promoveu: obrigado, Rui!
A primeira das novíssimas Conferências de Lisboa é assegurada pelo historiador José-Augusto França, um luminoso pensador. A conversa começa às 18H00 e a entrada é livre.
Acompanhem o site do evento para ficarem a saber quais serão os convidados e os temas das futuras palestras.

terça-feira, 12 de maio de 2009

BANG!#6

O número seis da revista BANG! já está disponível, em formato pdf, para download gratuito no site das edições Saída de Emergência.

Contendo diversos ensaios e ficções, é um volume a não perder!
Destaco o ensaio de António de Macedo sobre as semelhanças e diferenças entre duas obras literárias, uma "erudita" e outra "popular": A Sibila de Agustina Bessa-Luís e Alraune de Hanns Heinz Ewers.
Este belíssimo texto será o primeiro de uma série de três dissertações (a segunda será minha e a terceira do João Seixas) que têm como ponto de partida as reflexões conjuntas que nós entretecemos sobre a dicotomia Literatura Popular vs Literatura Erudita e que podem ser lidas no número cinco da revista.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Entrevista na revista Callema

O número seis da revista Callema, uma edição da Cooperativa Literária, dedicada à divulgação da literatura (e não só), traz uma entrevista comigo, assim como um excerto de Lisboa Triunfante, o meu romance mais recente (publicado pelas edições Saída de Emergência).
Poderão encontrar a revista Callema nos pontos de venda habituais, como a Livraria Trama.
Detalhes sobre o lançamento para breve.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Mucha" will tear your head off

Acabei de ver mais uma série de pranchas da minha nova banda desenhada, Mucha, desenhadas por Osvaldo Medina e estou saltitante de satisfação: sou suspeito, posto que fui eu que escrevi o argumento, mas penso que o mundo da BD portuguesa nem faz ideia do que lhe vai cair em cima, por alturas do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

É o meu regresso à BD, depois da publicação de A Última Grande Sala de Cinema, em 2003. Quem conhece e gosta do meu trabalho já será capaz de formular uma ideia do que aí vem: o horror entrará pela porta grande; um horror maduro, perverso e que, espero, dará que pensar.
Estou ansioso por ver a banda desenhada terminada. Asseguro-vos que a arte-final realizada por Mário Freitas, da Kingpin Books, é incisiva, negríssima e pressiona todos os botões certos. O artwork da edição também é de sua autoria e eu não poderia estar mais contente com o resultado: elegante e funéreo, em simultâneo.

Daqui a uns tempos, publico aqui umas pranchas para vocês verem.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

É a "79ª Feira do Livro" ou é "A Grande Farra"?

(Mas que belo repasto!... É o novo restaurante da linha?
Não, é a 79ª Feira do Livro de Lisboa.)

Há coisas que, mesmo que se pensem, não se escrevem, logo: se alguém anda com a cabeça ocupada com pensamentos sobre comida, por favor não transforme a Feira do Livro numa ementa de Feira Popular.

Transcrevo do site do evento: «A 79ª Feira do Livro de Lisboa já começou. À hora de almoço, as persianas dos novos stands abriram-se e despertaram as letras de 2009. Este ano as montras são novas e as editoras apregoam os melhores títulos entre si. Farturas, pipocas, churros, bifanas, grelhados de carne e peixe, doces e gelados juntam-se ao cenário renovado da Feira que vai animar o Parque Eduardo VII todos os dias, até dia 17 de Maio.»

Ena pá!... Já me está a dar fome. Obrigado, Feira do Livro.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

79ª Feira do Livro de Lisboa e novidades

A 79ª edição da Feira do Livro de Lisboa começa hoje e termina no dia 17 de Maio. Vão até ao Parque Eduardo VII, comprem livros e divirtam-se.

Eu vou estar no stand das edições Saída de Emergência no dia 10, às 15H30. Levo uma caneta.

Vai ser uma pausa que vou fazer na escrita do novo romance que, assim espero, ficará pronto a tempo de ser editado este ano. Vou fazer os possíveis, mas a história é grande, complexa e continuo a ler material de referência. Em essência, estou a suar em bica e a colocar os carris à frente do comboio, que avança a grande velocidade. Escrever o livro é a única coisa que me interessa e qualquer interrupção põe-me numa pilha de nervos, mas vocês não precisam de ficar enervados com nada: garanto-vos que será um belíssimo trabalho. Acham que vos iria enganar?

O meu álbum de banda desenhada, Mucha, está quase todo desenhado pelo Osvaldo Medina. A seguir conto com o talento do Mário Freitas para arte-finalizar e cuidar para que fique tudo negro como o Diabo. E não é que ele já fez a capa e tudo? Ficou um espanto. Fiquem atentos que, em breve, darei mais notícias.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Atavismos #1

Chamo a atenção para este post do Luís Filipe Silva, que considerei pertinente e curioso. É a partir da sua leitura que teço a seguinte lucubração.

Nunca dei crédito à noção que as nacionalidades (conceito discutível - e inventado no século XVIII) se encontram imbuídas de características ingénitas; e o estudo da ciência e da história demonstra, sem espaço para dúvidas, que isso se trata de um mito bastante perigoso para a saúde. Mesmo assim, uma análise rigorosa talvez venha a descobrir que certos hábitos e ideais, quando transmitidos em jeito memético, tanto de modo horizontal como vertical, possam operar efeitos que, à falta de melhor adjectivação, sejam entendidos como manifestações atávicas. A imitação de comportamentos é um mecanismo natural da nossa espécie.

Costuma dizer-se que o "Problema Português", como aparece descrito na comunicação social, se relaciona com o atavismo: que somos saudosistas e indolentes; sonhadores e poetas. Enfim, um sem-número de buzzwords, que, demasiadas vezes, até são instrumentalizadas para nos fazer acreditar que se tratam de pedaços da nossa personalidade e conduzir-nos a determinados comportamentos.

Parece que uma das faces do nosso atavismo é, como muito bem escreveu o Luís, a falta de atrevimento para agarrar no passado e olhá-lo de outras maneiras.
Quando eu era miúdo não queria tocar na história de Portugal, nem com uma vara de cinco metros, por culpa da educação histórica, arreigada aos mitismos inventados pelo Estado Novo que as minhas professoras do ensino básico me apresentaram: os portugueses eram uns heróis, uns aventureiros e, sobretudo, uns beatos. Mais tarde, felizmente, descobri que as coisas, em última análise, se tinham passado de outro modo e comecei a gostar (e muito) de ler e aprender sobre a nossa história. Mais tarde, ainda, comecei a interrogá-la nos meus livros.

Na minha opinião, e já a exprimi de modo mais eloquente aqui, o problema da nossa, aparente, falta de imaginação e audácia literária reside no período demasiado longo em que este país esteve sob o jugo inquisitorial.
Não é novidade: é que nenhum país, no qual a influência da igreja católica seja, ou tenha sido, fortíssima, se encontra uma tradição de literatura fantástica. Este género literário, em qualquer das suas manifestações mais apuradas, é uma herança dos países de tradições religiosas protestantes. Dizer que aprovo uma religião em prejuízo da outra é não compreender o meu raciocínio: o que estou a fazer, espero, é a demonstrar que quando certos sistemas de pensamento, hostis à interrogação, à imaginação e ao livre discurso, se erguem, temos o caldo entornado.
Basta deitar o olho a essas excitantes fantasias que a máquina propagandista de Salazar inventou para nos fazer sonhar com um Portugal pequenino, rural, medieval. Olhar para pretéritas Ilhas Douradas, ao mesmo tempo que se despreza o mundo moderno, é uma característica fundamental do imaginário fascista: e a teocracia de Salazar foi um regime fascista; em muita coisa semelhante ao Estado Corporativo de Mussolini, mas com umas suásticas e umas Nossas Senhoras à mistura.

(Rezem, meu filhos, rezem. Rezem muito e pensem pouco. Ou nada, que ainda é melhor.)

sábado, 25 de abril de 2009

Cravos

Estive há poucas horas na Praça de Luís de Camões, em Lisboa, para assistir à chuva de cravos que consistiu uma das partes integrantes do programa municipal de comemorações alusivas ao trigésimo quinto aniversário do feriado nacional 25 de Abril. Foi muito curioso ver como os indivíduos puseram de lado, por breves momentos, o vulgar cinismo cosmopolita para se deixarem deslumbrar por algo, em simultâneo, tão simples, mas tão forte. Eu gostei. Foi uma boa ideia.
Outro tipo de cravos são as flores vermelhas das plantas carnívoras que medram à barba longa pelos fotogramas do filme The Ruins, de Carter Smith, a adaptação cinematográfica do romance homónimo de horror escrito por Scott B. Smith, no qual um grupo de jovens se vê no meio de um jardim dos prazeres às avessas, embrenhado na selva da América Central. Eu vi, ontem à noite, e gostei: está bem-feito, realizado com um inesperado sentido de economia, e a fotografia lembrou-me os velhinhos filmes italianos de canibais que fizeram as minhas delícias, e as de muita boa gente, nas tardes em que não se fazia mais nada depois das aulas a não ser ver os filmes chungas de terror alugados no clube de vídeo. Muitas piroseiras vi nesses dias de adolescência, mas The Ruins, felizmente, não tem nada de piroso: é jeitoso e vale a pena o preço do bilhete. O final funcionaria melhor se a última cena tivesse sido inserida após os creditos finais e não no epílogo, mas isso são outros quinhentos... Enfloramentos.

(Este período de crise faz com que toda a gente leve as mãos à cabeça,
diante de qualquer grande buraco.)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Novo romance (work in progress)

Um vislumbre à minha secretária, nesta fase de escrita intensiva.
Gostava que os dias fossem maiores, porque esperam-me muitíssimas páginas pela frente e ambiciono terminar o romance este ano. Porém, não vou apressar nada: trata-se de um livro complexo que exige muita concentração.
Ainda é cedo para revelar pormenores, ou publicar excertos, mas, daqui a uns tempos, prometo pôr aqui um trecho para que possam sentir o pulso à obra. Até lá, podem ler, em exclusivo, uma única frase que seleccionei só para vocês.