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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Mr. Burroughs" em livro de ensaios sobre BD

O meu álbum de banda desenhada Mr. Burroughs, desenhado por Pedro Nora e editado há nove anos pela minha (entretanto extinta) chancela pessoal Círculo de Abuso, é um dos livros escolhidos pelo académico Bart Beaty para figurar no seu ensaio sobre banda desenhada intitulado Unpopular Culture (Universtity of Toronto Press, 2006).
Diz Beaty que Mr. Burroughs é uma «surrealist, nightmarish reconceptualization (...) flattering to the comics form, seen as it is by many as a cross between literature and the visual» (pg. 101).

É sempre bom ver quando o nosso trabalho é reconhecido lá fora, sobretudo a nível académico.
Mr. Burroughs foi publicado em francês pela editora franco-belga Frémok (2002).

(Eu, numa loja de BD em Paris, com a edição francesa de Mr. Burroughs.)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Feira Laica para todos

Durante este fim de semana, ocorre mais uma edição da Feira Laica, a maior feira portuguesa de edição independente. O evento, dirigido por Marcos Farrajota (Associação Chili Com Carne, Ediçoes Mmmnnnrrrg, Bedeteca de Lisboa), apresenta uma programação variadíssima e com propostas a não perder, desde lançamentos de livros, trocas de artesanato urbano e vestuário, e, também, mostras de filmes de animação - entre os quais O Paciente, de Pedro Brito, e Pássaros, de Filipe Abranches. A Feira Laica tem lugar nos jardins da Bedeteca de Lisboa.
A feira abre às 14H00, nos dois dias. Fecha às 21H00 no Sábado e às 19H00 no Domingo.
Não faltem!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Banda Desenhada alternativa


As bandas desenhadas de Marcos Farrajota fascinam-me. Suspeito que a arte dele afaste alguns leitores, amantes de um traço mais perfeito (seja lá isso o que for…), mas eles é que ficam a perder: a perder histórias recortadas por um humor brut, mas inteligente. Na verdade, o registo autobiográfico das bandas desenhadas que se podem ler em Noitadas, Deprês e Bubas, resgatadas de fanzines e reeditadas em boa hora, tem uma lucidez desarmante.

Vocês sabem o que eu penso das histórias autobiográficas (e o Marcos, também...), logo a minha aprovação deste florilégio de deambulações nocturnas, episódios boémios e personagens bizarras pode surgir como uma surpresa, mas, de facto, não há motivo nenhum para se surpreenderem: é que as histórias, autobiográficas que sejam, são mesmo boas. E honestas! No meu glossário, a honestidade intelectual conta muito.

A personagem Marcos Farrajota observa o mundo à distância, mas não com cinismo; prefere ver a participar, é certo, pelo menos no que diz respeito a comprometer-se com cretinos, mas não tem medo de sujar as mãos quando o prémio vale a pena. E se, às vezes, acaba por ser desiludido, fala sobre isso com uma candura que não seria de esperar em apontamentos desta natureza. Mais: quando fala, fá-lo com piada. As histórias de Noitadas, Deprês e Bubas são divertidíssimas.

Não fazia ideia que o dilema entre comer ou não comer meia-dúzia de migalhas de pão poderia ser tão dilacerante, nem estava à espera de encontrar uma exposição tão transparente sobre um acto solitário (ainda bem...) de onanismo... Isto, meus amigos, não é a BD autobiográfica comum que aborrece e desanima: é na minha opinião, pura “BD Gonzo”, híbrida entre o egocentrismo de Hunter S. Thompson e a semi-psicopatia de Larry David.

Felizmente, é, também, um documento importante para se compreender o modo como a BD alternativa portuguesa deve bastante ao trabalho de Farrajota, tanto no que diz respeito à sua divulgação, como à inspiração. Eu bem sei que o Marcos gosta de apresentar as bandas desenhadas dele como peças brutas, mas no que diz respeito ao saber-fazer, elas pouco têm de “bruto”: estão muitíssimo bem elaboradas. Ele sabe, mesmo, contar uma história e isso é que faz uma boa BD.

Bem-vindos ao mundo da personagem Marcos Farrajota. Vale bem a pena conhecê-la.