Mais do que observar que se trata de uma calendarização radicada em
substrato dito pagão ou, por outro lado, num constructo cristão como o
Carnaval, retenha-se que consiste num período poroso em quem vivos e
mortos se aproximam da celofânica e frágil membrana a que chamamos
existência. Acredite-se ou não na presença operativa dos mortos ou que
se liberte o interstício das recordações para alcançá-los, o homem é,
assim, essa criatura excêntrica que é, individualmente,
todo um contínuo histórico e intransferível, cuja vida se faz com
todos: os que ainda cá estão e aqueles que já morreram. No proteiforme
limbo da imaginação, cadinho de todos os medos e todas as aspirações,
somos todos como a Louca Griet, de chuço em riste contra sabe lá ela o
quê. Neste mundo horroroso que é o da contemporaneidade, marcado pelo
utilitarismo extremo e pela mercearização do humano, às vezes só a
loucura, a quixotesca quimera de querer realizar sentido à força num
mundo boçal, hostil e artificial, pode remir o indivíduo. O futuro é um
horizonte rarefeito, coado pela peneira de infindas possibilidades — só
no passado encontramos aquilo que somos. Só no passado encontramos
aqueles que foram connosco.
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terça-feira, 12 de novembro de 2019
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Cabeça-de-abóbora
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
David Soares no Halloween egitaniense

No próximo dia 29 de Outubro (sexta-feira), às 22h00, o Aquilo Teatro na Guarda irá apresentar um espectáculo especial de Halloween, intitulado Nocte Horribilis: Uma Homenagem aos Mestres do Terror.
Para o efeito, irão ser lidos e representados textos de alguns dos melhores autores do género, como Bram Stoker, Ray Bradbury e Stephen King. Eu e o meu livro de contos de horror Os Ossos do Arco-Íris (Saída de Emergência) fazemos parte dessas escolhas.
Leitores egitanienses, fãs do verdadeiro horror, apareçam!
E A Luz Miserável está mesmo quase a chegar...
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