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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O triunfo da treta: história verídica


Haverá poema mais profético que The Triumph of Bullshit, escrito por T. S. Eliot? Profético na sua antevisão da desconsideração do intelecto em valimento da treta (da bullshit)? Como observou Harry Frankfurt em On Bullshit, os treteiros não se preocupam com a verdade, mas, somente em, entre aspas, "marcar pontos". Preocupam-se com a aparência do conhecimento, em mimetizar aquilo que pensam ser o conhecimento - e, muitas vezes, nem isso se encontra nos seus horizontes, tão limitados que estes são.

Como provou Otto von Guericke, no século XVII, através da sua luminosa experiência com os dois hemisférios de Madgeburgo (sobre os quais também escrevi nesta ligação), o vácuo - o vazio, lá está! - tem uma força extraordinária. Ainda hoje tem - o que é verdadeiramente espantoso: o vazio de inteligência, de carácter, de genialidade, tem uma força tremenda. Este, sim, é que é o verdadeiro "vazio lipovetskiano" no qual, infelizmente, se vive: é a era do vazio, pois é, mas de vazio de ideias, de intelecto, de valor. Existe por aí gente de muitíssima má qualidade: gente que não é sequer qualificada o suficiente para dar lustro ao chão pisado por aqueles a quem nunca haverão de chegar aos calcanhares. Cabe, pois, a quem tem horror ao vazio ter tolerância zero para com a treta e os treteiros.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre o vazio: hoje como ontem

Nem todos os cavalos do rei, nem todos os peões do rei,
foram capazes de partir este Humpty Dumpty.


Os leitores mais versados em história, principalmente em história da ciência, estarão com certeza familiarizados com a célebre experiência que o fabuloso físico Otto von Guericke realizou, em meados do século XVII (1650). Este cientista alemão desenvolveu uma bomba de sucção que lhe permitia extirpar o ar de dentro de qualquer recipiente fechado, de maneira a permitir-lhe estudar as propriedades misteriosas do vácuo. Esta palavra provém do nome latino vacuu, que significa vazio.

A revolucionária experiência consistiu no seguinte: Guericke uniu dois hemisférios de cobre, com cerca de cinquenta centímetros de diâmetro (os famosos Hemisférios de Madgeburgo, cidade em que o físico nasceu), e usou a sua bomba para sugar todo o ar contido dentro dessa recém-criada esfera. De imediato, usou uma parelha de dezasseis cavalos (oito para cada hemisfério) que, puxando com vigor em direcções opostas, não foram capazes de separar as duas metades da esfera. Treze anos mais tarde, na corte de Friedrich Wilhelm I, duque da Prússia, Guericke repetiu a experiência, usando uma parelha de vinte e quatro cavalos, e, novamente, mostrou a força imensa do vazio.

Tudo isto se passou no século XVII.
Período tão distante da realidade contemporânea.
Mas creiam que ainda hoje - ainda hoje nos nossos dias - o vazio tem uma força tremenda.