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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Invisualidade sonora

Foi com pena que li que o programa Invisual de Marcos Farrajota, na mítica Rádio Zero, vai de férias durante um tempo indeterminado. Fui lá duas vezes, nas quais me diverti bastante, e até cheguei a levar uns pastéis de Belém para eu e o Marcos comermos enquanto ouvíamos as músicas mais delirantes. Ficam as recordações de uns momentos bem passados.
O Marcos disponibilizou a lista de podcasts para que possam fazer download dos vossos programas preferidos. Deixo-vos os links para as minhas duas entrevistas: a primeira sobre A Conspiração dos Antepassados e a segunda sobre o Lisboa Triunfante, mas, com efeito, ambas acabam por ser sobre várias coisas. (A minha voz ouve-se um pouco mal na segunda, por culpa de um problema inesperado com o microfone, mas nada que um ouvido atento não dê resposta.)

Da minha parte, cá fico à espera que o programa regresse o mais depressa possível.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O dia da rádio

O que é que poderá apresentar, no mesmo intervalo de tempo, a lamechice doom-pop dos Depeche Mode, a chinfrinada ultra-técnica dos Suffocation, os berros de quatro oitavas da Diamanda Galás, a algaraviada decadente dos Mão Morta e o satanismo de pacotilha do filme The Exorcist de William Friedkin? Acertaram! É a próxima emissão do programa virtual de rádio Invisual, de Marcos Farrajota, cujo convidado serei eu.
A emissão, transmitida online pela Rádio Zero, tem início às 20H00 da próxima quarta-feira e repete-se no sàbado seguinte às 13H00.
Se sentirem o tempo a pesar-vos nas mãos, ouçam.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Banda Desenhada alternativa


As bandas desenhadas de Marcos Farrajota fascinam-me. Suspeito que a arte dele afaste alguns leitores, amantes de um traço mais perfeito (seja lá isso o que for…), mas eles é que ficam a perder: a perder histórias recortadas por um humor brut, mas inteligente. Na verdade, o registo autobiográfico das bandas desenhadas que se podem ler em Noitadas, Deprês e Bubas, resgatadas de fanzines e reeditadas em boa hora, tem uma lucidez desarmante.

Vocês sabem o que eu penso das histórias autobiográficas (e o Marcos, também...), logo a minha aprovação deste florilégio de deambulações nocturnas, episódios boémios e personagens bizarras pode surgir como uma surpresa, mas, de facto, não há motivo nenhum para se surpreenderem: é que as histórias, autobiográficas que sejam, são mesmo boas. E honestas! No meu glossário, a honestidade intelectual conta muito.

A personagem Marcos Farrajota observa o mundo à distância, mas não com cinismo; prefere ver a participar, é certo, pelo menos no que diz respeito a comprometer-se com cretinos, mas não tem medo de sujar as mãos quando o prémio vale a pena. E se, às vezes, acaba por ser desiludido, fala sobre isso com uma candura que não seria de esperar em apontamentos desta natureza. Mais: quando fala, fá-lo com piada. As histórias de Noitadas, Deprês e Bubas são divertidíssimas.

Não fazia ideia que o dilema entre comer ou não comer meia-dúzia de migalhas de pão poderia ser tão dilacerante, nem estava à espera de encontrar uma exposição tão transparente sobre um acto solitário (ainda bem...) de onanismo... Isto, meus amigos, não é a BD autobiográfica comum que aborrece e desanima: é na minha opinião, pura “BD Gonzo”, híbrida entre o egocentrismo de Hunter S. Thompson e a semi-psicopatia de Larry David.

Felizmente, é, também, um documento importante para se compreender o modo como a BD alternativa portuguesa deve bastante ao trabalho de Farrajota, tanto no que diz respeito à sua divulgação, como à inspiração. Eu bem sei que o Marcos gosta de apresentar as bandas desenhadas dele como peças brutas, mas no que diz respeito ao saber-fazer, elas pouco têm de “bruto”: estão muitíssimo bem elaboradas. Ele sabe, mesmo, contar uma história e isso é que faz uma boa BD.

Bem-vindos ao mundo da personagem Marcos Farrajota. Vale bem a pena conhecê-la.