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domingo, 8 de maio de 2011

Pré-Apresentação de "Batalha" na 81ª Feira do Livro de Lisboa


A pré-apresentação de Batalha (Saída de Emergência) ontem na 81ª Feira do Livro foi um verdadeiro sucesso! Eu e o artista Daniel Silvestre da Silva agradecemos às dezenas de leitores que apareceram e desejamos que gostem do romance e das ilustrações.



Fotos de Gisela Monteiro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Batalha": ilustração


«Tranquilos, como inflorescências imperturbáveis do corpo nocturno, pares de borboletas bailavam naquele palco semimorto, vestidas com mais nada a não ser luar e pó estelar.
Pintados de púrpura, amarelo e azul, os insectos iridisciam o lado contrário do espectro, como um arco-íris virado do avesso.»

Uma belíssima ilustração que o artista Daniel Silvestre da Silva desenhou para o meu novo romance Batalha (Saída de Emergência). Consiste num romance sobre o fenómeno religioso, observado pelo ponto de vista dos animais. É, também, um romance hermético e alegórico.

A pré-apresentação de Batalha será no próximo dia 7 de Maio, às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, no stand da Saída de Emergência. Com a minha presença e a do ilustrador.

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Batalha": excerto

«O velho mestre acreditava em valores como o trabalho, como o sacrifício, mas eles não. O velho mestre achava que todas as obras precisavam de ser perfeitas e que se devia almejar a excelência em tudo o que se fazia, por mais humilde que a obra fosse, mas eles não. Eles odiavam o velho arquitecto, porque não eram, nem nunca seriam capazes de ser como ele. Invejavam a sua mais radiante obra-mestra, porque nunca seriam capazes de criar algo tão admirável. Eram homens inferiores — gente cuja imaginação ao serviço do efémero e do superficial não valia um escarro. E como não eram capazes de imaginar, de criar, de construir, viravam-se para o escárnio, para o aviltamento, para a destruição — talvez até acreditando, por força do hábito ou por pura inclinação para o mal, que eram coisas boas. Alimentavam-se uns aos outros, protegiam-se uns aos outros, sempre promovendo uma igualdade infame entre eles: infame e félea, porque não era motivada pela justiça, mas pelo medo absoluto de se descobrir que não se era bom o suficiente.
Se dependesse desses homens, não existiriam flores no mundo, pensou Batalha. Apenas ervas-daninhas
A pré-apresentação de Batalha, o meu novo romance, será no próximo dia 7 de Maio, às 17H00, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, no stand da Saída de Emergência. Com a minha presença e a do ilustrador Daniel Silvestre da Silva.

Imagem: São Onofre, Giovanni Battista Caracciolo (1625).

sexta-feira, 22 de abril de 2011

"Batalha": Sinopse e novo excerto


«Só os animais sabem como os homens devem falar.

Uma ratazana ateia.
Uma porca piedosa.
Um arquitecto agnóstico.
Uma fábula fascinante.

Em Batalha, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta uma história em que os animais são protagonistas. Passado no início do século XV, Batalha é um romance sombrio, filosófico e comovente, que observa o fenómeno religioso do ponto de vista dos animais e especula sobre o que significa ser-se humano.
Batalha, a ratazana, procura por sentido, numa viagem arrojada que a levará até ao local de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o derradeiro projecto do mestre arquitecto Afonso Domingues. Entre o romance fantástico e a alegoria hermética, Batalha cruza, com sensibilidade e sofisticação, o encantamento das fábulas com o estilo negro do autor. Imperdível.»

«Ocultando-se dos olhares dos indivíduos, foi admirando a disposição das casas e dos objectos e achou que aquele sítio não era diferente da quinta. A multiplicidade de cheiros era estonteante, mas uma azeda fragrância cerealífera, que permeava tudo, era o dominante, secundada por um desagradável odor metálico.
(...) Quasi-reptante, e resguardado pelas sombras das paredes de pedra das casas, Batalha também sentiu cheiros felinos, mas não viu gatos nenhuns; então, no centro da aldeia, viu dois homens pendurados pelos pescoços, por gramalheiras, num pelourinho de pedra plutónica.
As faces escoriadas pela erosão cadaverina deixavam-lhes os ossos à mostra; e os seus dentes arreganhados e alcalinos, que lhes emprestavam ares de animais granívoros, pareciam feitos do mesmo granito do pilar pendulifloro. Havia um terceiro homem, ao pé deles, mas suspenso pelo tórax e ainda vivo. Era este que meia-dúzia de gente insultava e atirava vegetais apodrecidos, num efusivo avesso de aclamação; os outros balouçavam com boçalidade, só com as moscas como companhia.
(...) A somar àquilo que Batalha já aprendera sobre a morte, vinha o conhecimento de que ela era vaidosa e exigia jóias novas a todas as horas: ouropéis ossiculares, pingentes de polpa, medalhões morbíficos, cadáveres cristalóides — peças preciosas para estimular emulação nos espectadores das execuções: o seu público preferido — os seus idólatras impecáveis e incansáveis. E, no entanto, no meio da morte, a vida também vicejava: bebés riam nos colos das mães, os pássaros cantavam nos telhados das casas e os insectos zumbiam, num zunzum bem-humorado, enquanto sugavam os sucos naturais das flores, frutos e falecidos.»

Batalha, o meu novo romance, é editado pela Saída de Emergência e estará disponível na 81ª Feira do Livro de Lisboa, numa pré-venda exclusiva, no dia 7 de Maio, às 17H00. Com a minha presença e a do ilustrador Daniel Silvestre da Silva.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"BATALHA" - pré-venda na 81ª Feira do Livro de Lisboa


«A primeira vez que Batalha viu uma caveira, pensou que fosse um desvairamento, estimulado pela febre que sentia; pois que frenesi da Natureza, ou até dos próprios Pais do Mundo, teria gerado algo tão invulgar?
(...) durante esse caminho tortuoso, ao longo de túneis apertados, (...) viu as relíquias da corrupção humana que, entre a terra, observavam como sentinelas os roedores peregrinos. Sem nenhum conhecimento das hierarquias que regiam a sociedade dos homens, Batalha não sabia que os ossos que encontrava, alguns interpostos em esqueletos mais ou menos intactos, outros desbaratados pelos ínfimos movimentos da terra, mas todos tapados por trapos, tinham servido de sustentáculo às carnes mais afortunadas, em oposição aos ossos dos pobres, inumados numa vala vizinha.
A caveira que o impressionou, desdentada e pintalgada de pretidão, retinha uma imperturbável atitude altiva — era um génio subterrâneo, que guardava a passagem com um sinal de sobranceria, de displicência. Teias de linho, miscigenadas com filigranas fungongóricas, amarravam-na à terra humedecida e, no seu interior, observável através das órbitas ocas, encontravam-se excedentes cefalóides: um forro feito de antigualhas, agora fossilformes.
Acometido de febre (...) Batalha perdeu a consciência enquanto passava à frente dessa caveira, esse ex-homem; e, num derradeiro instante de lucidez, antes de descair para as profundezas piréticas (...) pensou que, com efeito, todos os homens — e todos os bichos — eram feitos de pedra, por dentro.
Vive-se para sonhar, para ver as maravilhas do mundo, para amar, e é para isso que a carne serve, mas, no final, quando a carne se estraga, volta-se a ser a pedra que se foi no início — a pedra honesta que, apesar da carne e dos anos, subsiste. Nada era mais rudimentar que essa pedra. Nada era mais tosco.
Mas também nada era mais verdadeiro.
Mais ético.»
Um excerto do meu novo romance Batalha (Saída de Emergência).
Daqui a um mês, no dia 7 de Maio, estarei presente no stand das edições Saída de Emergência, na 81ª Feira do Livro de Lisboa, para assinar exemplares deste título numa pré-venda exclusiva, antes do livro ser distribuído pelas livrarias. Uma oportunidade única para quem quiser estar entre os primeiros a lerem o meu novo romance.

Mais pormenores, em breve.
(Nesta ligação podem consultar o horário de funcionamento e localização dos stands da Saída de Emergência.)