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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Dose dupla na 86ª Feira do Livro de Lisboa


Lembro que amanhã, sábado dia 4, estarei às 16H00 no auditório da 86ª Feira do Livro de Lisboa (Parque Eduardo VII, à Praça do Marquês de Pombal) para apresentar o livro A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século (Editora Devir), de Alan Moore e Kevin O'Neill. No dia seguinte, domingo dia 5, estarei novamente na Feira do Livro, entre as 14H30 e as 17H00, no stand da Europress (B11), para uma sessão de autógrafos na companhia de Sónia Oliveira: o nosso livro O Poema Morre (Kingpin Books) será o Livro do Dia. Divulguem e apareçam.


terça-feira, 24 de maio de 2016

Apresentação e autógrafos na 86ª Feira do Livro de Lisboa


Fãs e amigos, anotem estas novidades para a Feira do Livro de Lisboa: no dia 4 de Junho (Sábado), às 16H00, estarei no auditório da feira para apresentar o livro Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século (Editora Devir) de Alan Moore e Kevin O'Neill; em seguida, no dia 5 (Domingo), das 14H30 às 16H30, eu e Sónia Oliveira estaremos junto ao stand da Europress (distribuidora da Kingpin Books) para assinarmos exemplares de O Poema Morre, que será Livro do Dia.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fogo à vontade!

A Edição Especial do romance A Voz do Fogo de Alan Moore (Saída de Emergência) vai para as livrarias a 9 de Julho. Consiste num bom romance de estreia de um dos melhores (senão o melhor) argumentistas de banda desenhada. A nova capa é da autoria do designer Pedro Marques. A tradução e as notas são minhas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Who (wants to) watch the Watchmen (film)?

Fui ver a adaptação cinematográfica do álbum de banda desenhada Watchmen, escrito por Alan Moore e desenhado por Dave Gibbons, que estreou na passada quinta-feira, e gostei. Vou esperar que a versão de três horas e meia saia em DVD para rever o filme, com as inclusões dos desenhos animados Tales of the Black Freighter (a história de pirataria que, no livro, é contada em paralelo à narrativa principal) e da morte de Hollis Mason (o primeiro Nite Owl). Porém, considero que esta versão comercial de Watchmen, o filme, consegue passar muito bem sem essas adições; não só consiste numa boa adaptação como acaba por ser um filme sintonizado de modo perfeito com o espírito deste tempo.

Não me tentem impingir as tretas do costume: eu conheço o álbum de banda desenhada Watchmen de trás para a frente e já o li e reli dezenas de vezes (até comecei a traduzi-lo para português para a editora Devir quando ela manifestou interesse em o publicar, há uns anos, na altura em que o mercado de edição de BD em Portugal vivia o seu último momento de vacas gordas). Por conseguinte, estou mais que à vontade para dizer que a adaptação para cinema, realizada por Zack Snyder, mesmo não sendo perfeita, é excelente.
Não me interpretem mal: não acho, de forma alguma, que os filmes sejam o apex dos formatos artísticos (a minha opinião anda muitíssimo longe disso, até...), mas, já que falamos de um filme - deste filme -, então que se faça justiça e diga-se, à boca cheia, que kicks ass: o casting é correctíssimo (actores a sério e não carinhas larocas), os diálogos são decalcados verbatim das páginas do livro (assim como a maioria do storyboard), o ritmo é trepidante e, melhor que tudo, o espectador não é tratado como um atrasado mental. O que é que se pode pedir mais? Que o final fosse uma réplica exacta do original? Eu, que li por acidente uma sinopse detalhadíssima num site sobre o filme, antes da estreia, entrei cheio de reservas na sala de cinema e sai convencido: o novo final funciona (ainda bem). Trata-se, sobretudo, de um update e não de uma tentativa de upgrade. Existem outras (pouquíssimas) mudanças, perfeitamente justificadas quando se pensa que, desde que o álbum de banda desenhada foi publicado até agora, já se fizeram milhares de filmes e que algumas coisas que foram inovadoras na BD já foram, infelizmente, exploradas ad nauseum da pior maneira em veículos cinemáticos. Nesse sentido, Snyder e os seus argumentistas souberam evitar repetições. Parabéns!

Desviando-me do filme, por uns momentos, o que tenho a dizer sobre alguns comentários de índole arrogante e que, associados a esta obra (e outras do mesmo calibre), se fazem ler e ouvir, um pouco por todo o lado, e procuram dar a entender que é seguro (para os detractores da linguagem da banda desenhada) gostar de Watchmen porque, à superfície, apresenta uma sofisticação incomum na área da BD, é o seguinte: essa espécie de comentários revela várias coisas, entre as quais ignorância no que à leitura de banda desenhada diz respeito. É que não só existem carradas de títulos que são capazes de competir com este álbum em maturidade de conteúdos, como aquilo que faz de Watchmen um livro tão especial é que ele consiste, desavergonhadamente, numa história de super-heróis!... É graças a esse desiderato que, habilmente, consegue transcender-se e pressionar em vários botões ao mesmo tempo. Ou seja, não é nenhum "romance gráfico" alegórico que, numa lógica quasi-dadaística, usa o lixo que é a BD para alcançar propósitos literários mais elevados (para quem está fora do círculo da BD é quase impossível compreender a carga negativa que vem associada ao conceito de "romance gráfico", mas prometo escrever sobre isto um dia destes): é um álbum de banda desenhada, ponto. Só se surpreendem os leitores que não conhecem mais banda desenhada nenhuma...

Um exemplo ainda mais perfeito dessa premissa de contenção, à priori, são os primeiros dez números que Alan Moore escreveu para a personagem Marvelman (desenhados por Gary Leach e Alan Davis): numa perspectiva de preferência pessoal, considero que possuem ideias de uma subtileza que está ausente em Watchmen (as primeiras páginas do primeiro número são de arrepiar a espinha, assim como a revelação final do plano do arqui-inimigo da personagem principal). A série Marvelman de Moore foi, posteriormente, retomada por Neil Gaiman e Mark Buckingham.

Em suma: Watchmen é o livro gigante que é porque se trata de uma história de super-heróis, pura e dura. Como todas as obras genuínas é um livro que só se preocupa consigo próprio: em nos falar de Nite Owl, de Rorschach, de Dr. Manatthan - as interpretações posteriores, boas ou más, pertencem a quem as pensam. Aqueles que elevam Watchmen aos píncaros (se calhar sem o ter lido, muitas vezes...) e desdenham, na generalidade, a linguagem da banda desenhada, não se dando sequer ao trabalho de aprender a gostar dela, são bem capazes de dizer cobras e lagartos do filme de Snyder. Diriam sempre, mesmo sem o ver. Agora... Aqueles que são fãs do álbum Watchmen, que são fãs de banda desenhada, que conhecem a obra integral de Moore e de outros autores igualmente importantes, vão gostar bastante do filme.

(Alan Moore.)

(Dave Gibbons.)