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sexta-feira, 20 de março de 2015

LÂMINA


Conheçam os LÂMINA, banda portuguesa de 'stoner doom rock', na qual o meu caro Filipe Homem Fonseca é o baixista. Um som endemoninhado que fere, exactamente, como uma lâmina bem afiada: quando se dá por isso, a ferida já é impossível de estancar. Excelente! Recomendo com entusiasmo negro.
Fiquem com a música Cold Blood. Deixem-se golpear e divulguem.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os homens de aço (cirúrgico)


O número de Setembro da revista LOUD! (para a qual escrevo a crónica bimestral Consultor Funerário) é, já, uma edição histórica, em virtude da entrevista que publica nas suas páginas centrais, com Jeff Walker (vocalista e baixista) e Bill Steer (guitarrista), da banda inglesa Carcass. Estreados em 1988, com a edição do disco Reek of Putrefaction, os Carcass foram, em conjunção com os Napalm Death (com os quais Steer também tocou), os pioneiros da sonoridade apelidada de Grindcore: aliança de elementos Metal, Punk e Jazz (o característico blast beat que, hoje, se associa, de imediato, aos estilos mais extremos de música, já era executado pelos bateristas de Jazz) que, com rapidez, se tornou um dos estilos metálicos mais plásticos e receptivos à experimentação com influências musicais muito distintas. Esse primeiro disco, prejudicado por uma produção muito fraca, mostrava, contudo, um grupo com uma personalidade incomum e tornou-se um favorito do programa de rádio da BBC Peel Sessions, do mítico apresentador John Peel. Ainda assim, poucos poderiam ter previsto a influência e a importância que o terceiro disco da banda, Necroticism - Descanting the Insalubrious (1991) iria exercer sobre o espectro das sonoridades mais extremas.

Em Fevereiro de 1991, estreou nos cinemas o filme The Silence of the Lambs, obra perturbante que revolucionou, totalmente, a cultura popular: um efeito imediato foi a aceitação pelo mainstream de ideias e personagens muito macabras que, até à data, eram coutada exclusiva da ficção de horror e de suspense, seguindo-se a instauração de uma constante estética umbrosa e sóbria, presente até hoje em produções visuais (desde filmes, séries televisivas e vídeos musicais). Editado em Outubro de 1991, Necroticism - Descanting the Insalubrious foi o The Silence of the Lambs do Metal: em 2000, a revista Terrorizer classificou-o como sendo o disco de Metal mais importante da década de 90. Com efeito, tanto The Silence of the Lambs como Necroticism - Descanting the Insalubrious demonstram o quão a cultura contemporânea, tanto nas artes como no entretenimento, deve às imagens e às harmonias mais extremas, provenientes do universo do horror. O terceiro disco de Carcass é, de facto, uma obra tocada pelo génio, que gerou um sem-número de epígonos e imitadores.

Mas os Carcass estão de volta (somente Walker e Steer pertencem à formação original), passados dezassete anos desde a edição de Swansong, com um inesperado novo disco, que será editado a 13 de Setembro: Surgical Steel. A sua capa evoca, directamente, a do EP Tools of the Trade (1992), um dos meus registos favoritos da banda (a seguir a Necroticism - Descanting the Insalubrious), e a música Captive Bolt Pistol que, entretanto, foi disponibilizada, é, inequivocamente, um tema fresco que não soa a plágio do passado, nem a homenagem póstuma. É um disco que aguardo com muita expectativa, porque os Carcass sempre foram uma das minhas bandas preferidas (ouvi a cassete original - naquele tempo ainda se compravam cassetes - de Symphonies of Sickness até à exaustão): os meus leitores que são fãs desta banda terão, certamente, dado pela pequena homenagem que lhe fiz na página 195 do meu romance Lisboa Triunfante (Saída de Emergência, 2008), com a escrita do pequeno interlúdio em verso Matéria Médica, Pelo Doutor Jacob de Castro Sarmento (à maneira dos ilustres cirurgiões Jeffrey Walker e William G. Steer de Nottingham).

Convido-vos, pois, a lerem a entrevista destes cirurgiões na LOUD! de Setembro.


 


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sugestões musicais

Duas sugestões musicais, em que se destacam colaborações de amigos.

O ilustrador André Coelho, que trabalhou comigo no livro É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência, 2011) e que está, neste momento, a desenhar Sepulturas dos Pais, uma nova banda desenhada escrita por mim que irá ser editada em 2014 pela Kingpin Books, foi o criativo responsável pelo grafismo do vídeo musical da banda portuense de rock Ghosts of Port Royal: a música intitula-se 50.000 Dead Starfish e abre o apetite para o próximo disco da banda (a anunciar). A animação da arte de Coelho foi feita por Augusto Lado, vocalista do grupo.



De um registo também endiabrado é feita a nova proposta de Karuniiru, banda liderada por Domino Pawo e que conta com Charles Sangoir, de La Chanson Noire (com quem trabalhei em Os Anormais: Necropsia De Um Cosmos Olisiponense), como um dos guitarristas. É Sangnoir que produz Cyberpunk, novo disco do grupo, que será editado em Setembro. Jorra é o título do primeiro single, cujo vídeo é realizado por Charles Sangnoir.



sexta-feira, 12 de julho de 2013

Novo disco de Alice in Chains


The Devil Put Dinosaurs Here é o novo disco de Alice in Chains, o segundo com o novo vocalista William DuVall. É, em certa medida, o disco mais pesado que já fizeram, muito no espírito das músicas mais viscerais de Dirt, embora seja atravessado por uma espécie de dura melancolia, nem triste, nem raivosa, que incomoda que nem um vento quente a enrolar-se no pescoço, mas que também tem o condão de manter o ritmo geral em meia-velocidade: aqui não existem aceleramentos, nem abrandamentos, o que é uma pena, porque empresta uma falsa ideia de homogeneidade. Em suma: é bastante bom, certinho, bem produzido e com uma capa que tem truque (quem tiver comprado o disco é capaz de já ter percebido) - e bem catita, por sinal. Talvez seja difícil para um disco como The Devil Put Dinosaurs Here competir, digamos assim, com o melhor material da banda, quando este se encontra, em grosso modo, nas canções acústicas, mas é um disco muito sólido, muito coeso. Assinale-se o facto de que é o segundo disco da nova fase de uma banda que perdeu um dos vocalistas de Rock mais versáteis e carismáticos de sempre e, mais uma vez, não só é um trabalho que não envergonha e que não soa a tributo, como evidencia de modo cristalino a relevância dos Alice in Chains, hoje. Ainda bem que os temos: que demorem a extinguir-se.