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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crítica no jornal Público a "É de Noite Que Faço as Perguntas"


Menção crítica a É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência) no jornal Público: «A partir de factos históricos da Primeira República, David Soares teceu uma história sólida e absolutamente contemporânea, desenhada a muitas mãos, com talento e inteligência. O livro É de Noite Que Faço as Perguntas sai com atraso considerável em relação à efeméride que lhe serviu de ponto de partida, mas a espera valeu a pena. Excelente obra, como é (infelizmente) raro encontrar hoje na banda desenhada portuguesa.»

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

No Top de Vendas de BD


O meu novo álbum de banda desenhada, É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência), já está no segundo lugar do Top de Vendas de BD da loja FNAC do Chiado, em Lisboa.
Apanhem este eléctrico!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"É de Noite Que Faço as Perguntas": capa e sinopse


«É de Noite Que Faço as Perguntas é uma história que parte da cronologia e dos factos históricos pertencentes ao período da primeira república portuguesa para se apresentar como uma poderosa observação sobre a vida, a política e o modo como ambas se influenciam.
Mergulhado num regime autocrático, de natureza indefinida, em meados do século XX, um pai tenta recuperar o filho, caído no seio do partido, escrevendo-lhe as memórias que experimentou nos anos da primeira república: tempo em que o ideal de cidadania era a participação activa e não o recolhimento sob o jugo ditatorial.
Escrito por David Soares e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre da Silva e Richard Câmara, É de Noite Que Faço as Perguntas é, em simultâneo, um poético fresco de época, um ensaio filosófico pungente e uma banda desenhada ímpar.»

Em breve, pela Saída de Emergência.

domingo, 10 de julho de 2011

É de Noite Que Faço as Perguntas: as primeiras pranchas

A edição pela Saída de Emergência do álbum de banda desenhada É de Noite Que Faço as Perguntas, escrito por mim e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre da Silva e Richard Câmara, está agendada para breve. É uma satisfação enorme ver, finalmente, este álbum publicado, depois do entusiasmo e excelentes críticas que recebeu durante a exposição do seu making of no festival Amadora BD do ano passado.

Este trabalho partiu de um convite do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Como terão oportunidade de ler, em breve, este é um álbum especial e os desenhadores estão de parabéns pelo profissionalismo e paixão que lhe devotaram.

As pranchas que se seguem são as primeiras do prólogo, quatro capítulos e epílogo que compõem o álbum e foram desenhadas por Richard Câmara (prólogo), Jorge Coelho (capítulo um), João Maio Pinto (capítulo dois), André Coelho (capítulo três), Daniel Silvestre da Silva (capítulo quatro) e Richard Câmara (epílogo).







terça-feira, 26 de outubro de 2010

Making of de "É de Noite Que Faço as Perguntas"


No próximo dia 30 (sábado), às 16H00, irei conduzir uma visita guiada pela exposição do making of do álbum É de Noite Que Faço as Perguntas, escrito por mim e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre Silva e Richard Câmara.

O álbum, que consiste numa narrativa ficcionada que se espraia sobre a cronologia da primeira república portuguesa e a sua história, será editado pela Gradiva, mas infelizmente ainda não está pronto: uma questão que, como é evidente, me ultrapassa a mim e aos desenhadores. Independentemente disso, a exposição é excelente e deve ser visitada por qualquer leitor desejoso de saber como, de facto, se escreve e ilustra um álbum de banda desenhada.

Desde os meus apontamentos, recolha de imagens de referência, argumento dactilografado e layouts, até aos esboços dos desenhadores e suas artes finais e pranchas coloridas, este making of é uma oportunidade única (como poucas vezes vi em festivais desta natureza) de descobrirem o processo criativo dos artistas.

E se aparecerem no próximo dia 30, às 16H00, no Fórum Luís de Camões na Brandoa, local onde se realiza este 21º Amadora BD, eu lá estarei para vos contar tudo.



(Pranchas de Jorge Coelho e André Coelho.)

sábado, 29 de maio de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

É de Noite que Faço as Perguntas

No campo de acção das comemorações do centenário da primeira república portuguesa, a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) associou-se ao Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) para realizar uma série de iniciativas em volta da Banda Desenhada e da forma singular como essa linguagem se entrecruzou com a história e o espírito desse período. Foi no âmbito dessa programação, apresentada à imprensa e ao público no passado dia 18 de Maio no Auditório dos Recreios da Amadora, que germinou o projecto da criação de um álbum de banda desenhada que versasse sobre a história da nossa Primeira República, existindo, desde a concepção da ideia, a intenção de que o livro fosse um projecto arrojado, tanto pela sua narrativa como pela arte.

O álbum, escrito por mim e desenhado por Jorge Coelho, João Maio Pinto, André Coelho, Daniel Silvestre Silva e Richard Câmara, intitula-se É de Noite que Faço as Perguntas e consiste numa narrativa ficcional que seguirá com rigor a história e cronologia republicanas, tendo início em 1891, na sequência do Ultimato Inglês, e terminando com o desfecho do Golpe Militar de 28 de Maio de 1926. Contudo, mais do que tratar-se de uma peça de reconstituição histórica, é uma verdadeira reflexão (alegórica) sobre os valores da liberdade, da cultura e de uma cidadania interventiva. É de Noite que Faço as Perguntas será editado pela Gradiva e pela CNCCR.

A vinheta que ilustra este artigo é desenhada por Jorge Coelho e pertence ao primeiro capítulo do álbum. Fiquem atentos, porque em breve apresentarei imagens dos outros capítulos.

(Aproveito para lembrar que tanto eu como o Jorge estaremos este fim de semana no VI Festival Internacional de BD de Beja, que tem início já este sábado e prolongar-se-á até ao dia 13 de Junho.)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Crítica a "Scorpio Rising" (e não só)

Dizer que os americanos são incultos não é a mesma coisa que dizer que a América não tem cultura e aqui está o livro Scorpio Rising: Transgressão Juvenil, Anjos do Inferno e Cinema de Vanguarda, de Ondina Pires, para prová-lo. À superfície é uma análise do filme Scorpio Rising de Kenneth Anger, mas basta começar a lê-lo para se perceber que as intenções autorais não se esgotam nesse desiderato.

Sob o olhar de Pires, cujo Scorpio Rising consiste na publicação em livro da sua tese de mestrado em Estudos Americanos (Universidade Aberta), é nos mostrado que a cultura americana existe, de facto, mas que se trata de uma cultura ready made, usada na maioria das vezes como aríete.
Em conversas com amigos costumo dizer-lhes que a cultura americana até parece ser de esquerda, pois dirige-se sempre à ruptura e à mudança, mas isso, num país que ainda por cima não nenhumas tradições nem partidos de esquerda, pode ser entendido como um quadro fortalecido por imensos factores: a própria adolescência do país, quando comparado com a vetusta Europa (em sentido figurado: quem é que quer ser "de direita" aos quinze anos?), a constatação de que foi colonizado por peregrinos de raiz protestante que têm um pavor ingénito a tudo o que cheira a institucional e o isolamento geográfico face ao continente europeu.

Penso que é essa desconfiança sentida por qualquer espécie de cartilha institucional que faz da cultura americana uma espécie de "fartar vilanagem" pop: tudo é descontextualizado, tudo é dissolvido, interrogado e coagulado em novos formatos e linguagens. É por essa razão que, por exemplo, no filme Scorpio Rising assistimos a um entretecimento entre as iconografias nazi, gay e cristã, numa amálgama que nunca poderia ter sido sequer pensada por um europeu de 1964, ano em que esse filme de Anger foi realizado. Um escritor como Burroughs, para citar outro exemplo, nunca poderia ter nascido na Europa, assim como Anger é um cineasta essencialmente americano. Hoje em dia, com a velocidade a que se processam os cruzamentos de referências, as coisas não serão bem assim, mas nos anos sessenta, época em que não existiam os meios de comunicação e disseminação de mensagens que possuimos à nossa disposição, este carácter distintivo entre aquilo que é um modo de pensar europeu e um modo de fazer à americana apresentava distinções bem definidas, até conservadas sob visões mais ou menos preconceituosas sobre o que é a Alta ou a Baixa cultura.

Por conseguinte, ao ler Scorpion Rising de Pires de comigo envolvido numa espécie de debate muitíssimo interessante, porque nem sempre concordei com as propostas da autora, mas, ao mesmo tempo (e é para isso que servem os livros) também encontrei matéria de reflexão. A conclusão é que Scorpio Rising faz bem à cabeça: está muito bem feito, com uma sólida argumentação e ainda melhor documentado. É sempre um grande prazer ler livros escritos por quem sabe do que está a falar e Pires é um bom exemplo dessa premissa. Todavia, não existe em Scorpio Rising um único pensamento que se aventure a "sair da caixa". Uma consequência da sua prévia encarnação enquanto tese (nas quais quase nenhum raciocínio pode ser formulado sem ser apoiado por documentos existentes)? É possível - e esse é o ponto fraco de Scorpio Rising. Os pontos fortes são os momentos em que Pires discorre sobre Arte Popular, Arte Pop, culturas mainstream e underground, linguagem cinematográfica e a herança de Anger.
Entre outros excertos de mérito, posso citar este: «A falta de impacto comercial do cinema alternativo reside no condicionamento alienante das massas populares do cinema mainstream financiado por produtores, políticos e lobbies económicos a quem não convém a abertura das "portas da percepcção" (cf Aldous Huxley) desse público, preferindo o êxito fácil de melodramas sentimentalistas, pornografia e comédias de baixo coturno, divulgadas pelos mass media - um quase terrorismo cultural totalitário que tem contaminado a Cultura Popular. Pelo motivo acima apontado, o cinema de vanguarda é visto pelo público como um alienígena subversivo e complicado de entender, algo que está acima do comum espectador, como por vezes se ouve em sondagens de rua. Contudo, convém não generalizar em termos de qualidade, que todo o cinema vanguardista é bom e que todo o cinema tradicional é mau. Assim como foi dito em relação às subculturas juvenis, nem todas tiveram qualidades positivas pois nada fizeram para apresentar soluções alternativas ao Sistema. Também é importante registar que sem cinema mainstream não teria havido cinema avant-garde, pelo que foi possível a este ir ao fundo das questões high/low cultures, sem entraves económicos, políticos e artísticos» (pgs. 120-121).

Neste excerto encontram-se várias questões importantes que podem ser dirigidas, também, à literatura.

O livro Scorpio Rising é, pois, uma bela proposta conjunta da Chili Com Carne e da Thisco, que vale muito a pena ler e cujo tema de análise abre canais de comunicação para outros assuntos. Um título que foi referenciado na revista Os Meus Livros deste mês.
Não posso deixar de destacar o excelente design de edição (João Cunha) para a luxuriante capa ilustrada pelo artista João Maio Pinto. Anger iria gostar...

("-Fancy a fag?")

E falando em João Maio Pinto, urge divulgar a primeira publicação impressa (enquanto entidade apartada de textos de outros autores) do seu trabalho como ilustrador: The Gleaming Armament of Marching Genitalia (mmmnnnrrrg, 2009). A edição é o número vigésimo primeiro do famoso fanzine português de banda desenhada Mesinha de Cabeceira, editado por Marcos Farrajota.
O título, que também é o de uma música da banda-sonora do filme Christmas on March (realizado e produzido pela banda The Flaming Lips) não é tão intrincado quanto os desenhos dendriformes de Maio Pinto, artista que tem um talento verdadeiramente paganiniano para desenhar cenas convulutas sem as transformar em objectos amorfos. Esta é, apenas, uma pequena amostra do seu belíssimo trabalho e capacidades artísticas, claro, mas sobre ela muito bem pensou Pedro Moura, crítico de BD que escreveu uma crítica a esta proposta de Pinto que eu vos convido a ler.