sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Participação no Fórum Fantástico deste ano (domingo, dia 16)


Uma nota rápida para informar que no próximo domingo, dia 16, às 17H45, estarei na edição deste ano do Fórum Fantástico (Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, Lisboa) para participar na mesa-redonda sobre banda desenhada, moderada pelo crítico João Miguel Lameiras. Comigo estarão André Coelho, desenhador de Sepulturas dos Pais (Kingpin Books), o meu novo livro de banda desenhada, assim como outros artistas convidados.

Este ano, o grande convidado estrangeiro do Fórum Fantástico é o escritor galês Rhys Hughes, autor cujos trabalhos recomendo com entusiasmo: descubram-no este ano e apareçam para a mesa-redonda sobre bd, porque será, provavelmente, a última aparição pública que farei este ano -- quem quiser autógrafos ou, simplesmente, conversar, terá aqui a sua oportunidade.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

«Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular» inaugura no próximo sábado


No próximo sábado, dia 15, às 18H00, na El Pep Store & Gallery (Centro Comercial Imaviz Underground, em Lisboa), será inaugurada a exposição de fotografia Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular: trabalho conceptual sobre o Tarot, da autoria de Gisela Monteiro.
A inauguração contará com uma interpretação musical, ao vivo, de Charles Sangnoir, de La Chanson Noire.

Em vinte e duas imagens de contexto sepulcral, a preto-e-branco, tiradas em diversos cemitérios portugueses e estrangeiros, apresentam-se novos Arcanos Maiores que, mergulhados no mistério e no silêncio próprios dos cemitérios, prosseguem num feitio surpreendente a tradição pictórica do Tarot.
«Decisivas, estas enfeitiçantes vinte e duas fotografias que Gisela Monteiro tirou a emblemas da vida efémera, em vários cemitérios portugueses e estrangeiros, têm como múnus o repercutir de ressonâncias subversivas que se nutrem do silêncio e do mistério. A cognoscibilidade tipológica entre elas e as reminiscências taróticas é total: ao mesmo tempo que estes tumulares arcanos maiores se inserem naturalmente na tradição pictórica do Tarot iniciada no século XVIII, e nela procuram inspiração, regozijam com uma independência arisca às significações coriáceas com que esses modelos (Etteilla diria hieróglifos) têm sido expostos. São, portanto, etapas de uma demanda ourobórica, na qual se vai até à morte para voltar a entrar no princípio. Ao olhar para os nossos dormitórios definitivos, reintegrando-os, sem dissimulação, nesse espectro do oracular, eles vão ao encontro das perguntas que os mortos nunca deixaram de estar à espera que lhes fizéssemos – um ininterrupto e poroso relacionamento. O oráculo dos mortos de Gisela Monteiro é uma sensível tradução da linguagem com que nos fazemos entender pelos mortos: a da imaginação. Os mortos vivem em exclusivo na nossa cabeça, na selenita esfera dos sonhos, e só através do simbólico (como no caso do Tarot) se estabelece igualdade entre eles e nós. Enquanto houver vida, haverá mortos, pois sem memória eles não existem. São como cartas de um baralho: outrora nossos, porque nos foram dados no início da nossa vezada, perdemo-los entretanto no jogo que, justamente, também iremos perder. Cada um de nós é uma carta no jogo de alguém e a rede de significados e correspondências que se desencolhe entre todos os vivos e todos os mortos é, em simultâneo, sublime, trágica, banal e riquíssima. Omnímodo, Oraculum Mortuum: Um Tarot Tumular transmite-nos a mensagem que somente as pedras e as ideias, substâncias de densidades diametrais, resistem com robustez à corrosão dos séculos. Um prodigioso livro de imagens – para ver e para pensar.» *
A exposição estará patente até 28 de Novembro.
Agradeço a divulgação e a vossa presença.



* Do meu texto Do Silêncio e do Mistério, sobre a origem do Tarot e sobre a abordagem pictórica de Gisela Monteiro, disponível no dia da inauguração.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Autógrafos no Amadora BD e lançamento de «Crumbs»



No próximo sábado, dia 8, das 16H00 às 18H00, estarei no Amadora BD para assinar os meus livros -- entre os quais o novo Sepulturas dos Pais (escrito por mim e desenhado por André Coelho) e, ainda, a antologia Crumbs composta por bandas desenhadas inéditas, escritas e desenhadas em inglês por vários autores portugueses (ambas, edições da Kingpin Books). Na antologia, participo com a história O Homem-Javali Vai Casar: ou, Leng Tch'e, escrita por mim e desenhada por Pedro Serpa (à qual pertence a prancha em anexo). Acrescento que esta será a última oportunidade de me verem nesta edição do Amadora BD -- e apenas no período horário apontado, pois não estarei disponível em outro dia ou em outra hora.
O lançamento da antologia Crumbs (que está espectacular -- é, com efeito, a melhor antologia portuguesa de banda desenhada já publicada) terá lugar no auditório do Amadora BD, no domingo seguinte, dia 9, às 15H30, com a presença do editor Mário Freitas e alguns dos autores participantes.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

«Época Alta» de André Oliveira e Sónia Oliveira


A melhor BD curta portuguesa que li nos últimos tempos: Época Alta, de André Oliveira e Sónia Oliveira (publicada na edição deste mês da revista Cais). A ler e a sorrir: maravilhoso. A ler na integral no blogue Acalopsia.


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Crítica a «Sepulturas dos Pais»...



Sepulturas dos Pais (Kingpin Books, 2014) foi lançado no passado dia 25 (sábado) no festival internacional de banda desenhada Amadora BD e é escrito por mim e desenhado por André Coelho.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

«O Homem-Javali Vai Casar» na antologia «Crumbs» da Kingpin Books


A Kingpin Books prepara-se para publicar uma antologia em inglês de bandas desenhadas inéditas, escritas e desenhadas por autores portugueses, que irá apresentar em Novembro no festival de banda desenhada Thought Bubble Festival, em Leeds. A antologia, cuja capa divulgo acima (desenhada por André Pereira e colorida por Afonso Ferreira), intitula-se Crumbs - e, posso garantir, é espectacular. No próximo dia 9 de Novembro, no auditório do Amadora BD, às 16H30, ocorrerá uma antevisão desta antologia, com a presença do editor Mário Freitas e de alguns dos autores participantes.

Neste livro, participo com a banda desenhada O Homem-Javali Vai Casar: ou, Leng Tch'e, escrita por mim e desenhada por Pedro Serpa: uma banda desenhada que tem a particularidade de ter sido escrita por mim directamente em inglês. Fiquem com algumas pranchas de amostra.







terça-feira, 28 de outubro de 2014

Fotos de lançamento e autógrafos de «Sepulturas dos Pais»


Algumas fotos tiradas no AMADORA BD, no lançamento e sessão de autógrafos de Sepulturas dos Pais, livro de banda desenhada escrito por mim e desenhado por André Coelho (Kingpin Books, 2014). Obrigado a todos os leitores e amigos que apareceram: areia nas vossas almas!

André Coelho, David Soares e Mário Freitas (editor).









sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Lançamento de «Sepulturas dos Pais» + Sessões de autógrafos


O lançamento de Sepulturas dos Pais (Kingpin Books), o meu novo livro de banda desenhada, escrito por mim e desenhado por André Coelho, com legendagem de Mário Freitas, ocorrerá no auditório do 25º Amadora BD (Fórum Luís de Camões, Brandoa) no próximo dia 25 (sábado), às 16H30.
Nesse dia, das 17H00 às 19H00, eu e André Coelho estaremos na zona de autógrafos para assinar livros aos leitores.
Também estarei disponível para autógrafos no dia 8 de Novembro (sábado), das 16H00 às 18H00.

Estas duas datas e horários serão os únicos em que irei estar no 25º Amadora BD.
Informo, porque esta questão tem-me sido perguntada muitas vezes, por email e pessoalmente, que, pese o facto deste ser um evento ligado à banda desenhada, assinarei todos os meus livros, tanto os de prosa como os de BD.

Reitero que não estarei no 25º Amadora BD em nenhuma outra altura ou hora, por isso marquem nas vossas agendas e apareçam. Será um prazer estar convosco. Até lá, poderão ler as primeiras onze pranchas de Sepulturas dos Pais nesta ligação.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Teaser de «Sepulturas dos Pais»

 
O lançamento de Sepulturas dos Pais (Kingpin Books), o meu novo livro de banda desenhada, escrito por mim e desenhado por André Coelho, com legendagem de Mário Freitas, ocorrerá no próximo dia 25 (sábado) no Amadora BD deste ano (Fórum Luís de Camões, Brandoa). Até lá, poderão ler as primeiras onze pranchas de Sepulturas dos Pais e criar as vossas expectativas: preparem-se para magia e miséria - sendo que delimitar onde uma começa e a outra acaba é algo que deixo à vossa posterior interpretação.












«Encontrará outros sonhos em que se manifestar.
E os significados tornar-se-ão insignificantes.»



sábado, 20 de setembro de 2014

Primeira prancha de «O Homem-Javali Vai Casar; ou, Leng Tch'e»

Primeira prancha de O Homem-Javali Vai Casar; ou, Leng Tch'e, banda desenhada curta, escrita por mim e desenhada por Pedro Serpa, que será editada este ano pela Kingpin Books. Preparem-se que vai haver sangue.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Lisboa, a cobaia


Estou habituado a ter opiniões que vão no sentido oposto ao da moda: para o efeito, não existe da minha parte nenhuma inclinação, nem nenhum apetite singular - simplesmente, recuso observar o mundo pelas lentes que o populismo e a transitoriedade impõem.

Hoje é notícia que Lisboa irá proibir no centro da cidade a circulação de veículos automóveis com matrículas anteriores ao ano 2000: medida que prossegue a proibição gradual de circulação automóvel na Baixa e centro da cidade iniciada em 2011 com outras medidas, igualmente restritivas, que, somadas a esta, só poderão ter como objectivo de curto-prazo a proibição completa de circulação automóvel no centro da cidade, excepto transportes públicos. Não deixa de ser curioso ler esta notícia em paralelo com outra, publicada ontem, que anunciou a expansão das coroas da rede de transportes públicos, assim como o aumento dos preços dos passes para os utentes.

Os transportes públicos de Lisboa são caros. Já andei de transportes públicos em diversas capitais europeias, de países do Sul e do Norte, e, provavelmente, Lisboa será aquela que, à luz do valor do salário mínimo nacional e da média dos restantes ordenados, tem os títulos de transportes públicos mais caros - e sublinhe-se que consiste numa rede de transportes públicos de percursos planeados de modo pedestre (trocadilho não-intencional).
Um bilhete de autocarro custa 1,85 euros, um bilhete de eléctrico custa 2,85 euros e um bilhete de ascensor custa 3,60 euros (preços de uma única viagem; ou seja, caso se pretenda efectuar uma viagem de ida e volta, o custo duplica). Um bilhete de metro custa 1,40 euros e tem um prazo de validade de sessenta minutos: caso se pretenda mais tempo de viagem existe a modalidade do bilhete diário, que custa 6,00 euros. Preços nas proximidades dos 3,00 ou dos 4,00 euros poderão parecer baratos, mas, na verdade, são preços turísticos cobrados a utentes que, na maioria, não são nenhuns turistas: são residentes de Lisboa que utilizam diariamente os transportes públicos no decurso das suas habituais rotinas.
Os percursos dos autocarros de Lisboa são demasiado longos - e, em alguns casos, até suburbanos -, logo não causará nenhum espavento que um cidadão prefira deslocar-se no seu automóvel dentro da cidade para ser capaz de chegar com maior rapidez ao seu destino. Aliás, as diferenças entre as médias dos preços dos bilhetes, dos passes e dos parques subterrâneos de estacionamento são tão ténues que mais vale uma deslocação de carro e pagar-se o estacionamento no parque, porque isso poderá corresponder a uma economia de tempo na ordem dos quarenta e cinco minutos a sessenta minutos de viagem - principalmente nas horas de ponta. Quem não entende isto não sabe o que é morar numa grande cidade.

Não me escapa a eventualidade de eu estar errado sobre este assunto e, por ignorância temporária ou limitação intelectual de longa duração, manter-me do lado negro da linha que separa os pragmáticos dos idealistas. Na realidade, não encontro idealismo nenhum na moda de, forçosamente, se querer ser popular sendo "verde", seja lá isso o que for.
A quasi-isotrópica demonização dos automóveis e a conspícua elegia das bicicletas, descritas nas bulas da comunicação social como sendo um remédio saudável e moral (a tónica colocada na moralidade é mais importante do que, à partida, se poderá pensar - andar de bicicleta à solta entre automóveis, sem respeitar o código da estrada, é um modo barato de indivíduos sem imaginação se sentirem superiores aos outros) contra a miríade de malefícios do mundo contemporâneo, irá, espero, estilhaçar-se como o pé de barro que é quando se compreender que as bicicletas são anticomércio e anti-serviços. (Já se levou alguém para o hospital numa bicicleta?)
Se, no que concerne à circulação de veículos automóveis, o objectivo é transformar Lisboa numa cidade como Londres, na qual é inaudito ver-se no centro da cidade um veiculo automóvel que não seja um transporte público (autocarros e táxis), terá de se reformular a totalidade do desenho dos actuais percursos de autocarros de Lisboa, de modo a garantir, tal como em Londres, um fluxo ininterrupto de transportes à disposição, situação que não é aquela que os utentes verificam diariamente. Verifica-se, até, o oposto: a semana passada, por exemplo, estive quase uma hora à espera de um autocarro - numa hora "morta" e numa popular zona da cidade com um volumoso trânsito turístico.

O sangue de uma cidade não são os turistas. São os habitantes e os lisboetas precisam de melhores condições de usufruto dos seus transportes públicos: bilhetes e passes mais baratos - e estacionamentos mais baratos para os automóveis - seria um excelente começo. A alternativa a soluções destas naturezas e à insistência na cristalização de uma Lisboa exclusivamente para turistas poderá ser um êxodo gradual dos jovens lisboetas (principalmente) para as vilas de dormitórios da periferia, agravando ainda mais a desertificação de uma cidade outrora vicejante, mas tornada em sede de escritórios extintos, centros comerciais fantasmas e domicílios devolutos que se erguem como dentes cariados ao lado de renovados blocos de apartamentos de luxo, acessíveis apenas a quem, em última análise, se estará nas tintas para Lisboa enquanto autêntico local de residência.
A Lisboa actual é uma Lisboa deformada: cobaia que, cada vez mais, agoniza em comportamentos absurdos.

Quem quer ser "verde" fará melhor em deixar os veículos automóveis em paz e preocupar-se, antes, com a questão do lixo electrónico, que é o grande flagelo invisível do século XXI, contaminando, a ritmos avassaladores, lagos, rios, oceanos e solos com um espectro assustador de metais pesados (chumbo, mercúrio, cádmio, entre outros) e materiais plásticos muitíssimo resistentes à erosão.
Pensem nisso sempre que, a cada seis meses, mais ou menos, pedalarem de bicicleta até à Baixa para comprar mais um novo modelo de smartphone ou tablet - deixem de ser ridículos e pensem. Bem sei que pensar poderá ser difícil, sobretudo para quem não está habituado, mas, em suma, é como andar de bicicleta: uma vez aprendido como se faz, nunca mais se esquece.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

De novo sobre Lovecraft e o seu suposto racismo


Com efeito, não imaginei que o texto que escrevi no passado dia 4 de Julho sobre o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft fosse, infelizmente, ganhar uma pertinência ainda maior ao ser cotejado com o burburinho que circula presentemente uma patética petição pública, iniciativa de Daniel José Older (quem?), objectivando a reconfiguração da imagem dos prémios World Fantasy Awards (que consiste num caricatural busto de Lovecraft) para uma estatueta modelada segundo o rosto da escritora norte-americana de ficção científica Octavia Butler. A "lógica" por trás deste desiderato agasalha-se na repulsa que a escritora nigero-americana Nnedi Okorafor (vencedora, em 2011, de um World Fantasy Award para Melhor Romance) sentiu ao descobrir que Lovecraft era, segundo dizem, racista. Ficou com o prémio estragado, está visto. Temos pena.

A pseudoditadura do chamado politicamente-correcto provoca-me náuseas e tenho tantas coisas para dizer sobre isso que nem sei por onde começar. Assim, não começo, sequer: vou por outro caminho, que é, factualmente, o de reiterar que o mito do racismo lovecraftiano é uma criação muitíssimo insuflada - por leitores, críticos e editores que não gostam da obra de Lovecraft, pelas mais variadíssimas razões; sendo que a mais óbvia - e a mais frequente - será a de que sentem uma inveja insuportável diante do facto de que nunca serão tão influentes e tão reconhecidos quanto ele.
A pequenez dos homenzinhos (e das mulherzinhas) de má qualidade é sempre inversamente proporcional à grandeza de quem eles vituperam ou tentam ignorar: sempre. Disso, nos garante a história - e a vida comum de todos os dias, acrescente-se.

Desde que o escritor francês Michel Houellebecq, autor da (deficientíssima de fontes primárias, secundárias, terciárias, quaternárias e por aí adiante) biografia H. P. Lovecraft: Contre le monde, contre la vie (1991), elevou o emblema do racismo contra Lovecraft e sua obra, que uma turba tonitruante de corifeus segue, cantando e rindo, esse plasma, modelando-o a seu bel-prazer, sempre que precisa de ganhar protagonismo - algo que, aparentemente, não é capaz de alcançar através da criação artística. Não obstante a tenacidade dessa pobre gentalha para quem as costas largas dos indivíduos mais talentosos do seu ofício são apenas trampolins para o sucesso fácil, Lovecraft esteve muito longe da astigmática silhueta de racista enfurecido com que alguns o adoram delinear.


   

sábado, 13 de setembro de 2014

Nova entrevista


 Nesta ligação podem ler uma entrevista que dei para o blogue Que a Estante Nos Caia Em Cima, conduzida por Rui Bastos. Entre outros assuntos, são abordados algumas das minhas preocupações e métodos autorais, assim como ainda se dedicam algumas palavras ao meu novo livro Sepulturas dos Pais (Kingpin Books), escrito por mim e desenhado por André Coelho.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Um impiedoso ataque ao cliché


Estive a reler Sepulturas dos Pais de fresco: fico feliz por dizer que consiste num impiedoso ataque ao cliché. Escrito por mim, desenhado por André Coelho e legendado por Mário Freitas, será editado no próximo mês pela Kingpin Books. É um livro duríssimo: um uivo alto que nunca tranquiliza. Vocês não fazem ideia do que aí vem.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Contos de horror com o Jornal i

Em parceria com a Escritório Editora, o Jornal i vai disponibilizar alguns livros de contos em que participei: Contos de Terror do Homem-Peixe, Brinca Comigo! e Outras Estórias Fantásticas com Brinquedos e Ficções Científicas e Fantásticas. Na minha opinião, os contos de horror que publiquei nestes livros (Réptil, Um Erro do Sol e O Holocausto e o Testamento de Laura Carvalho, respectivamente) contém algumas das minhas ideias mais subversivas e, claro, recomendo-os com entusiasmo. Por conseguinte, de 17 de Setembro a 1 de Outubro, poderão levar estes livros convosco para casa.


segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Descoberta a identidade de Jack, o Estripador?




Esta é uma fotografia de Dorset Street, no distrito londrino de Whitechapel, tirada em 1888: ano em que, de Agosto a Novembro, um assassino apenas conhecido pela alcunha de Jack, o Estripador, matou cinco prostitutas com elevado grau de selvajaria.

Vale a pena olhar para esta imagem por duas razões: 1) porque Mary Kelly, a última vítima canónica desse criminoso, e aquela cujo corpo foi mais severamente mutilado (quase para além da forma humana), foi assassinada aqui, na sua casa; e 2) porque é preciso recordar que este sítio e estas pessoas nada têm a ver com Hollywood ou com atracções turísticas contemporâneas - foram indivíduos reais e viveram em condições miseráveis. Os obstáculos das vidas destas mulheres poderão ficar melhor ilustrados pelo facto terrível de Catherine Eddowes, a quarta vítima, ter penhorado os sapatos nas vésperas de ser assassinada (o flagelo social do "pé descalço", como era conhecido em Portugal, ainda era um problema gravíssimo em meados do século passado em cidades como Lisboa e Porto, por isso pode ter-se uma ténue ideia de como seriam as reais condições de higiene e segurança na Londres vitoriana). Lanço luz sobre isto para desmistificar a pátina nostálgica que encortiça os crimes de Jack, o Estripador, que, avaliadas as coisas, foi, somente, um asqueroso assassino que predava os elementos mais frágeis da sociedade do seu tempo. Não existe nenhum glamour nisto.

Dito isto, a revelação feita recentemente pelo inglês Russel Edwards, um investigador amador, e pelo finlandês Jari Louhelainen, geneticista na universidade John Moores de Liverpool, de que Aaron Kosminski foi, de facto, Jack, o Estripador, é, em simultâneo, totalmente credível e altamente especulativa.

É verossímil, porque Kosminski, um polaco de religião judaica que, na altura dos crimes, tinha cerca de vinte a vinte e cinco anos de idade, sempre foi apontado pelas autoridades e pelos aficionados destes crimes como um dos suspeitos mais plausíveis. Até há um relato testemunhal, de Israel Schwartz, que relatou à polícia ter visto um homem parecido com Kosminski a atacar Elizabeth Stride, a terceira vítima, assassinada na mesma noite que Catherine Eddowes. No seu livro Mind Hunter, John Douglas, agente especial do FBI e um dos pais da contemporânea psicologia forense, estudou os ficheiros da Scotland Yard e concluiu que o suspeito mais provável de ser Jack, o Estripador, era Kosminski. Escreveu Douglas que «of all the possibilities we were presented, Kosminski fit the profile far better than the others». As informações disponíveis sobre Kosminski sugerem que ele foi um indivíduo bizarro e violento, obcecado com sangue menstrual e masturbação e que residia a cerca de quinze minutos a pé de quase todos os locais em que foram assassinadas as cinco vítimas canónicas de Jack, o Estripador. Será que foi ele que ejaculou no xaile descoberto por Russel Edwards e do qual Jari Louhelainen foi capaz de extrair vestígios de ADN e, ainda, vestígios epiteliais - com uma técnica nova, chamada "aspiração" (o nome induz em erro), desenvolvida pelo próprio? Xaile que, esclareça-se, terá pertencido ou a Kosminski ou a Catherine Eddowes e que foi guardado por um dos sargentos da polícia que descobriu o corpo, permanecendo como herança de família até ser comprado por Edwards?

Para ser honesto, do que li sobre as revelações extraordinárias de Edwards e Louhelainen, a história do xaile parece-me quase credível e, em última análise, estou aberto à possibilidade dela ser verdade. O meu cepticismo entra por outra via: a de que o ADN encontrado no xaile é mitocondrial e, sendo assim, dificilmente pode provar que Kosminski foi Jack, o Estripador. De facto, nem sequer pode provar que Kosminski agarrou no xaile, sequer.

Sem entrar em detalhes, o ADN mitocondrial é o ADN que se encontra nas mitocôndrias das células e é herdado por via materna. Também é muitíssimo resistente à passagem das eras: assim, é possível analisar vestígios forenses muito antigos e perceber se determinado suspeito poderá ou não estar relacionado com eles, mas esse reconhecimento é, com efeito, muito lato, porque o ADN mitocondrial não permite identificações personalizadas: apenas sugere que alguém de deteminada descendência está relacionado com os vestígios. No caso do xaile descoberto por Edwards não só Kosminski é um potencial suspeito, assim como uma porção muito numerosa de londrinos seus contemporâneos. Como pode ler-se no site do próprio FBI (eu poderia citar passagens do meu livro de biologia do ciclo preparatório, mas se o site do FBI está disponível à distância de um clique, para quê complicar): «Since mtDNA [ADN mitocondrial] is maternally inherited and multiple individuals can have the same mtDNA type, unique identifications are not possible using mtDNA analyses».

Em suma: o patético Aaron Kosminski é um suspeito perfeitamente credível, apontado tanto pela New Scotland Yard e pelo FBI como o provável Jack, o Estripador. Na verdade, muitos polícias vitorianos morreram convencidos de que esta personagem poderia mesmo ter sido Jack, o Estripador. No entanto, a história do xaile ejaculado descoberto por Edwards e a análise forense de Louhelainen são demasiado especulativas para serem aceites de imediato.


domingo, 7 de setembro de 2014

Antologia «The Ironic Fantastic»

 
O terceiro número da antologia de ficção The Ironic Fantastic, série criada pelo escritor galês Rhys Hughes, já se encontra disponível para download gratuito: esta edição, com capa do ilustrador português Esgar Acelerado, foi organizada e editada por Paulo Brito e recomendo-a efusivamente. Entre conteúdos de enorme interesse, contém duas críticas a dois livros meus pelo crítico norte-americano Larry Nolen, assim com algumas sugestões minhas de leituras de não-ficção. Inclui, ainda, diversas fotos de Gisela Monteiro.