sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fórum Fantástico 2011


Começa hoje, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, o Fórum Fantástico 2011 (até domingo 20, inclusive). Com organização de Safaa Dib e Rogério Ribeiro, é a mais importante convenção portuguesa relacionada com a divulgação e promoção do Fantástico nas artes e a programação deste ano tem muitos motivos de interesse, como debates, apresentações e uma retrospectiva da obra do cineasta e escritor António de Macedo (que este ano editou o livro O Sangue e o Fogo pela editora Saída de Emergência). Curiosos, fãs e especialistas, o Fórum Fantástico faz-se com todos e aguarda por vós para mais uma edição de peso. O fabuloso cartaz é da autoria de Pedro Marques.

domingo, 13 de novembro de 2011

Apresentação na FNAC Chiado de "O Pequeno Deus Cego"

Um encontro imediato de 3º grau, no qual a carne desprende-se dos ossos.
Em O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa.
Apresentação do álbum no fórum da loja FNAC do Chiado (Lisboa), no próximo dia 30, às 18H30, com as presenças dos autores e do editor Mário Freitas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Passatempo "O Pequeno Deus Cego"


Até ao próximo dia 20 de Novembro enviem para o email cadernosdedaath(at)gmail.com duas perguntas sobre o álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books), uma dirigida a mim e outra a Pedro Serpa. Iremos escolher as perguntas mais interessantes e imaginativas e publicaremos as respostas nos nossos respectivos weblogs no dia 1 de Dezembro.
Contudo, seleccionaremos as duas melhores questões para respondermos ao vivo na apresentação de O Pequeno Deus Cego que ocorrrerá no dia 30 de Novembro, às 18H30, no fórum da loja FNAC do Chiado, com as nossas presenças e a do editor Mário Freitas. Se os autores das perguntas respondidas ao vivo estiverem na assistência, levarão para casa um exemplar assinado de O Pequeno Deus Cego.
Sejam criativos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Cabeça-de-abóbora

Uma abóbora que eu transformei numa lanterna linda para iluminar o meu Halloween...



Eh, eh, eh!...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vídeos do lançamento de "O Pequeno Deus Cego"

O registo vídeo do lançamento no Amadora BD do álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa, com o editor Mário Freitas (que também fez o design e a legendagem do álbum), o desenhador e eu.
(Vìdeos de
Raquel Garrido.)



domingo, 23 de outubro de 2011

Fotos da exposição e do lançamento do álbum de banda desenhada "O Pequeno Deus Cego"

No Amadora BD, na exposição alusiva ao álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books, 2011), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa. À direita, está uma representação de Sem-Olhos, a personagem principal dessa história.


No Amadora BD, na exposição alusiva ao álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books, 2011), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa. Atrás de mim, podem ver-se representações dos Três Rufiões, sanguissedentas criaturas, feitas de sémen e fogo, que pertencem a essa história.


No Amadora BD, no lançamento do álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books, 2011), escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa. Da esquerda para a direita: Mário Freitas, editor da Kingpin Books, que também fez a legendagem e o design do álbum; o desenhador Pedro Serpa; e eu.


Mário Freitas, Pedro Serpa e eu.


Pedro Serpa e eu.


No Amadora BD, na sessão de autógrafos.


No Amadora BD, na sessão de autógrafos.


No Amadora BD, na sessão de autógrafos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Excelente crítica a "É de Noite Que Faço as Perguntas"...


Amanhã: lançamento de "O Pequeno Deus Cego"

É já amanhã, às 15H30 no festival internacional de banda desenhada Amadora BD (Fórum Luís de Camões - Brandoa), o lançamento de O Pequeno Deus Cego, escrito por mim, desenhado por Pedro Serpa e legendado por Mário Freitas (Kingpin Books). Com as presenças do editor e autores.
Informo que O Pequeno Deus Cego contém um prefácio exclusivo de Nelson Dona, director do festival Amadora BD.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

'Disclaimer' sobre as minhas sessões de autógrafos no Amadora BD 2011


Aviso: independentemente dos horários divulgados hoje na Internet, as minhas sessões de autógrafos no festival Amadora BD (Fórum Luís de Camões - Brandoa), serão, como anunciei há dias neste weblog e nas minhas redes sociais, somente nos Sábados 22, 29 e 5, sempre das 17H00 às 18H00.
Acrescento a minha presença no auditório do festival para os lançamentos dos álbuns de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books) e É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência), nos Sábados 22 (15H30) e 5 (16H00), respectivamente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Lançamento de "O Pequeno Deus Cego"


O lançamento do álbum de banda desenhada O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books), escrito por mim, desenhado por Pedro Serpa e legendado por Mário Freitas, será no Sábado 22, às 15H30, no auditório do festival internacional de banda desenhada Amadora BD. Com as presenças do editor Mário Freitas (Kingpin Books) e dos autores David Soares e Pedro Serpa.

«É a voz vermelha da morte que vai uivar esta noite.

A vida da pequena Sem-Olhos torna-se uma tragédia quando a mãe determina que ela seja iniciada num sangrento rito tradicional, mas ainda mais doloroso é o grande segredo da família, oculto no passado, que duas personagens misteriosas irão desmascarar. Poderá Sem-Olhos ser um pequeno deus sobre a terra? O Pequeno Deus Cego é uma história alegórica, de contornos herméticos, passada numa fabulada China ancestral. Filosófica e visceral, em simultâneo, é uma banda desenhada que irá resgatar o leitor das trevas para a luz.»


Autógrafos no Amadora BD 2011


Horários das minhas sessões de autógrafos no próximo festival Amadora BD: Sábados 22, 29 e 5, sempre das 17H00 às 18H00. Este ano tenho duas novidades em banda desenhada: É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência) e O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books).

Efeméride negra: Aleister Crowley e "A Conspiração dos Antepassados"


Ontem fez cento e trinta seis anos que nasceu o mago inglês Aleister Crowley; alcunhado pela imprensa britânica de «homem mais diabólico do mundo», embora andasse longe de sê-lo. Recordo hoje o seu nascimento com um excerto do meu romance hermético A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência, 2007), no qual partilha planos com o poeta português Fernando Pessoa. Neste trecho, Crowley renasce na Terra, depois de passar um periodo na sefira Daath, em busca do mítico Filho da Lua - a vera mandragora.
Tal como em quase tudo, um excerto é nada para os tolos: para os sábios... é o suficiente.

«A saliva de Coronzon era um enzima que decompunha a matéria e o tempo; quando Crowley começou a ser mastigado, a carne foi remodelada em grânulos de energia negra: partículas virtuais com carga eléctrica negativa, engolidas como ondas pela garganta da criatura que se alimentou com o produto catalizado. Descodificado pelo enzima, Crowley ficou reduzido a uma série de haikus abióticos; poesia mendeleeviana, aspirada pela densidade que circuitava no cólon de Coronzon. O aparelho digestivo terminava num ânus que funcionava como um buraco branco: a energia negra entreteceu-se em volta desse anel revoltoso e a carga electromagnética foi virada do avesso. As chaves químicas encontraram as respectivas fechaduras e a energia negra, revertida para o código preambular, foi expelida numa cólica quântica.
Em Malkuth, o vento deixou de soprar e todas as moléculas foram beliscadas pelo esfíncter de Coronzon enquanto ele evacuou através do tecido espácio-temporal: sobre três velas acesas, dispostas em triângulo na vizinhança de uma perigosa falésia do litoral português, as fezes caíram ao chão. Escaldantes, as bolas de matéria liquefizeram-se em contacto com o ar, sangrando soro; caíram umas sobre as outras e, em brasa, fundiram-se. Sangrando, mudando de forma aos abanões, a matéria informe regeu-se de acordo com a própria receita morfogenética: agregou-se, deslizando em fios finos, como flores desabrochando e murchando em loop, e o fenótipo evidenciou-se da confusão. A superfície eclodiu e esticou-se numa fita para criar um ânus – uma cópia do Abismo por mérito próprio – e um intestino grosso; foi o evento mais importante da nova vida que Crowley inaugurou – a prova ritual que separava os homens, não dos rapazes, mas dos insectos.

Ó Louco!, gerador do meu Ser e do Nada,
desfaz, fecundo, esta laçada!

A elasticidade da carne suplicou por novidade, mas aquele espectáculo, mudo como um filme velho, era uma reprise da dança bailada há cinquenta e cinco anos atrás no ventre de Emily Crowley. Esta gastrulação, estes passos tímidos para o centro do salão, antecedeu uma coreografia exacta que todas as criaturas, grandes e pequenas, precisam de executar com elegância para convencer o júri que merecem nascer.
A carne arrefecida pelo vento inclinou-se; o mar pautou o ritmo da dança atingindo com violência a parede rochosa da Boca do Inferno. Filamentos cintilantes ergueram-se na direcção das estrelas e solidificaram-se num grande cordão nervoso; a carne percebeu a deixa e dobrou-se. Ela dividiu-se. Ela condensou-se. Ela começou a respirar! Os últimos canudos deslizaram até se juntarem ao bolbo central; mergulharam no âmago daquela confusão organogênesica e emergiram, transformados em músculo, para impingirem um estilo mais arrojado na composição: o coração despertou e o sangue perseguiu o compasso do oceano até o ultrapassar em ferocidade.
Nascido do Abismo – do Nada –, Crowley vingou como uma faísca que, tornada em centelha, abrasa em labareda. O útero que o aconchegou foi a própria noite estelar, com o Atlântico à guisa de âmnio; protegido, ele solidificou como um planeta durante a formação da galáxia. A pele nova, vermelha como os músculos debaixo da superfície, arrefeceu e desapareceram os rastos dos cordões de carne que a enlaçaram. Crowley parecia um feto gigante: horrível e belo, em simultâneo; sem pêlo, com uma pelúcia branca a cobrir-lhe os olhos e a boca.
Crowley, o bebé – o Eremita – abriu os olhos; sentiu frio e, esticando um braço com lentidão, apalpou o terreno: os dedos desenharam uma linha curva no chão, o principio da história


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

"O Homem Corvo" está a chegar


Hoje é dia de divulgações, por isso informo que O Homem Corvo (Saída de Emergência), o meu primeiro livro para crianças, escrito por mim e ilustrado por Ana Bossa, também está mesmo aí a chegar. Quem será o misterioso Homem Corvo?...

Capa de "O Pequeno Deus Cego"


A bela capa do meu novo álbum de banda desenhada, O Pequeno Deus Cego: escrito por mim, desenhado por Pedro Serpa e legendado por Mário Freitas. Será publicado no decurso do próximo festival Amadora BD, pela Kingpin Books.
Mais novidades para breve.

domingo, 2 de outubro de 2011

"O Pequeno Deus Cego": Teaser

O Pequeno Deus Cego (Kingpin Books), o meu próximo álbum de banda desenhada, escrito por mim, desenhado e colorido por Pedro Serpa e legendado por Mário Freitas, será lançado no próximo festival de banda desenhada Amadora BD. Em breve, divulgarei o dia e a hora da apresentação.
Uma história alegórica, de contornos herméticos, passada no período da China "feudal".



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Crítica no jornal Público a "É de Noite Que Faço as Perguntas"


Menção crítica a É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência) no jornal Público: «A partir de factos históricos da Primeira República, David Soares teceu uma história sólida e absolutamente contemporânea, desenhada a muitas mãos, com talento e inteligência. O livro É de Noite Que Faço as Perguntas sai com atraso considerável em relação à efeméride que lhe serviu de ponto de partida, mas a espera valeu a pena. Excelente obra, como é (infelizmente) raro encontrar hoje na banda desenhada portuguesa.»

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Livro para crianças escrito por David Soares


Quem será o misterioso Homem-Corvo? Descubram-no em breve, naquele que será o meu primeiro livro para crianças. Ilustrado com requinte por Ana Bossa, como podem ver pela magnífica imagem, consistirá numa fábula negra e absurda, que recupera o espírito das histórias politicamente incorrectas que faziam as nossas delícias quando éramos miúdos.
Mais novidades para breve.

David Soares em Santarém


No próximo dia 1 de Outubro (Sábado), estarei às 16H00 na livraria Bertrand de Santarém (loja 1.47 D do Centro Comercial W Shopping Santarém) para uma sessão de autógrafos.
Caros leitores, mostrem-me que Santarém é, de facto, a capital do Gótico e apareçam para personalizar os vossos livros.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

No Top de Vendas de BD


O meu novo álbum de banda desenhada, É de Noite Que Faço as Perguntas (Saída de Emergência), já está no segundo lugar do Top de Vendas de BD da loja FNAC do Chiado, em Lisboa.
Apanhem este eléctrico!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Jogo de RPG baseado no meu romance "Batalha"



«Um jogo de simulação narrativa de Ricardo Tavares
baseado no livro Batalha de David Soares.»

Descobri hoje que fizeram um jogo de RPG baseado no meu novo romance Batalha.
Chama-se Animais Como Nós e foi criado por Ricardo Tavares: nesta ligação, podem descarregar as regras e o tabuleiro em PDF.



Entrevista com David Soares sobre "Batalha"

No passado dia 17, a convite da Livraria Bertrand, estive no Castrum Bar, em Castelo Branco, para apresentar o meu novo romance Batalha (Saída de Emergência, 2011). Nessa altura, fui entrevistado pelo jornalista Tiago Carvalho para o jornal regional Povo da Beira. Essa conversa, publicada no passado dia 23, pode ser lida na transcrição que se segue.


«O fenómeno religioso observado pelos animais

Um dos mais conceituados autores portugueses de literatura fantástica, David Soares, esteve em Castelo Branco, no passado dia 17 de Agosto, para apresentar o seu quarto romance, Batalha. O escritor, que soma distinções da crítica nacional e internacional, conversou com o "Povo da Beira", à margem da sessão de autógrafos promovida pela livraria Bertrand e pelo Castrum Bar, nas Docas.


Povo da Beira (PB) - Comecemos pelo novo livro. De que fala o “Batalha”?

David Soares (DS) – É um romance de literatura fantástica que fala sobre o fenómeno religioso, observado do ponto de vista dos animais. Na essência, é uma história alegórica que parte desse ponto de vista, não só para tentar perceber como nós funcionamos perante o sentimento do transcendente, do divino, como também para explorar as relações que existem entre vários sistemas de crenças, o modo como as sociedades se erguem e desaparecem. É também um romance que se preocupa muito com a linguagem.

PB - Prossegue os seus temas de eleição?

DS - Todos os meus romances fazem parte de um mesmo universo autoral, cujos temas basilares são o fantástico, o oculto, a história. O romance “Batalha” inscreve-se nesse universo, mas, por ter animais como personagens principais, foge um pouco à linha dos romances anteriores. Há uma grande alegoria que vai buscar material às mitologias maçónicas e alquímicas, e também à tradição mágica portuguesa e às nossas lendas populares.

PB - Porquê animais? Possibilita ir-se mais longe?

DS - Falar pela voz dos animais é uma boa forma de falar sobre os nossos próprios assuntos e as nossas próprias preocupações. Garante um distanciamento que nos faz observar as coisas de um modo muito mais isento. E isso é importante para se chegar a conclusões pertinentes e importantes. Neste caso em particular, o distanciamento resultante de falar do fenómeno religioso a partir da voz dos animais permitiu introduzir a minha própria voz, que, no que diz respeito à crença, está bastante distante destes assuntos do fenómeno religioso. Foi uma forma que encontrei de reunir essas duas vozes.

PB - Como funcionam as duas vozes?

DS - Apesar de escrever sobre estes temas, em que o fantástico se entrosa com o oculto, o hermetismo, o mitológico, não tenho crenças no sobrenatural, nem no religioso, nem na vida após a morte. Enquanto indivíduo, sou ateu. Mas a minha voz autoral dirige-se para estes assuntos, gosto de falar deles. O ponto de vista dos animais no livro “Batalha” é um ponto de vista distante, um pouco como se fosse o meu.

PB - Criar deuses e religiões é algo muito humano…

DS - Do ponto de vista científico será legítimo questionarmos se os animais têm religião? Bom, o certo é que está provado pela neurociência que os animais têm superstições, criam rotinas e vícios. Nesse sentido estão em sintonia connosco. Agora, para darem o passo além e acreditarem numa religião, seria preciso que os animais tivessem consciência da sua própria mortalidade, coisa que poderão não ter. Aquilo que separa uma religião de outra crença partilhada é que uma religião promete a salvação após a morte.

PB - O entrosamento da ficção com a história obriga a uma grande pesquisa?

DS - Sim. A pesquisa é feita toda no início. Proponho-me a escrever sobre determinado assunto, tento ler tudo o que encontrar sobre ele e depois começo a organizar a história. É delineada em esqueleto, num organigrama rigoroso, que é seguido à risca na fase da escrita. É raro desviar-me desse esqueleto, embora haja sempre espaço para o improviso.

PB - O género fantástico nem sempre é bem visto. Os prémios que o David ganha tornam-no um representante desta literatura?

DS – Antes de mais, infelizmente o mercado do fantástico, nos últimos dez anos, tem sido abanado por alguns fenómenos de mediatismo, cá e lá fora, em áreas que não passam pela literatura. E esse mediatismo cria algumas modas. As modas têm um lado bom, que é introduzir algumas pessoas a géneros que não conhecem, mas têm o reverso que é fazer com que todos os produtos desse género tenham de ser iguais, o que rouba diversidade e espontaneidade. No entanto, não olho para mim como sendo representante de nada. Faço o meu trabalho o melhor que consigo e tento fazer obras que não me envergonhem quando as for revisitar. O género fantástico tem uma vantagem: se as coisas forem bem feitas, os livros dificilmente se deixam datar. Para mim é muito importante criar um livro que perdure no tempo, que conserve a frescura.

PB - Além do romance, tem outras áreas literárias em que investe, não é?

DS - Na essência, sou um escritor e trabalho com linguagens literárias. O romance, o conto, o ensaio e a escrita de banda desenhada são linguagens que pertencem ao espectro das linguagens narrativas. Mesmo a banda desenhada, que é narrativa antes de ser visual. Nesse sentido, o trabalho que desenvolvo em cada linguagem é enriquecedor porque vai alimentar formas de fazer coisas noutras áreas.»

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

David Soares em Castelo Branco no dia 17 de Agosto


Na próxima quarta-feira, dia 17, às 21H00, estarei no mítico bar/galeria Castrum Bar, em Castelo Branco, para apresentar o meu novo romance Batalha (Saída de Emergência). A data consiste no aniversário do Castrum Bar que se associa às livrarias Bertrand nesta iniciativa. Apareçam: haverá bolo de anos, livros e um autor.

sábado, 13 de agosto de 2011

Hoje Como Ontem


Em meados do século XVIII, um grupo de tipógrafos que trabalhava à jorna na oficina do burguês Jacques Vincent, na Rue Séverin, em Paris, matou à paulada uma série de gatos; os apanhados vivos foram enforcados num julgamento satírico, nas traseiras da gráfica. Nicolas Contat, um dos dois organizadores do Grande Massacre dos Gatos, como ficou conhecido o episódio, deixou-nos um pormenorizado relato escrito, no qual assume a identidade fictícia de Jerome. Foi, nas suas palavras, a coisa mais hilariante que alguma vez aconteceu durante a estadia dele na Rue Séverin.

Este assunto foi analisado pelo historiador norte-americano Robert Darnton no livro The Great Cat Massacre, and Other Episodes in French Cultural History (1984), onde se conclui que o caso, embora revestido de um certo sentimento de reprovação da parte dos desgraçados jornaleiros contra o patrão endinheirado, consistiu mais num acontecimento simbólico que numa proto-rebelião, à guisa de Revolução Francesa avant la lettre. Pese o truísmo de que os servos sempre desprezaram, em menor ou maior grau, os amos, os protestos sociais do Ancien Régime mantiveram-se sempre ao nível do "simbólico", pois a consciência de que seria possível a criação de outro sistema político, igualitário, era inexistente. Com efeito, o próprio Darnton, em The Great Cat Massacre, avança com a ideia de que a grande satisfação das classes mais desfavorecidas da Idade Moderna consistiu na humilhação das classes superiores, mas não na abolição destas. O desenvolvimento do massacre dos gatos na Rue Séverin só foi possível porque a tortura e morte ritual de gatos era já uma prática predominante; em principal, nas festas de São João Baptista, em que os infelizes felinos eram incinerados vivos em fogueiras quasi-inquisitoriais. Para tal, concorreram, de certeza, as crenças populares nas supostas aptidões dos gatos para fazerem mal ou as suas alegadas associações a práticas de bruxaria. Com base em diversos elementos causadores, interligados com religião e superstição, o gato foi seleccionado com especificidade como sendo um animal expiatório - e quando o senhor Séverin, mais a esposa, pediram aos empregados Jerome (Contat) e Léveillé que se livrassem dos gatos vadios que não os deixavam dormir com os seus miados incessantes, os dois aprendizes de tipógrafo decidiram realizar a tarefa ao estilo das copies que animavam os seus dias na oficina.

Carnavalescas, as copies eram arremedos de boçais peças teatrais com happenings, improvisadas com ruído e gargalhadas pelos tipógrafos e representadas, posteriormente, em repetidas vezes (daí chamarem-se copies) na oficina durante as horas de trabalho. Serviam, de igual maneira, como uma espécie de mnemónicas da própria cultura da compagnonnage tipográfica, que também estava sujeita a práticas de iniciação, promoção e julgamento: apesar de trabalhar com a palavra impressa, a "ordem" dos aprendizes e tipógrafos jornaleiros possuía uma distintiva cultura oral, associada à desordem, ao escárnio e à fête, manifestada em partidas e brigas nas tabernas e nas ruas.

Ora, foi o encontro da cultura oral dos tipógrafos jornaleiros (que, mais do que sentirem fidelidade para com a sua "classe social", mantiveram fortíssimos laços de fidelidade entre a sua classe profissional - à semelhança dos restantes ofícios da cidade), a cultura das brincadeiras ruidosas das copies, com a cultural popular predominante, aprovadora da morte festiva e cerimonial de gatos, que permitiu o Grande Massacre dos Gatos: o enforcamento destes foi, pois, inspirado nos julgamentos ritualísticos ensaiados nas copies.

Adstringido no espaço e no tempo, o Grande Massacre dos Gatos não manifestou nenhum descontentamento social generalizado, nem nasceu no seio de uma rebelião. Foi um fenómeno sub-cultural, complexo, é certo, mas simbólico em vez de ser político.

O mais cómico é que, no melhor estilo truculento das copies, foi Contat quem subiu durante noites seguidas ao telhado dos aposentos do patrão e se pôs a imitar um gato, para não o deixar dormir.


Imagem: First Stage of Cruelty, William Hogarth (1751). Primeira gravura de uma tetralogia que demonstra, em registo satírico, a violência popular (e não só) de um típico bairro do Norte de Londres: St. Giles.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"O Pequeno Deus Cego": novidades

O desenho e as cores de O Pequeno Deus Cego já estão terminados. Este álbum de banda desenhada, escrito por mim e desenhado por Pedro Serpa será lançado no próximo Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, numa edição da Kingpin Books.

Consistindo numa alegoria passada no período da China "feudal", O Pequeno Deus Cego conta a história de Sem-Olhos, uma criança que poderá ou não ser um pequeno deus sobre a terra. Ao mesmo tempo que a mãe submete Sem-Olhos à violência das tradições locais, duas presenças misteriosas vão ajudá-la a descobrir a sua verdadeira origem.