domingo, 10 de março de 2019

Lista de Compras da Revista LOUD! na FNAC Chiado



O vídeo que gravei na FNAC Chiado para a rubrica Lista de Compras da Revista LOUD! já está disponível no perfil de YouTube dessa publicação: nesta entrevista poderão descobrir quais foram as minhas recomendações musicais e literárias para essa sessão.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Morreu Geraldes Lino



Morreu Geraldes Lino, divulgador, dinamizador, coleccionador e editor de banda desenhada, que conheci há vinte e dois anos, quando o Amadora BD ainda atendia pelo acrónimo FIBDA e se realizava na antiga Fábrica da Cultura. O convívio regular que mantivemos, em eventos, tertúlias, jantares, cafés, saídas nocturnas, às vezes entretecendo fios de colaborações, muitas vezes só pelo gozo da companhia, confirmou-me as primeiras impressões que tive do Lino nesse encontro primevo no FIBDA de 1997: um indivíduo inteligente, perspicaz, afável e até fisicamente fora de série, como prova o entusiasmo dos seus múltiplos caricaturistas. O seu amor e conhecimento pela banda desenhada metia respeito e contagiava.
No desenrolar dos anos nem sempre estivemos de acordo, é certo, mas o Lino possuía a preciosa particularidade de não se rodear somente de quem pensava à sua maneira, evitando assim anquilosar-se numa única perspectiva – lição que nos tempos de hoje talvez faça mais falta que nunca. Com efeito, poderia ser fácil dizer que o Lino pertence a uma geração ou a uma classe especial de indivíduos que, hoje, já não existem – e dizê-lo seria correctíssimo –, mas, mais que isso, o Lino era singular. Acho que nunca conheci mais ninguém como ele.
Mormente, a morte de um indivíduo costuma ter o dom de dissolver nos afectos de quem ainda perdura muito do lastro negativo que lhe estava associado: no caso do Lino nada de negativo existe para dissolver. Foi uma pessoa espantosamente positiva – consensual: tinha muita amizade por todos e todos gostavam muito dele. Por tudo isso, a sua morte é, neste momento, ainda uma irrealidade, uma surpresa chocante. É uma tristeza muito grande.
O velório de Geraldes Lino será amanhã, a partir das 09H30, no cemitério do Alto de São João, em Lisboa; horas depois, às 16H00, será cremado. 

  

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Lista de Compras no próximo sábado na FNAC Chiado


No próximo sábado, dia 26, às 17H00, estarei no fórum da loja FNAC Chiado a convite da revista LOUD! como entrevistado na rubrica Lista de Compras: consiste numa iniciativa em que os convidados conversam com o público sobre livros, discos ou filmes que escolheram previamente na loja e que tenham particular importância para si. Apareçam.


Vale mesmo mais um pássaro na mão


A ouvir um dos mais surpreendentes e melhores lançamentos do ano passado: One Byrde in Hande (Linn Records) do maestro e músico inglês Richard Egarr, que também é director da Academy of Ancient Music, em Cambridge. Este disco consiste em peças para cravo compostas pelo compositor isabelino William Byrde. Recomendo-o vivamente a todos os fãs de música renascentista, de Byrde e Egarr e, claro, a todas as aves raras. Esta gravação, na qual Egarr demonstra o seu talento superlativo, é servida por uma produção irrepreensível e por um design de muito bom gosto.

O futuro homérico — e acidentalmente wildeano — de Shyamalan



No remate do ensaio intitulado 'A Strange Faith in Science', uma das faces que poliedram Seven Types of Atheism (Allen Lane, 2018), o filósofo inglês John Gray reflecte sobre a problemática de um futuro pós-humano, avançando com a provocação de que um estádio dessa natureza, em que seres humanos criados artificialmente poderão, eles próprios, criar artificialmente outros seres humanos, se assemelharia mais às composições de Homero, em A Ilíada e A Odisseia, que à utopia transhumanista na qual o Homem Novo, mesclado de sintético e cibernético, assomaria como senhor da história ou auto-proclamada divindade. Escreve Gray: «If it ever comes about, a post-human world will not be one in which the human species has deified itself. More like the polytheistic cosmos imagined by the ancient Greeks, it will be ruled by a warring pantheon of gods. Anyone who wants a glimpse of what a post-human future might be like should read Homer. Like the evolutionary process that produced the human species, post-human evolution will be a process of drift» (p. 69).


O futuro idealizado por Elijah, o Mister Glass (que, a páginas tantas, declara ser um criador de super-heróis), aparenta ser mais próximo de Homero e de Gray que de Ray Kurzweil ou de Yuval Harari (The Singularity is Near: When Humans Transcend Biology e Homo Deus: a Brief History of Tomorrow, respectivamente) na sua tácita aceitação do humano: o mundo de super-heróis de que ambiciona ser, em simultâneo, parteira e profeta radica na aceitação do bestiário das imperfeições, pois cada poder de um super-herói possui num super-vilão uma fraqueza correspondente, num vero caleidoscópio de enantiomorfos. Assim, é uma pena que a personagem mais interessante de Glass (2019) seja remetida ao mutismo e ao imobilismo durante mais de uma hora, nunca se concretizando o denouement que uma relativamente hábil construção de expectativas prometia.


Faz lembrar a patifaria de Nolan em The Dark Knight Rises (2012), filme do Batman com quase três horas de duração e em que essa personagem somente aparece, no limite, durante vinte cinco minutos; com efeito, ainda houve Bruce Wayne suficiente para preencher o resto da fita, e arguir-se-á que o nome Batman não faz parte do título, ganhando, em proporção, maior espessura a patifaria de M. Night Shyamalan que, ainda por cima, pontofinaliza a sua história com um dos desfechos mais deprimentes que vi em ficção nos últimos anos. Será subjectiva esta minha avaliação, certamente, mas o filme transmitiu-me o sentimento que Shyamalan foi um criador injusto para as suas criaturas — leitura reforçada por revelações propínquas desta hora sobre o facto de o final original ter sido outro, reescrito mais ou menos à última instância por receio que caísse mal na actual mundividência politicamente-correcta do público. 


A verdade é que haveria muito para gostar em Glass, porque a premissa é interessante: olhar-se para o fenómeno dos super-heróis com um ponto de vista ontológico ou até semiótico, o que Unbreakable (2000) já conseguira fazer, dentro de uma balaustrada infelizmente bem definida. Nesse sentido, é, ainda, um filme melhor e mais pertinente que Glass.


É sintomático que seja na banda-desenhada que os exames metafísicos à super-heroicidade voem a alturas nunca sequer afloradas pelo cinema, cujo epítome poderia ser o excelente livro do Super-Homem It's a Bird (2004), escrito por Steven T. Seagle e desenhado por Teddy Kristiansen, obra que, na minha opinião, se tem conservado como o mais sensível, astuto e imprescindível testemunho sobre o que significa, afinal, ser-se super-herói. Infelizmente, para o espectador, Shyamalan não é um pensador, digamos assim. É plausível que Glass brilhasse mais em formato de seriado televisivo, prolongado — formato que até se aproxima mais de um romance, em oposição ao da longa-metragem, que vai mais na direcção de um conto. Susan Sontag teorizou sobre sinergias desta estirpe em Against Interpretation (1966); pelo menos pensou no parentesco entre literatura e cinema como linguagens narrativas, desagrilhoando o segundo do campo exclusivo da gramática visual.


Apesar do titulo, parece que Shyamalan se deslumbrou pelo títere interpretado por James McAvoy, oferecendo-lhe longo tapete vermelho para um protagonismo imenso. Se é verdade que o actor escocês desempenha os seus vários papéis em Glass com uma desenvoltura notável, a pirotecnia gestual e vocal não justifica, por si só, o segundo plano dado às personagens trazidas de Unbreakable. Tem graça a sincronicidade de ter estado a falar sobre Oscar Wilde antes de entrar no cinema, pois no final lembrei-me logo da sua famosa frase «each man kills the thing he loves». Infelizmente, é o resumo perfeito deste filme.

Crítica ao ruinismo da contemporaneidade


Seguindo na esteira dos esforços sinceros, mas, por vezes, pouco sistemáticos, dos antiquários que o precederam, Piranesi foi, na minha opinião, o artista que com mais argúcia e persistência aperfeiçou um estilo de desenho que se poderá denominar de ruinismo, ou seja, a representação indefectível da corrupção do passado, tal qual podia ser observada num momento presente; desiderato que comporta, em suma, a transferência de um espelho temporal para o plano moral, integrando a ruína na topografia metafórica, à guisa de alegoria da corrosão do indivíduo. No fundo, haveria gérmen para o efeito, não obstante o intrínseco homomerismo das estruturas em decomposição, nas quais parece só existir um todo, nunca as partes: espécie de fractais, cuja formulação fora prematuramente interrompida.

Porém, foi Goya o tradutor, em caliginosos ensaios, do ruinismo individual (e colectivo) do humano: fui sendo atraído pela vontade de ver em Goya um Piranesi do ser humano, um ruinista do homem — mas onde o olhar pacífico de Piranesi se deixa preencher pela flora esparrinhada em volta da pedra e do ferro (e ainda bem, pois poucas composições serão mais hostis à harmonia que o hibridismo entre pedra e metal), em jeito de nevoeiro enviado por Atena a Odisseu para protegê-lo dos perigosos feaces, guindando a sua pena ao serviço do todo, Goya é obcecado pelas partes: só existem partes nos desenhos e pinturas negríssimas de Goya, por vezes partes na mais imediata acepção dessa palavra — partes humanas, espetadas em ramos e lâminas. Partes, outras, de zoomorfismos e teriomorfismos variegados, amoldados em lúgubres grotesquerias: nunca me abandonará o desconforto sentido quando vi pela primeira vez o bisonho e patético lobisomem que observa uma bruxa numa vassoura a subir por uma chaminé, qual Anúbis castrado e esfolado, ao qual só faltaria uma coleira para ser bicho de trazer por casa. Horrendos são os seus duendes e diabretes, mas repare-se que certos fenótipos dessas aberrações se aproximam daquilo que viria a ser o figurino tolkiano do orco, espécie de criatura miserável que é, na origem, o ruinismo do elfo.


Com efeito, no imaginário de Tolkien, os orcos foram fabricados pelo poder das trevas a partir dos elfos, os primeiros seres da criação: arruinados — e aplico programaticamente esta palavra —, eles são versões ruinistas de uma melhor intenção, propositadamente corrompida para servir de instrumento da deterioração. Assim, os "orcos" semi-humanos de Goya, que se deleitam nos mais abjectos actos que a sua astúcia de animal perverso é capaz de conceber, expressam, tal como em Tolkien, uma visão pessimista da humanidade transfigurada — não pela tragédia —, mas pelo arbitrário absurdo de pequenas violências que se vão acumulando, que nem as partes amorfas de uma ruína, concorrendo para um todo cada vez mais uniforme na sua colossal deformidade física e moral.


Polémica de vãos de escadas


Os comentários que ouço e leio pela comunicação social e pela Internet influenciam-me a conjecturar que, de facto, pouca gente conhecia o poema Ode Triunfal do heterónimo Álvaro de Campos, criado por Fernando Pessoa, tais os niveis de estupefacção e indignação pela revelação que contém passagens algo heterodoxas.

Ora, Álvaro de Campos é o avatar pessoano de um estilo que se quer Futurista, logo muitíssimo severo para com a sociedade que a Europa herdou do século XIX, inspirando essa crítica violenta da sociedade urbana — cosmopolita, considerada imoral na sua atomização do indivíduo (o que é Kafka, senão uma espécie de futurista niilista?) — as de outros movimentos posteriores, de aspectos análogos, como o Dadaísmo, surgido em meados da Primeira Grande Guerra. Todavia, se o Dadaísmo enfatizava — e se opunha — ao absurdo e horror dessa guerra massificada, industrializada, o Futurismo abraçara a velocidade, a indústria e a violência como ferramentas revolucionárias que iriam esboroar uma ordem social liberal, considerada decadente. Já em 1909, Marinetti, pai do Futurismo, cantava no seu Manifesto que o ruído de um automóvel a correr ou os disparos de uma metralhadora eram mais belos e pertinentes que a Vitória de Samotrácia. Daí que as putas, mais as meninas que masturbam homens de aspecto decente em vãos de escada de
Ode Triunfal, são como que lâminas nas quais se reflecte todo o estertor de uma sociedade liberal de início de século considerada corrupta, imoral e hipócrita pelos futuristas e outros istas (como os fascistas, mas isso é outra história).

Fica ainda a revelação que Pessoa escreveu várias vezes sobre as suas próprias práticas masturbatórias, onanistas, e que não andam meninas por essas fantasias solitárias.



Nota sobre o Absoluto


 
Ao ler neste momento sobre o problema filosófico do Absoluto, lembrei-me, de modo absoluto (isto é, acabado em si mesmo, não-contingente), de determinados espaços que vi poucas vezes na minha infância, mas que sempre considerei fascinantes: a estância e a drogaria. Na minha geografia mental, eles nunca contêm pessoas (tal como as melhores pinturas de Hammershoi), somente um florilégio de objectos e briquebraques, como espelhos, escovas, panos, louças; ali, na estância de atmosfera seca — tão grande que parecia uma imperfeição para a qual a ortogonal malha cosmopolita consistia em pérola — estão suspensas sobre o longo balcão de madeira dezenas de alfaias esqualomórficas, lemniscatas de ferro e cobre cujo uso nunca determinei: que estranha física, aquela que elevava o metal ao tecto e agarrava papel, areia e plástico ao chão, nas formas mais dóceis e perceptíveis de lixas, serraduras e mangueiras. Porém, na recendente drogaria todos os artefactos derivavam uns dos outros, em estonteante reprodução assexuada — amebas de vidro e tecido, de borracha e cortiça, dispostas nas escadas, nas paredes e nas portas. Infenitesimais parafusos coabitavam com colossais misturadoras de cimento, cujo antracíticos ventres davam ares de gigantes caldeirões caligráficos numa lista medieval. Cheira a cera e a suor e a farinha creme que se desprende de contraplacado serrado vai misturar-se como cacau em pó com a luz projectada da rua pela porta. E, no entanto, não existem pessoas nestes espaços atafulhados. Todos os sons, cores e formas estão lá por si só. E ao lado da caixa registadora vê-se um calendário cheio de pó e lascas de ferrugem: sem utilidade num espaço intemporal que é o da mente, é livre para existir por si mesmo, sem a contingência que o unia à marcação do tempo. Tóteme do absoluto num interior tão desértico e relevante quanto uma paisagem marciana.
 
 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Crowley, Pessoa e a Criança Eterna*

 
Escreveu o autor português João Gaspar Simões, primeiro biógrafo do poeta português Fernando Pessoa, que «charlatanismo e magia sempre andaram a par»[1], referindo-se ao imprevisível encontro deste com o mago inglês Aleister Crowley. Depois de ter ficado retido um dia suplementar no porto espanhol de Vigo, por culpa de um espesso nevoeiro, o paquete Alcântara finalmente atracou em Lisboa, no cais da Rocha do Conde de Óbidos, no dia 2 de Setembro de 1930 [2]. Ao encontrar-se com Pessoa, Crowley perguntou-lhe: «-Então que ideia foi essa de me mandar um nevoeiro lá para cima?»[3] Esta frase, mais ou menos apócrifa, mais ou menos real, tem-se esgueirado incólume entre as lâminas dos escalpelos empregues pelos exegetas; pois que outra coisa poderá significar, senão o facto de Crowley já ter compreendido, através do ritmo e entrelinhas da sua prévia correspondência com Pessoa [4], que este, de facto, não tinha muita vontade em encontrar-se com ele? Aquele encontro “mágico”, que se desenrolaria a partir daquele desembarque, fora, em larga medida, projectado à pressa por Crowley nos meses anteriores. Não é, pois, surpreendente que, em Setembro do ano seguinte, Crowley se queixaria por escrito a Pessoa por não receber notícias suas há bastante tempo [5]. Assim, por qual razão terá Crowley insistido em encontrar-se com Pessoa em Lisboa? Robert Bréchon, biógrafo francês de Pessoa, oferece uma contextualização lúcida a esse respeito: «É portanto um homem desesperado que, em Agosto de 1930, decide ir a Lisboa encontrar-se com Pessoa.»[6]
 
Crowley, claro, disfarçava esse desespero com atitudes provocatórias e comportamentos excêntricos [7], mas deve ter sentido, muito à flor da pele, que o seu território de caça se cerceava rapidamente: já tinha sido expulso de Itália, em Abril de 1923, por actividades subversivas e suspeita de simpatias comunistas [8]; fora expulso de França, em Abril de 1929, por suspeita de ser um espião a soldo dos alemães [9] (embora Crowley declarasse que o motivo tinha sido o facto de a polícia considerar que a sua máquina de café era, na realidade, um aparelho para destilar cocaína [10]). Em relação à animosidade que o próprio Reino Unido cevava contra ele, o jornal inglês John Bull congratulou-se com uma súmula de todas as proscrições: «Soon Hell will be the only place which will have you. You were driven out of England, America deported you and so did Sicily. Now France has given you marching orders.»[11] Nesta perspectiva aclara-se o motivo pelo qual Crowley decidiu encontrar-se com Pessoa: terá pensado que o poeta poderia ser um bom homem de mão – fluente em inglês – para ajudá-lo a criar em Lisboa (urbe voltada para o Atlântico, placa giratória entre as Américas e a Europa) uma dependência da ordem Argenteum Astrum (ou AA, como costuma ser grafada, de molde a permitir diversas interpretações [12]), que criara a 15 de Novembro de 1907 (conjuntamente com George Cecil Jones e J. F. C. Fuller)[13], e cujo texto basilar foi, precisamente, O Livro da Lei (Liber AL), escrito em 1904.

Investigações contemporâneas sobre o espólio documental de Crowley, referente ao seu encontro com Pessoa, revelam que o poeta português Raul Leal (que assinava com o pseudónimo Henoch e foi autor de Sodoma Divinizada, em 1923, entre outros trabalhos) recebeu Crowley no seu apartamento da Rua das Salgadeiras, no Bairro Alto, em Lisboa, no dia 9 de Setembro de 1930, para se submeter a algum tipo de iniciação de carácter esotérico [14]. Desde o início do ano, pelo menos, que Leal se correspondia com Crowley, visando, em específico, ser iniciado por este num caminho mágico [15]. Mais tarde, em Julho de 1950, o próprio Leal escreveu sobre esse secreto encontro a João Gaspar Simões, referindo-lhe a presença de Pessoa, mas não mencionou qualquer iniciação de pendor esotérico; somente escreveu que Crowley lhes tinha provocado, por via de um «maléfico» sortilégio, uma enigmática doença que, no caso de Pessoa, lhe provocara a morte cinco anos depois [16]. Segundo outra interpretação, o silêncio de Leal sobre a suposta iniciação poderá relacionar-se com o facto de esta ter consistido numa partida que lhe foi pregada por Crowley e Pessoa [17]. No que concerne à iniciação de Pessoa por Crowley numa das suas ordens, o argumento mais conspícuo cifra-se numa circular destinada em exclusivo a membros da AA e enviada por Crowley a Pessoa, datada de 21 de Março de 1932 [18]. Quer isto dizer que Pessoa seria um iniciado – um discípulo formal? Ou seria uma estratégia elegante de Crowley lhe chamar a atenção, sem se comprometer, posto que, como vimos, o poeta lhe deixara de enviar correspondência? Seja como for, o que é verdadeiro é que Pessoa e Crowley não se terão visto mais do que três vezes – no cômputo, um encontro fugidio.

Pese o facto de o encontro entre ambos não ter feito medrar frutos mais férteis, Fernando Pessoa e Aleister Crowley tinham bastantes realidades em comum: ambos foram criaturas moldadas por um rígido sistema educacional britânico, sob o qual era mal visto os rapazes demonstrarem as suas emoções (um sistema que fez Crowley explodir e Pessoa implodir) [19]; e ambos partilharam o mesmo sentido de humor truculento (a comprová-lo, o episódio da suposta iniciação de Leal?), o interesse pelas letras e pelo oculto. Para Pessoa, a iniciação era «uma admissão à conversação com os anjos» e a poesia o canal que conduzia a essa iniciação [20]; tal como para Crowley o canal para a conversação com o Sagrado Anjo da Guarda era a magia [21]. Mas a maior afinidade entre eles foi, certamente, a paixão pela pseudonímia.

 
Pessoa criou dezenas de heterónimos, personagens literárias com biografias, personalidades e estilos autorais distintos, com as quais assinava a maioria dos seus escritos; e Aleister Crowley criou dezenas de pseudónimos para assinar os artigos e ensaios que publicou em The Equinox e diversas personagens com as quais escrevia sobre si próprio nos seus livros. Já em criança, Fernando Pessoa criava personalidades fictícias para assinar pequenos versos, composições ou, simplesmente, para vestir essas peles em brincadeiras com os irmãos: Chevalier de Pas, Alexander Search, Capitão Thibeaut, Quebranto Oessus ou Adolph Moscow são algumas das primeiras personagens da infância pessoana, passada em Durban, na África do Sul [22]. Já em adulto, em Lisboa, Fernando Pessoa iria assumir uma espécie de metempsicose zoomórfica através da figura do Íbis: ave pernalta que na mitologia egípcia é avatar do deus Toth, o criador da escrita e da magia. Durante algum tempo, quando saía com a família, costumava parar de repente na rua para assumir a postura de um íbis, recolhendo uma perna e encostando o dedo ao nariz, para enorme embaraço de quem o acompanhava – era uma pantomima quasi-ritualística, à guisa de santo-e-senha de sociedade secreta [23]. Aleister Crowley tinha, também, uma brincadeira de rua com a qual espantava os amigos e os estranhos a quem procurava convencer da autenticidade dos seus poderes mágicos: consistia em seguir um transeunte, escolhido aleatoriamente, e imitar-lhe na perfeição os movimentos; quando atingia essa sincronia, simulava de repente uma queda e divertia-se imenso a ver o indivíduo desequilibrar-se sem perceber que força indesvendável o fizera tropeçar [24].

Contudo, superiorizando-se a todas estas afinidades de formação e de partilha de senso de humor e gosto pelo universo do oculto assomava uma enorme diferença: Crowley era um homem do mundo, um intrépido viajante, um extrovertido sem limites; Pessoa era um cidadão do imaginário e só viajava por algumas ruas da Baixa Pombalina – o máximo que se afastava de Lisboa era a distância que a apartava da cidade alentejana de Évora. Nem Pessoa seria capaz de acompanhar Crowley, nem Crowley seria capaz de manter-se quedo para fazer companhia a Pessoa. Uma única diferença pode escavar um fosso entre duas almas tão parecidas.

O encontro de Crowley e Pessoa tornou-se conhecido em virtude da brincadeira engendrada em volta do falso suicídio de Crowley no sítio baptizado de modo dramático de Boca do Inferno, em Cascais [25]. O local, acidente geológico em que uma gruta esgaivada pelo oceano Atlântico colapsou deixando aberta uma confragosa concavidade, decorada por um arco natural, impressiona pela força com que as águas chocam com as rochas; em principal, nos meses de Inverno. Hoje, uma placa memorialista recorda aos visitantes o ludíbrio imaginado por Crowley (para divertir-se à custa da sua desavinda namorada alemã Hanni Jaeger [26]) e coadjuvado por Pessoa. No entanto, na nossa opinião, o remanescente mais relevante desse encontro não consiste nesse golpe “publicitário”.

De facto, estudando as biografias destes protagonistas, pode constatar-se que 1930 cifra uma data de charneira nas vidas de Crowley e Pessoa, manifestando-se neles duas mudanças de admirável pendor análogo: ambos perderam rapidamente o interesse que mantinham no comentário político e enveredaram com maior serenidade no caminho esotérico. Em Crowley, essa serenidade é flagrante: o papel de verrinoso profeta do Éon de Hórus, a Idade da Criança Coroada e Conquistadora preconizada n’O Livro da Lei, deu lugar ao de um instrutor, de um mestre de magia – compare-se o estilo intenso e até revolucionário do livro sobredito [27] com a abordagem empática e paciente do livro Magick Without Tears, escrito ao longo da década de 1940 e publicado postumamente em 1954 (Crowley faleceu em 1947). São textos escritos por mentalidades totalmente diferentes. Pessoa, por outro lado, dedicou os seus últimos anos de vida (faleceu em 1935) a desenvolver o seu próprio sistema mágico: segundo alguns autores, denominou esse sistema por Caminho da Serpente [28]. É tentador projectar nestes percursos de vida uma transmigração de um para o outro de, pelo menos, parte das suas atitudes.

Pese a circunstância de a relação epistolar de ambos não ter ido além de 1931, apesar da insistência de Crowley, os dois comparsas provisórios conservaram gestos simpáticos de um para com o outro. Pessoa, por exemplo, ao abrigo da identidade de um detective inglês que inventou para escrever sobre o falso suicídio na Boca do Inferno, numa novela deixada incompleta, deixou um lúcido testemunho sobre Crowley – uma opinião que, sob o resguardo de uma perspectiva ficcional, se assume, parece-nos, com a maior das sinceridades:
«Um homem como Crowley põe um problema insolúvel às pessoas para quem todos os problemas devem ser insolúveis, por direito próprio. Ele apresenta-se ao mundo, simultaneamente, como um profundo ocultista e mago, e como uma espécie de charlatão. Não confirmo nem nego nenhuma das hipóteses. Mas a sua coexistência é perfeitamente possível. Ficaria muito surpreendido se ele fosse uma celebridade em termos práticos, um indivíduo conhecido, como Wells ou Shaw, que são, na verdade e na raiz das coisas, bem menos profundos e mais superficiais do que Crowley.»[29]
Crowley, que compôs uma leitura muito positiva de Pessoa, aquando da passagem por Lisboa, reteve o impacto que lhe provocara a poesia deste, não se coibindo de recomendá-la com entusiasmo a amigos e associados, em mais do que uma ocasião [30].

Em relação à poesia de Pessoa, em múltiplos aspectos ela harmoniza-se, se não com as intenções, no mínimo com a temática crowleyana – com um especial e específico múnus espiritual. Atente-se, em jeito de ilustração, a dois poemas: um do heterónimo Alexander Search e outro do heterónimo Alberto Caeiro, ambos sobre a temática do Puer Aeternus, a Criança Eterna. Em Regret, de Search, pode ler-se o seguinte: «I would that I were again a child / And a child you sweet and pure, / That we might be free and wild / In our consciousness obscure / (...)»[31]. Mais tarde, sob a identidade de Caeiro, Pessoa escreveu: «Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro. / Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava. / Ele é o humano que é natural, / Ele é o divino que sorri e que brinca.»[32] N’O Livro da Lei, o Senhor do Silêncio e da Força com cabeça de falcão não possui a ludicidade da Eterna Criança pessoana [33], embora seja, também, uma criança eterna – uma versão pós-industrial do arquétipo da Divina Criança, num recorte neojoaquimita [34].



*Texto de minha autoria, publicado originalmente em CROWLEY, Aleister, Liber Al vel Legis, O Livro da Lei, São Paulo, Chave, 2017, pp. 195-203.

 


[1] SIMÕES, João Gaspar, Vida e Obra de Fernando Pessoa. História de uma Geração, Lisboa, Livraria Bertrand, 1980, 4ª edição, p. 593.

[2] IDEM, ibidem, p. 601.

[3] Loc. cit.

[4] Iniciada por Pessoa, com uma carta enviada a The Mandrake Press, a 18 de Novembro de 1929. Cf. ROZA, Miguel (ed.), Encontro Magick de Fernando Pessoa e Aleister Crowley, Lisboa, Hugin Editores, Lda., 2001, p. 60.

[5] Numa carta datada de 18 de Setembro de 1931. In IDEM, ibidem, pp. 378-380.

[6] BRÉCHON, Robert, Estranho Estrangeiro. Uma Biografia de Fernando Pessoa, Lisboa, Quetzal Editores, 1996, p. 485.

[7] Como transformar em galeria de arte o quarto de hotel que ocupava em Londres no Verão de 1930 – foi expulso. In KACZYNSKI, Richard, Perdurabo. The Life of Aleister Crowley, Berkeley, North Atlantic Books, 2010, p. 448.

[8] CHURTON, Tobias, Aleister Crowley, the Biography. Spiritual Revolutionary, Romantic Explorer, Occult Master – and Spy, Londres, Watkins Publishing, 2012, p. 263-267.

[9] SUTTIN, Lawrence, Do What Thou Wilt. A Life of Aleister Crowley, Nova Iorque, St. Martin’s Press, 2000, p. 341.

[10] SYMONDS, John, The King of the Shadow Realm. Aleister Crowley: His Life and Magic, Londres, Duckworth, 1989, p. 437.

[11] Edição de 27 de Abril de 1929. Cf. KACZYNSKI, op. cit., pp. 439-440.

[12] Representações acronímicas pontuadas por triângulos formados por três pontos comportam, em determinados círculos esotéricos, a noção de que a ordem ou sociedade assim grafada se encontra, de um modo directo, na continuidade de Mistérios Antigos, de matriz clássica ou até pré-clássica.

[13] KACZYNSKI, op. cit., p. 173. A sede e o templo-matriz da AA situavam-se num apartamento alugado em Victoria Street, nº 124, na vizinhança dos jardins do palácio de Buckingham, cf. BOOTH, Martin, A Magick Life. A Biography of Aleister Crowley, Londres, Coronet Books, 2001, p. 264.

[14] PASI, Marco, “September 1930, Lisbon: Aleister Crowley’s lost diary of his Portuguese trip” (pp. 255-283), in Pessoa Plural, nº1, Providence, Brown University, 2012, p. 260. 

[15] Loc. cit.

[16] LEAL, Raul, “Carta de Raul Leal a João Gaspar Simões a propósito de “Vida e Obra de Fernando Pessoa” e de Aleister Crowley”, (pp. 54-57), in Persona, nº7, Porto, Centro de Estudos Pessoanos/Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 1982.  

[17] DIX, Steffen, “An implausible encounter and a theatrical suicide – its prologue and aftermath: Fernando Pessoa e Aleister Crowley”, (pp. 169-180), in CASTRO, Mariana Gray de (ed.), Fernando Pessoa’s Modernity without Frontiers: Influences, Dialogues, Responses, Woodbridge, Tamesis Books, 2013, p. 180.

[18] ROZA, op. cit., pp. 390-392.

[19] Para Pessoa, ler, por exemplo, BRÉCHON, op. cit., pp. 61-67; e, também, QUADROS, António, Fernando Pessoa. Vida, Personalidade e Génio. Uma biografia «autobiográfica», Lisboa, Publicações Dom Quixote, 5ª edição, 2000, pp. 25-27. Para Crowley, observar o acontecimento fulcral narrado em CROWLEY, Aleister, The Confessions of Aleister Crowley. An Autohagiography, SYMONDS, John; GRANT, Kenneth (eds.), Londres, Arkana Books/Penguin Books, 1989, pp. 52-53. De igual maneira, o argumento expresso em HUTIN, Serge, Aleister Crowley. Le plus grand des mages modernes, Verviers, Editions Gérard & Cº, 1973, p. 74. Sem ser a última palavra sobre este período da vida do protagonista, não se ignore o relato mais “sensacionalista” publicado em KING, Francis, Mega Therion. The Magickal World of Aleister Crowley, s.l., Creation Books, 2004, pp. 9-10.  

[20] BINET, Ana Maria, “Pessoa, Fernando, 13.6.1888 Lisbon-30.11.1935 Lisbon”, (pp. 942-944), in HANEGRAAFF, Wouter J. (ed.); FAIVRE, Antoine; BROEK, Roelof van der; BRACH, Jean-Pierre (col.), Dictionary of Gnosis & Western Esotericism, Leiden, Brill, 2006, p. 943.

[21] Cf. CROWLEY, Aleister; DESTI, Mary; WADDELL, Leila, Magick. Liber ABA. Book Four, Parts I-IV, BETA, Hymenaeus (ed.), York Beach, Samuel Weiser, Inc., 2ª edição, 2000, p.112. Também PASI, Marco, “Crowley, Aleister (born Edward Alexander), 12.10.1875 Leamington, 1.12.1947 Hastings”, (pp.281-287), in HANEGRAAFF, op. cit., p. 285-286.

[22] NOGUEIRA, Manuela, Fernando Pessoa. Imagens de uma Vida, GALHOZ, Maria Aliete (apr.); ZENITH, Richard (pref.), Lisboa, Assírio & Alvim, 2005, p. 22.

[23] BRÉCHON, op. cit., p. 96; FERREIRA, António Mega, Fazer Pela Vida. Um Retrato de Fernando Pessoa, o empreendedor, Lisboa, Assírio & Alvim, p. 66.

[24] SUTIN, op. cit., p. 272.

[25] Também conhecido por Mata-Cães.

[26] Na verdade, Crowley já planeava forjar o seu suicídio há bastante tempo, cf. PASI, op. cit., p. 259, n. 17.

[27] No início do século XIII, já a reforma de Císter ia a meio-gás, o movimento milenarista medieval reforça-se inesperadamente com o desenvolvimento do Joaquimismo: corrente criada em volta das ideias do frade cisterciense calabrês Joaquim de Fiore, falecido em 1202 (a Calábria é a biqueira da "bota" italiana e nessa altura fazia parte do reino da Sicília). Em essência, o modelo milenarista joaquimita consiste numa visão macro-histórica das origens e destino da humanidade, formada por Três Idades, à semelhança da Santíssima Trindade: a pretérita Idade do Pai (os eventos narrados no Antigo Testamento), a presente Idade do Filho (os eventos narrados no Novo Testamento e a Era da Igreja) e a vindoura Idade do Espírito Santo (um período emergente de profunda contemplação espiritual, perfeição e paz). Joaquim de Fiore criou esta doutrina através do estudo do livro Apocalipse e calculou que a Idade do Espírito Santo despontaria em 1260. Três anos depois dessa data, no Sínodo de Arles, o Papa Alexandre IV condenou o Joaquimismo como sendo uma perigosa heresia. Por que é que uma Idade do Espírito Santo, plena de profunda contemplação, perfeição e paz, consistia numa perigosa heresia? Embora a profunda contemplação, a perfeição e a paz joaquimitas fossem conceitos com os quais, em princípio, a Igreja não teria grandes dificuldades em lidar, Joaquim de Fiore também profetizou que a Idade do Espírito Santo traria o desmantelamento definitivo de todas as estruturas eclesiásticas - e isso é que a Igreja não podia tolerar; daí a condenação tout court do Joaquimismo (na verdade, o Papa Inocêncio III já o tinha condenado, mas apenas em parte, em 1215, no IV Concílio de Latrão). Independentemente disso, o Joaquimismo fez furor entre os franciscanos, que sempre foram, de certa forma, bastante anti-institucionais e, ao longo dos séculos vindouros, o milenarismo joaquimita provou ser um poderoso algoritmo, capaz de adaptar-se e dar sentido a um florilégio estonteante de ideias milenaristas de várias proveniências. Entre elas, o milenarismo crowleyano.

Não reste dúvidas que a narrativa apocalíptica de The Book of the Law (até este título é o mesmo nome que os judeus dão ao Pentateuco) é, em essência, uma nova versão do velho ideal milenarista, apocalíptico – em maior espessura, do milenarismo de recorte joaquimita. Na visão milenarista de Aleister Crowley, desenvolvida em The Book of the Law, pedra basilar do edifício de Thelema, as Três Idades são as seguintes: a Idade da Mãe (uma idade que simboliza uma hipotética madrugada histórica matriarcal, cujo narradora é Nuit, a deusa egípcia da Noite), a Idade do Pai (a idade das religiões patriarcais e monoteístas, cujo narrador é Hadit, noivo de Nuit) e a Idade do Filho (o Novo Éon, o início de uma nova idade cósmica, narrada por Ra-Hoor-Khuit, jovem deus rebelde e vingativo, identificado com Harpócrates: o deus grego do silêncio, baseado nas representações infantes do deus egípcio Hórus, o Sol recém-nascido). Assim, pode também dizer-se que Nuit é identificada com Ísis e Hadit com Osíris. Neste modelo milenarista contemporâneo, sincrético, a energia iconoclasta e indomável da juventude, representada pela Idade do Filho, combate com violência o poder institucional e autoritário, mas decadente, moribundo, da Idade do Pai. É, de facto, uma narrativa "revolucionária" que instiga uma mudança violenta contra o estado das coisas – daí, na altura, ter sido entendida como propaganda radical de Esquerda. Para Crowley, o advento do Novo Éon, do qual ele se apresentou como profeta, na mesma linha dos profetas veterotestamentários e de Cristo, seria uma ruptura violenta acompanhada de terramotos e guerras. Quando os efeitos catastróficos se dissipassem, instalar-se-ia, como esperado e costumeiro nas ideias milenaristas, a iluminação (thelemita) num período solar de progressão espiritual.

[28] Vid., entre outros, ANES, José Manuel, Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos, Lisboa, Ésquilo, pp. 144-152; CENTENO, Yvette K., Fernando Pessoa, Magia e Fantasia, Porto, Edições ASA, 2003, pp. 62-75, 81-88; FREITAS, Lima de, “O esoterismo na arte portuguesa” (pp. 176-213), in AA.VV, Portugal Misterioso, Lisboa, Selecções do Reader’s Digest, 1998, pp.206-213; FREITAS, Lima de, Porto do Graal. A Riqueza Ocultada da Tradição Mítico-Espiritual Portuguesa, FREITAS, José Hartvig de (pref.), Lisboa, Ésquilo, 2006, pp. 255-282. Sobretudo, ler PESSOA, Fernando, “XI – Para a obra intitulada «O Caminho da Serpente»”, in QUADROS, António (pref., org., not.), Obra em Prosa de Fernando Pessoa. A Procura da Verdade Oculta. Textos Filosóficos e Esotéricos, Mem-Martins, Publicações Europa-América, s.d., pp. 212-219.    

[29] PESSOA, Fernando, “A Boca do Inferno. Novela policiária” (pp. 399-529), in ROZA, op. cit., p. 501. (Sublinhado nosso. A partir daqui todos os sublinhados em citações são nossos.)

[30] PASI, Marco; FERRARI, Patricio, “Fernando Pessoa and Aleister Crowley: new discoveries and a new analysis of the documents in the Gerald Yorke collection” (pp. 284-313), in Pessoa Plural, nº1, Providence, Brown University, 2012, pp. 289-290.

[31] PESSOA, Fernando, Alexander Search. Poesia, FREIRE, Luísa (ed., trad.), Lisboa, Assírio & Alvim, 1999, p. 108. 

[32] Alberto Caeiro, apud BRÉCHON, op. cit., p. 235.

[33] Cf. CROWLEY, Aleister, The Book of the Law, York Beach, Weiser Books, s.d., p. 49.

[34] Vid. supra, n. 26.