quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Fórum "O Evangelho do Enforcado"

No fórum da colecção BANG! das edições Saída de Emergência, já foi aberto o tópico sobre O Evangelho do Enforcado.

Visitem-no e acompanhem-no, porque, muito em breve, um novo passatempo relacionado com este livro será lá anunciado.



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quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Crítica a "O Evangelho do Enforcado"

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Vencedor do passatempo

O passatempo de O Evangelho do Enforcado foi o mais concorrido até agora: oitenta participantes (portugueses e brasileiros). Obrigado a todos!

Infelizmente, só pode haver um vencedor. O participante que respondeu mais rapidamente e de forma correcta foi o leitor Rui Silva, de Figueiró dos Vinhos. Parabéns!

A resposta certa era Ilha da Berlenga Grande.

Fiquem atentos porque, muito em breve, o livro O Evangelho do Enforcado será colocado em pré-venda no site das edições Saída de Emergência, com uma exclusividade especial.

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sábado, 16 de Janeiro de 2010

Passatempo "O Evangelho do Enforcado"

Tenho um exemplar do meu novo romance O Evangelho do Enforcado (nas livrarias a 12 de Fevereiro pela Saída de Emergência) para oferecer ao leitor dos Cadernos de Daath que responder mais depressa, e de modo correcto, à seguinte pergunta:

O Infante D. Fernando era senhor de uma região portuguesa que já foi chamada de Ilha de Saturno. Qual é o nome actual dessa região?

Enviem as vossas respostas (até dia 27) para:
passatempo.evangelhodoenforcado(at)gmail.com.

Acompanhem as actualizações diárias, com novidades exclusivas sobre o romance na sua página no Facebook.

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"A Conspiração dos Antepassados": pré-venda

A edição especial do meu romance A Conspiração dos Antepassados chegará às livrarias no próximo dia 22, mas já se encontra disponível para pré-venda no site da Saída de Emergência.

Quem ainda não leu o romance, cujas personagens principais são o poeta português Fernando Pessoa e o mago inglês Aleister Crowley, tem agora uma boa oportunidade para o levar para casa, com uma nova capa e um prefácio da autoria do escritor e realizador de cinema António de Macedo.

Entretanto, o meu novo romance O Evangelho do Enforcado, sobre os Painéis ditos de São Vicente, também está quase a sair (dia 12 de Fevereiro). Quem quiser acompanhar as novidades exclusivas que, diariamente, vou publicando sobre ele na sua página do Facebook, pode fazer-se fã nesta ligação. Em breve, anunciarei o passatempo que dará a um leitor a possibilidade de ganhar um exemplar assinado deste romance.

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quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010

Apresentação de "Grande C"

Amanhã, às 15H00, no fórum da loja FNAC do Centro Comercial Colombo, será apresentado ao público o projecto Grande C - Concurso de Criatividade Para Escolas.

Trata-se de uma iniciativa organizada pela Agecop - Associação Para a Gestão da Cópia Privada, que conta com o apoio institucional e a promoção de várias entidades; entre elas, o Ministério da Cultura, a Apel - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e a SPA - Sociedade Portuguesa de Autores.

O site do concurso já está online e nele poderão descobrir aquilo em que consiste este desafio à criatividade, cujo principal objectivo é sensibilizar os mais jovens (alunos do secundário, 3º ciclo ou, simplesmente, jovens dos 12 aos 18 anos de idade) para o desenvolvimento artístico. Nesse sentido, o concurso Grande C conta com várias áreas para as quais poderão realizar trabalhos e propostas, como música, vídeo, design e, claro, literatura.
Consultem o regulamento para ficarem a saber como poderão concorrer.

Vários artistas das áreas a concurso foram convidados a prestar um depoimento sobre a sua actividade, num registo pensado para quem está a dar os primeiros passos na criação. Poderão ver o meu depoimento aqui.

O lançamento do Grande C contará com as presenças dos organizadores e promotores, assim como alguns dos artistas convidados.

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terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Ensaio sobre a obra de David Soares


O crítico Pedro Vieira de Moura escreveu um ensaio sobre o meu trabalho de escritor, focando-se, em especial, nos meus romances Lisboa Triunfante e A Conspiração dos Antepassados.
Trata-se de um ensaio crítico rigoroso, que examina a minha obra com profundidade. Convido, pois, à sua leitura.

«Soares não se limita a ficcionar, mas a operar um acto mágico sobre o real. (...) David Soares, escritor, mago e docente, não cria as suas ficções para nos pôr a sonhar, mas antes para nos despertar o poder real da imaginação.»


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segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

Wild at heart

Gostei muito de Where the Wild Things Are, de Spike Jonze.

Nunca li o livro homónimo de Maurice Sendak que está na origem desta adaptação, mas o filme é, na minha opinião, uma grande lufada de ar fresco. Em primeiro lugar, é gritante como as criaturas imaginadas por Max, o menino que é a personagem humana principal, são cheias de vida, carácter, peso, volume, textura e personalidade quando comparadas com as animações CGI de tantos filmes que por aí andam a estrear ou já estrearam recentemente; como o sobrevalorizado Avatar, de James Cameron, cujos indígenas azuis Na'vi me pareceram saídos de um qualquer filme do Shrek. Produzidas pela Jim Henson's Creature Shop, as Coisas Selvagens nada têm de shrekiano e servem de lembrança a um tempo em que os efeitos especiais eram mais orgânicos; isto não é nenhum discurso nostálgico, se bem que esse sentimento esteja presente na minha cabeça neste momento, mas a constatação que a suposta sofisticação dos efeitos especiais digitais não oferece ao espectador o mesmo maravilhamento proporcionado por algo real e colocado em frente da câmara. (Há excepções, como as personagens e panoramas da trilogia The Lord of the Rings, de Peter Jackson, mas nesses filmes há tanto hibridismo entre miniaturas, animatrónica, imagem real e animação digital que, na verdade, não é justo falar-se apenas em CGI convencional). Estarei a ser influenciado por uma perspectiva geracional, já que não cresci com o CGI e, talvez por culpa disso, essa técnica me pareça sempre artificial e insatisfatória? É possível, porém fica esta leitura, suscitada pelo visionamento do filme de Jonze.

Quem, como eu, ainda se lembra de como era ser criança e passar o dia a imaginar monstros e cenários assustadores, não deixará de se comover. É que ser miúdo (principalmente filho único) é mesmo aquilo que se vê em Where the Wild Things Are; que, com efeito, acaba mais por ser um filme sobre a infância que um filme para crianças. Sendo esse o predicado, é fácil perceber porque é que os monstros imaginados por Max não se assemelham com criaturas conhecidas das histórias e mitos (não há qualquer tipo de imagem arquetípica em Where the Wild Things Are): são construções imaginais "selvagens", mistas de humano e fera - tão mutáveis quanto o próprio sonho, ora mansas, ora maliciosas. Retalhos de imagens e impressões do dia-a-dia de Max, antropomorfizados em corpos poderosos, mas indecisos. São, também, figurações de sentimentos. de estados de alma. A coisa selvagem Carol é Max: confuso, brusco, criativo, mas carente de afecto e de sentido. Não é insuspeito que, depois de ter destruído o quarto da irmã e de ter mordido a mãe, Max chegue à ilha e veja as Coisas Selvagens pela primeira vez numa altura em que Carol está a destruir as tocas de toda a gente, numa tremenda birra. Max vê-se a si próprio.

Aqui reside aquilo que pode deixar os espectadores mais insensíveis a olhar de lado: é que Where the Wild Things Are não tem lógica nenhuma, a não ser a lógica das brincadeiras infantis; tal como elas são, na sua crueldade e absurdo. Existe um fino equilíbrio entre representação pura da infância e a reflexão intelectual da infância. Grande parte dessa reflexão tem de ser feita pelo espectador, mas quantos estarão dispostos a fazê-lo?

Visualmente fascinante, pleno de planos de grande beleza, Where the Wild Things Are é especial. Sobretudo, é muitíssimo "real".
Nunca um filme de monstros foi tão real quanto este. Há um prenúncio de morte quando a coisa selvagem Bull aborda Max na praia, no momento em que este se vai embora, e fala pela primeira vez para lhe perguntar se ele irá falar bem das Coisas Selvagens no sítio para onde vai. Como se esta personagem, a mais introvertida de todas, intuísse que assim que o miúdo se for embora todas as Coisas Selvagens morrerão. Digo isto porque se elas são produtos imaginários, criados por Max para o auxiliar na sua hora de danação, deixam de ser precisas assim que ele lhes virar as costas. Neste sentido, os uivos finais de despedida emitidos pelos monstros são muito mais que isso.

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domingo, 10 de Janeiro de 2010

Página no Facebook

O meu novo romance, O Evangelho do Enforcado, já tem página no Facebook.
Nessa página serão publicadas diariamente notícias e novidades exclusivas sobre o livro. Visitem-na e façam-se fãs.

O Evangelho do Enforcado chegará às livrarias no próximo dia 12 de Fevereiro, pela Saída de Emergência.

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quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

"O Evangelho do Enforcado"

«Lisboa, século XV: Nuno Gonçalves, nascido com um dom quase sobrenatural para a pintura, desvia-se dos melhores ensinamentos do mestre flamengo Jan Van Eyck, à medida que perigosas obsessões vão tomando conta dele. Ao mesmo tempo, na sequência de uma cruzada falhada contra a cidade africana de Tânger, o Infante D. Henrique deixa para trás o seu irmão D. Fernando, um acto polémico que dividirá a nobreza e inspirará o regente D. Pedro a conceber uma obra única. E que melhor artista para a pintar que Nuno Gonçalves, estrela emergente no círculo artístico da corte? Mas o pintor louco tem intenções negras, que nada têm a ver com os bons desejos do regente, e o quadro que sairá das suas mãos manchadas de sangue irá, sem sombra de dúvida, mudar o Reino.
Entretecendo História e fantasia, O Evangelho do Enforcado é um romance fantástico sobre a mais enigmática obra de arte portuguesa: os Painéis ditos de São Vicente. É, também, um retrato pungente da cobiça pelo poder e da vida de todos os dias na capital portuguesa do período final da Idade Média. Pleno de descrições tão vívidas quanto pinturas, é uma viagem poderosa ao luminoso mundo da arte e aos tenebrosos abismos da alienação, servida por uma riquíssima galeria de personagens.
Entre num mundo misterioso de arte, loucura e crime.»

O meu novo romance, O Evangelho do Enforcado (Saída de Emergência) vai para as livrarias no dia 12 de Fevereiro. Trata-se de uma história fantástica sobre os Painéis ditos de São Vicente e a vida de Nuno Gonçalves, creditado como sendo o pintor dessa obra.
Acompanhando esse tema encontram-se outros de carácter hermético, tal como as obscuras origens do baralho de Tarot: algo que, neste livro, se corresponde intensamente com a vida e obra de Nuno Gonçalves.

Estou felicíssimo com O Evangelho do Enforcado, que é, para já, o meu trabalho favorito. Deixo-vos com um excerto.
Fiquem atentos, porque em poucos dias realizarei um passatempo para oferecer um exemplar autografado.

«Quando Nuno saiu da oficina, ao cair da noite, sentiu o cheiro a chouriço assado e a água-pé que permeava o Largo da Sé. Tivera um dia de trabalho intenso; só comera um pão roxo ao jantar e estava cheio de fome. Contudo, conseguira um avanço significativo na pintura dos painéis. Os dias como aquele, em que não recebia os modelos, corriam-lhe melhor.
Puxando as mangas para baixo, ocultando as manchas de tinta nos braços, subiu a Rua das Canastras e virou à direita para o Largo da Sé onde viu uma fogueira enorme no centro: as silhuetas das labaredas chicoteavam as lajes da catedral, criando sombras negríssimas que, à guisa de vergastões nas costas de um mártir, lhe ofereciam uma imaculável dignidade divina. A plebe dançava; um grupo de homens, que assava um porco, oferecia pedaços de toucinho a outro porco que por ali passava. Viam-se pessoas sentadas a tocar guitarra nos degraus da igreja, entre elas alguns clérigos, e um grupo de jograis cantava em cima de um palanque improvisado, junto à fogueira. Casais procuravam as sombras para se beijar. Crianças atiravam fezes de cão umas às outras. Pelo rabo do olho, Nuno viu dois fulanos a descarregar um barril de vinho de um carrinho de mão; contemplou o barril e viu que estava marcado com uma sigla que não lhe era estranha.
‘Que festa é esta?’, perguntou, intrigado, a um homem que batia palmas aos dançarinos.
‘São os anos de D. Pedro’, respondeu ele, sem tirar os olhos da dança.
Nuno acenou com a cabeça. Era o selo real que estava marcado no barril.
Afastou-se, coçando os braços: passara o dia todo com comichão, mas o prurido piorara.
Subiu pelo largo e virou à esquerda, nas traseiras dos Paços do Concelho, para a Rua de Trás de Santa Ana. Mal entrou na rua, caíram-lhe pingos de água na cabeça: olhando para cima, descobriu que alguém acabara de pendurar roupa molhada; desviou-se, passando na vizinhança de um beco. Nesse instante, ouviu um ruído. Um gemido.
Virou-se para a viela sem saída e viu um velhote sujo a vir ao seu encontro: o andrajoso andava apoiado em dois bordões e sangrava da boca. Quando se aproximou, a luz fraca que provinha do Largo da Sé foi suficiente para lhe desvendar o rosto. Com efeito, o homem sangrava da boca, mas o sangue não lhe pertencia: era de um cachorro recém-nascido que ele trazia nos dentes.
Com um gesto selvático, o velho ameaçou Nuno com um bordão e, nesse instante, o pintor apercebeu-se que ele trazia uma caixa às costas, suportada por duas correias a tiracolo. Não. Não era uma caixa, mas uma gaiola cheia de animais moribundos. Nuno viu uma amálgama de pêlos e penas – talvez fosse um único animal, um monstro. Talvez fossem as vitualhas daquele velhote. Vitualhas que ganiam.
‘Mmmpff!…’, vocalizou o velho, abocanhando o animal morto. ‘Pfff! Pfff!’
Enojado, mas, em simultâneo, fascinado por aquela imagem infernal, Nuno correu rua abaixo, passando pelas traseiras da Igreja da Madalena, onde um bando de pedintes ressonava, encostado à parede. As ruas de trás são como a parte inferior das pedras, pensou. É onde os vermes se escondem. Descendo por um troço da Rua da Fancaria, ouviu música e gargalhadas; virou à direita, na direcção da Rua Nova.»

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Vencedor do passatempo

O vencedor do passatempo A Conspiração dos Antepassados - Edição Especial foi o leitor Carlos Antunes, de Santo António dos Cavaleiros: foi o primeiro participante a responder correctamente às duas perguntas e, como tal, irá receber um exemplar autografado da edição especial do romance. Parabéns!

As respostas certas são as seguintes:
1) Íbis.
2) "Sometimes I hate myself."

Obrigado a todos os participantes.

A edição especial d'A Conspiração dos Antepassados, que conta com um prefácio de António de Macedo, chegará às livrarias no próximo dia vinte e dois.

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quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Passatempo "A Conspiração dos Antepassados"

Em jeito de prenda de Natal, as edições Saída de Emergência e eu temos um exemplar da edição especial d'A Conspiração dos Antepassados para oferecer ao primeiro leitor dos Cadernos de Daath que responder correctamente às seguintes perguntas:

1) Qual era a famosa alcunha pela qual Fernando Pessoa gostava de ser chamado?
2) Quais foram as últimas palavras que Aleister Crowley proferiu no leito de morte?

Enviem as respostas, até 5 de Janeiro, para o seguinte endereço de email: passatempo.conspiracao(at)gmail.com.

A edição especial d'A Conspiração dos Antepassados, que conta com um prefácio do escritor e realizador de cinema António de Macedo, estará disponível nas livrarias a partir do dia 22 de Janeiro de 2010.

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Grande C: Criatividade nas escolas

A Agecop (Associação para a Gestão da Cópia Privada) está a organizar junto das escolas uma iniciativa intitulada Grande C: Projecto Escolas/Concurso de Criatividade, que consiste em «sensibilizar os mais jovens para a importância do respeito pelos direitos de autor e propriedade intelectual.»
O objectivo da iniciativa (o concurso) «passa por estimular a criatividade e o talento dos jovens alunos com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos. Assim, os candidatos são convidados a criar obras originais nas seguintes categorias: Música, Letra, Design, Vídeo, Plano de Promoção Online, Escrita Criativa e Media. Está a ser desenvolvido em articulação com outras entidades que representam os autores, os artistas, os produtores e os editores.» (Entre elas, a APEL, Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.) «O projecto conta com o apoio das Ministras da Cultura e da Educação, bem como da Comissária Europeia para os Assuntos dos Consumidores.»

Em Janeiro de 2010 será lançado, oficialmente, o site da iniciativa GC, que apresentará diversos depoimentos, de diferentes criadores, sobre as áreas artísticas em que trabalham. Foi no âmbito dessa recolha de testemunhos que me convidaram a gravar um depoimento.
Os vídeos «servirão de fio condutor de todo o projecto» e têm como objectivo dar a conhecer aos jovens o ofício da criação pela voz das pessoas que nele trabalham.


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terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Edição especial em Janeiro de 2010

No próximo dia 22 de Janeiro será publicada uma edição especial do meu romance A Conspiração dos Antepassados (Saída de Emergência, 2007), sobre o encontro do poeta Fernando Pessoa com o mago Aleister Crowley: com uma nova capa e um prefácio de António de Macedo, consiste numa edição da qual muito me orgulho.

Quem já leu, sabe que a história orbita em volta do mito sebástico e tem como ponto de partida a vida e a obra do pintor renascentista português Francisco D'Ollanda. É dele a pintura que ilustra o excerto de A Conspiração dos Antepassados que se segue; um trecho que o apresenta como personagem. É, pois, um convite que eu deixo, àqueles que ainda não leram o romance, para que aguardem pela publicação da edição especial.

«Protegendo-se do violento vento nocturno, com um capuz e um manto, Francisco d’Ollanda agarrou o bebé contra o peito e desceu o carreiro pedregoso em direcção à entrada da gruta; o ruído do rio que fluía para o interior da Terra, invés de desaguar no Tejo, era uma verdadeira alegoria das energias telúricas que erguiam a traça magnética da área. Mais uma vez, precisava de abandonar um filho nessas fundações de pedra.
No início do ano morrera D. João III, seu protector, e as construções que ambos acompanhavam permaneciam incompletas. Preocupado com as urgentes experiências alquímicas, descurara as obras no Mosteiro de Santa Maria de Belém e nos Paços Reais de Enxobregas – a sua tão amada Nova Lisboa. D. Catarina estava com vontade de se ocupar pessoalmente das alas inéditas que ele tinha desenhado para o Convento de Cristo, em Tomar, projecto que muito lhe aprazia. De qualquer modo, Tomar encontrava-se demasiado distante, na geografia e na mente, para que pensasse no mosteiro: a morte do rei obrigava-o a trabalhar sob uma pressão inusitada – a rainha queria resultados no espaço de um ano. A delicada situação que se avizinhava não permitia desleixos.
Ollanda admirou a criança deformada, que carregava ao colo, com um misto de repulsa e esperança: após seis experiências falhadas, compreendera finalmente o que fizera de errado e já sabia como emendar a receita que seguia. O bebé era a prova que se aproximava, célere, da fórmula perfeita: as deformações que o afectavam eram insignificantes, comparadas com aquelas que cobriam os corpos dos irmãos mais velhos.
Talvez tivesse sido mais acertado eliminar essas criações inúteis, mas, construídas à imagem do seu melhor anjo, o arquitettore não encontrou coragem para as matar. Lembrou-se de as deixar naquele local isolado, ao abrigo da crueldade dos homens. Na verdade, sentia-se orgulhoso delas: vaidoso por ter tido sucesso; mesmo que essas vidas não servissem os objectivos para os quais havia sido contratado pela coroa.
Começara esse empreendimento em Outubro de 1550; D. Catarina pagara-lhe, para efeitos de contrato, uma primeira prestação de vinte e cinco cruzados, mercê de doações periódicas e alojamento. Sete anos depois, não se arrependera. O segredo que só ele sabia é que aceitara o trabalho infernal com a meta de amealhar dinheiro suficiente para se casar. Amava a mulher, D. Luísa da Cunha de Siqueira, e bastava-lhe acordar ao lado dela para pensar que as maquinações diabólicas valiam a pena. Mesmo assim, debruçado sobre as retortas, sobre o lendário Caldeirão Negro, quando calhava a vislumbrar o seu reflexo em alguma superfície reflectora via um rosto contorcido que não reconhecia: uma face impregnada de satanismo – ele estava a adorar cada momento da sua missão! Haveria de chegar o tempo de parar e de plantar couves na horta, no Monte: antes, precisava de mudar o mundo, de oferecer o Messias ao Quinto-Império.
O paredão com a gorja da caverna elevava-se na noite como um gigante petrificado, castigado pela Lua. Ollanda assustou uma coruja que caçava à entrada da gruta e entrou.
Havia no ar um cheiro calcário que denunciava a proximidade com o litoral, mais que a vizinhança do rio; o chão polvilhado de pedra moída. A dor de cabeça surgiu no momento previsto: a presença intrusiva que experimentava sempre que regressava à gruta. Uma sensação repelente, como se dedos pegajosos lhe massajassem a mente.
Uma série de imagens brotaram-lhe na cabeça; retalhos ordenados como um livro de ilustrações. Ele desconfiava que a origem daquelas visões forçadas se relacionava com os filhos deformados que viviam no fundo da gruta: era o modo peculiar que tinham encontrado para comunicar com o pai, mas, enquanto falavam, aprendiam. Ollanda viu desejos futuros, viu a figura secreta do salvador imaginado: não a personagem brilhante que o animava nas horas de desalento, mas uma versão corrompida, demasiado horrível para ser verdadeira. Tremeu, desconfortável, amparando a cabeça com a mão, e abandonou o indesejado no chão.

O Indesejado?!

Estes filhos deformados estavam para o Desejado como o Anti-Cristo estava para Jesus. Ollanda não compreendeu a mensagem que lhe arrombava o espírito, mas sentiu uma angústia que ultrapassava a maior das ambições. Qual o significado? Nenhum: a substância dos sentimentos era não terem expressão.
Alguém se aproximou, oriundo do interior da Terra, e o homem reconheceu-o: tratava-se do segundo filho. Crescera! Arrastava-se pelo chão, olhando-o com curiosidade infantil. Ollanda recuou, atingido pela recepção de uma imagem que lhe era conhecida: a noite em que deixara esse segundo filho na gruta. Ele lembrava-se!
Cobriu a boca com as mãos e fugiu a correr em direcção ao rio, deixando o seu sexto bebé na caverna. Ajoelhou-se e mergulhou a cabeça na água para afogar as imagens horríveis.
Malitia Temporis!’, gritou, com água a escorrer-lhe pela barba loura. Agarrou erva com as mãos e arrancou-a num gesto desesperado. ‘Oh, Deus, perdoa-me, que eu criei monstros em teu nome!’
Serenou, pensando que tinha sido a última vez que produzira uma aberração: a receita estava apurada, sem dúvida. Apressou-se até ao sítio onde deixara o cavalo e retirou-se.
Perturbado pela visita do pai, o segundo filho emergiu lentamente da entrada da caverna e espiou o mundo pela primeira vez. Observou as coisas sem as compreender, sem as reconhecer. Sentia-se confundido por um novo tipo de imagem mental que formulara quando vira o pai dentro da gruta. Tratava-se de uma representação diferente das outras – mais abstracta.
Arrastou-se até ao rio e, debruçando-se, viu o seu reflexo na água. Permaneceu algum tempo a observá-lo, a tentar decifrar aquilo que o incomodava. Num instante, percebeu tudo com uma clareza assustadora. Perturbado pela constatação que conseguia pensar por palavras, e não apenas por imagens, ergueu-se e olhou para o céu negro. A confusão deu lugar ao medo e esse temor transformou-se em ódio: a nova espécie de imagem que o encorajara a sair da gruta não passava, afinal, de um pensamento! Um pensamento que o fazia sentir sozinho. Um pensamento que acabara de o transformar para sempre.
Não era igual ao pai

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quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Novo romance em Fevereiro de 2010

O meu novo romance intitula-se O Evangelho do Enforcado. Chegará às livrarias a 12 de Fevereiro, numa edição da Saída de Emergência.

É um romance negro de literatura fantástica, cuja história se concentra sobre a realização dos Painéis ditos de São Vicente.
O cenário é, em grande parte, a cidade de Lisboa, em meados do século XV. Para os leitores que esperam encontrar um retrato autêntico da sociedade desse tempo fica a promessa de que O Evangelho do Enforcado é uma cápsula do tempo feita de imagens realistas e que as personagens pensam e agem como, muito provavelmente, pensavam e agiam os indivíduos nos finais da Idade Média. No entanto, é a fantasia negra que dá o tom dominante ao livro.

Espaçadamente, irei desvendar mais pormenores sobre O Evangelho do Enforcado. Para já, deixo-vos com um excerto:

«Os viajantes cheiravam Lisboa, antes de lhe pôr a vista em cima: os quatro ventos sopravam para Sintra e Sacavém os cheiros provenientes dos açougues, oficinas de calafates, baiucas dos curtidores e lixeiras que se espraiavam à sombreada do muramento da cidade; as gentes expulsavam das chaminés e janelas abertas das casas um florilégio de fragrâncias, das melíferas, como os eflúvios das enxercas, refogadas com ervas e mel, às malcheirosas, como os pivetes deitados fora com o conteúdo dos penicos. Não era invulgar o vento bater na cara dos transeuntes e enfiar-lhes o cheiro a vinho e caca de porco pelas narinas acima. Um fabuloso odor de “aqui e agora” que ia buscar essências pretéritas, fixadoras dos aromas do presente, para controlar os pensamentos dos lisboetas: o hipocentro da geologia temporal de Lisboa, impressa nas rochas, tijolos e ossos, reverberava sob a forma de lenga-lengas, cantigas estúpidas e orações de esperança. Ninguém, nem sequer um fungo, se dava ao trabalho de aprender alguma coisa com a presença do passado: e a cidade, de quando em quando, dava coices; deitava umas casas abaixo e reorganizava-se – ninguém me usa, clamava, merismática.
Casas de pedra e madeira erguiam-se voltadas para o rio Tejo, tão tortas quanto as próprias elevações sobre as quais se equilibravam; em direcção à linha da água, a pouquíssima distância das muralhas coroadas de líquenes, as ruas estreitas tornavam-se exíguas e a imundície sedimentava-se em estratos graúdos que encapotavam o chão de terra batida. Algumas artérias de maiores dimensões, como a eritematosa Rua Nova, possuíam pavimentos; mesmo assim, se apresentassem uma cota mais elevada, os caminhos calcetados costumavam ser cobertos com areia para que as ferraduras das bestiúnculas não deslizassem nas lajes de pedra.
O barulho era ininterrupto: sinos e chocalhos vascolejantes, guinchos das rodas de carroças e carretas, cerca de quarenta mil pessoas a conversar, a berrar e a rir. Baratas saltavam de frinchas. Cães bebiam os próprios reflexos em poças de água choca. Homens agarravam em copos de vinho.
Um ogre, de pele tisnada, vendia arroz frito de lagostins na rua e o cheiro das ervas aromáticas e do marisco não era diferente daquele que saía das fracturas do subsolo. Cheiros puros – sons puros. «Libertate carens.» Como lâminas afiadas.
Quando Nuno descera do barco e entrara em Lisboa pela Porta da Ribeira, junto da Pedreira ao bairro de Alfama, não se deixara impressionar pela adarga decorativa que se encontrava suspensa sobre o arco perfeito, como dois enormes rins de pedra; porém, desde essa altura, viera a conhecer melhor a cidade e concluiu que não se tratava de nenhuma aldeia grande como lhe disseram: era muito, mas mesmo muito maior do que alguma vez teria sido capaz de imaginar.»

(Foto de Gisela Monteiro.)

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Sessão de autógrafos em Coimbra

No próximo Sábado, às 15H30, estarei na loja de banda desenhada Dr. Kartoon, em Coimbra, para uma sessão de autógrafos, em conjunto com Rui Lacas, Ricardo Cabral e Filipe Andrade.
Será, sem dúvida, uma boa oportunidade para falar com os leitores conimbricences, tanto os de banda desenhada como os de prosa.

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quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Poemas de Alfred Tennyson

O livro Poemas de Alfred Tennyson, publicado pelas Edições Saída de Emergência, é apresentado hoje, às 18H30, na Câmara de Comércio Luso-Britânica, em Lisboa (Rua da Estrela, nº8).
A apresentação, realizada pelo orador convidado Dr. Paulo Lowndes Marques, da British Historical Society, contará com as presenças do editor e do tradutor Octávio dos Santos (também responsável pela selecção dos poemas).

Trata-se de uma excelente iniciativa: Tennyson é um dos poetas ingleses que mais aprecio e este livro vem dar aos leitores portugueses a oportunidade de conhecer o seu imaginário, permeado por referências e elementos da cultura ocidental que fazem parte do universo da literatura fantástica.

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domingo, 6 de Dezembro de 2009

É Natal, é Natal. Mas de quem?

Existem panos vermelhos, pendurados nas varandas lisboetas, que, à guisa de veris ikons, apresentam Jesus Cristo, mas na versão infante (bochechuda) e não de face ensanguentada; imagem popularizada pelos artistas barrocos. Amiúde tenho passado por esses panos, pelos meus passeios psicogeográficos, sem, porém, perceber a origem e intenção dessas representações. A resposta foi-me dada hoje, numa reportagem transmitida por um dos nossos telejornais: trata-se de um gimmick, imaginado por um grupo de católicos, cujo objectivo é lembrar às pessoas que o Natal também é a celebração do aniversário de Jesus Cristo e não apenas um período de consumismo, no qual o Pai Natal faz de mestre de picadeiro. Ao que parece, os panos não decoram só as janelas pombalinas, mas podem ver-se nas casas de outras cidades do país. Cada um custa quinze euros.

A percepção pública portuguesa sempre foi a de que o Natal é o dia de anos de Cristo, tal como ensinam as cartilhas católica (e cristã), mas o modo como esse aniversário (que os primeiros líderes republicanos portugueses, no combate que encetaram contra o clericalismo, denominaram de "festa da família") foi festejado em Portugal nunca teve nada a ver com o Natal das tradições anglo-saxónica, germânica e escandinava, culturas em que a personagem Pai Natal é cimeira nas celebrações. Por esse ponto de vista atávico e mediterrânico, os católicos que tiveram a ideia dos conspícuos panos emanuelinos têm razão: o Pai Natal, apesar da bonomia que patenteia, é um convidado de última hora nos natais portugueses, espanhóis, italianos e gregos, por exemplo. O erro onde assenta a ideia de querer devolver o aniversário ao aniversariante não reside aí, mas no facto de que o Natal nunca foi nem nunca será o aniversário de Jesus Cristo.

("-Nunca foi?... Nunca será?!... Ora bolas! Então... Então quem é que faz anos?")

No século V, a igreja cristã convencionou que o dia 25 de Dezembro passaria a ser conhecido como sendo o aniversário de Cristo, usando a lógica habitual de cristianizar feriados e festas pagãs, de maneira a que populações heterogéneas aceitassem o culto cristíco com maior docilidade. A festividade pagã que costumava ser celebrada nesse dia era a grande festa do Sol Invictus: realizado no período do solstício de Inverno, este feriado instituído no século III pelo imperador Heliogábalo, adorador do deus solar homónimo de raiz sírio-romana, consistiu numa demonstração heliólatra na qual todos os avatares do arquetípico Deus Sol eram idolatrados, desde ao Heliogábalo sírio, como já referi, até ao Mitra persa. O próprio Mitra acabou por tornar-se muitíssimo popular no período final do Império Romano, sendo adoptado pelo militares como um deus solar, viril e aguerrido. O culto de Mitra era secreto e para participar nele era obrigatório ser-se submetido a um ritual iniciático complexo, mas isso não vem agora à colação. O que interessa reter deste resumo é que Jesus Cristo é, por mérito próprio, um avatar do Deus Sol arquetípico, pois morre e ressuscita, à semelhança do Sol que morre à chegada da noite e renasce na manhã seguinte. As primeiras representações de Cristo mostravam-no, inclusive, com um nimbo radiante; desenho que se foi estilizando até cifrar-se no nimbo circular mais usual.
Em suma: por estar consciente de que Cristo era um Deus Sol é que a igreja achou conveniente usar como data para o aniversário dele o dia que já era devotado à idolatria dos Deuses Sóis pagãos. Por conseguinte, o Natal tem tanto de aniversário de Cristo como de aniversário do Ursinho Puff: nada.

(O deus Mitra, enquanto tauróctono. Parece propaganda pró-Festa Brava,
mas é uma das verdadeiras decorações de Natal.)


Se a ideia dos panos vermelhos, com o Menino Jesus serigrafado, é sublinhar a tradição crística do Natal português, por oposição à importação do Pai Natal, e introduzir na festa um cunho espiritual que anula o carácter consumista entretanto medrado, até pode ter algum substrato simbólico - se bem que pateta. Agora se a intenção é, por outro lado, devolver o aniversário ao aniversariante, como já ouvi dizer... Então, por favor, peçam ao Sol para soprar as velas do bolo. Algo que, a atentar nas interpretações toscas que se anda a fazer da mitologia maia, e que já deram azo a vários filmes e livros de gosto duvidoso, pode estar para acontencer em breve, lá para o ano 2012.

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sábado, 5 de Dezembro de 2009

Crítica a "Mucha" na revista "LER"

Na edição deste mês da revista LER, podem encontrar uma excelente crítica ao álbum de banda desenhada Mucha (Kingpin Books, 2009), escrita por Sara Figueiredo Costa.
Transcrevo um excerto:

«Hábil na criação de uma escalada de sufoco, o imaginário de David Soares encontra no traço expressionista de Medina e nas finalizações de Freitas um preto-e-branco perfeitamente harmonioso com a narrativa e fortemente marcado pelas influências das clássicas bandas-desenhadas de horror (...) quanto à ameaça que a epígrafe de Sófocles, na Antígona, lança na página que antecede a narrativa: «Estas coisas são de um futuro próximo.» Mais do que o zumbido contínuo das moscas, são essas palavras que ecoam em cada prancha de Mucha.»

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